domingo, 31 de maio de 2015

Manifesto - Novo rumo e pró formação de uma tendência socialista operária revolucionária

O sistema capitalista mundial vive uma crise, que ameaça até deflagração da III Guerra Mundial, com o choque entre o imperialismo do EUA e da União Europeia contra o Bloco eurásico, Rússia e China, que são ex-estados operários que ainda não são imperialistas, por não terem a exportação de capitais como atividade preponderante, mas realizaram as tarefas democráticas, como independência nacional e reforma e revolução agrária, adquirindo melhores condições de concorrer e enfrentar o imperialismo.  Criaram o Banco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), colocando em xeque a hegemonia do dólar.  O Bloco eurásico atualmente joga um papel progressivo, sendo que este, quando entrar em conflito com o imperialismo, deve ser apoiado pelos marxistas revolucionários. Esta colocada mais do que nunca a questão do socialismo ou barbárie.

A classe operária é internacional,  sendo que defende bandeiras históricas como a frente única anti-imperialista - FUA nos estados atrasados,  nas colônias e semi-colônias, como o Brasil; coloca-se pela defesa dos Estados Operários ainda existentes, Cuba e Coréia do Norte (contra o Shachtmanismo pequeno-burguês pró imperialista:  “nem imperialismo, nem Estados operários”); coloca-se contra o ataque imperialista às Malvinas argentinas, ao Iraque, à Líbia de Kadafi, à Síria de Assad, e contra o ataque  imperialista nazi-fascista na Ucrânia, nas Repúblicas Populares de Donest e Donbass; defende a independência da Criméia, da Catalúnia, do País Basco, da Irlanda e da Escócia; defende a frente única operária nos estados avançados, como a Inglaterra, França, Alemanha, EUA e etc.; defende a causa de emancipação palestina, pela destruição do Estado sionista e terrorista de Israel, pela formação de um único Estado, o Estado palestino socialista, para o povo palestino e judeu.

No Brasil, a burguesia ataca a classe trabalhadora, ataca ao PT, ameaçando com golpismo, fascismo e macartismo,  e , por meio do pacote do ministro Levy, ou seja, terceirização, redução do seguro-desemprego, redução de pensão, fim do FIES, desindustrialização, etc, visando obter superávit primário para pagamento dos banqueiros internacionais, o capital financeiro, em razão da queda da taxa de lucro, pois a crise capitalista é de super-produção, como vemos no ABC, os pátios estão abarrotados de carros, que não são vendidos. Daí o “lay-out”, suspensão do contrato de trabalho com pagamento de parte dos salários com os recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), PDVs (Programa de Demissão Voluntária) e demissões.

Nesse tipo de conjuntura, o capital financeiro, ao contrário, obtém lucros astronômicos. Na Alemanha, derrotada na I Guerra Mundial, durante a crise do Ruhr, o capitalismo alemão, com a desvalorização do marco, pagava os impostos de guerra para França e Bélgica com marco desvalorizado, enquanto isso aproveitava para obter grandes lucros e comprar cada vez mais empresas, aumentando a concentração de capital, que propiciou a acumulação para o desenvolvimento do retardatário imperialismo germânico, assentando as bases para o surgimento do nazismo, que deu origem à II Guerra Mundial. “ O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 5,733 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O ganho é recorde para o período levando em conta o resultado dos bancos brasileiros, segundo a consultoria Economática. Um pouco antes, o Bradesco anunciou ter fechado o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido de R$ 4,244 bilhões, 6,3% acima do resultado do quarto trimestre de 2014 e 23,3% maior que o mesmo período do ano passado. (“Onde mora o perigo”, Ricardo Melo, Folha de S. Paulo (12/5/2015).”

O pacote de maldades do ministro Levy objetiva conseguir 18 bilhões de reais em cima dos trabalhadores e da maioria oprimida nacional. Todavia, o Brasil não tributa dividendos e não tem imposto sobre grandes fortunas (esta na Constituição Federal, mas não foi regulamentado). Nos Estados Unidos, este imposto é de 20% a 40%; na Inglaterra de Margareth Tchatcher era de 38%. O imposto sobre herança no Brasil é de 3%, enquanto no Chile, paraíso neo-liberal, é de 12%. Economistas fazem cálculos de que se o Brasil tivesse imposto sobre grandes fortunas, taxando apenas 5%, conseguiria 90 bilhões de reais, quantia bem superior aos 18 bilhões que Levy quer retirar do sangue e suor dos trabalhadores.

A classe operária,  por  seu lado, retoma as lutas de maneira intensa por parte dos trabalhadores com a greve de 10 dias da Volkswagen e a luta dos operários da Karmann  Ghia, em São Bernardo do Campo; a greve de solidariedade dos operários da Quasar, em Mauá, também no Grande ABC, aos colegas da Metalúrgica de Tubos de Precisão (MTP), em Guarulhos,  na Grande São Paulo, segunda maior cidade do Estado de São Paulo; a greve dos trabalhadores da General Motors (GM) de São Caetano do Sul; a greve dos garis do ABC; o protesto dos trabalhadores do Setor de Transporte em São Paulo;  a luta dos operários da Pirelli, em Santo André; e a greve dos professores estaduais que ultrapassou 75 dias.

Ontem, dia 29/5, milhões de trabalhadores, movimentos populares e estudantes protestaram pelo país inteiro contra a terceirização e as MP 664 e 665, sendo que em alguns estados, como São Paulo, foram duramente reprimidos pela Polícia Militar.

Esse quadro demonstra a enorme disposição de luta da classe operária e da maioria da população oprimida nacional. 

Por outro lado, embora a manifestação golpista do dia 27/5, em Brasília, tenha contado apenas com 300 “coxinhas”, não podemos baixar a guarda, pois, com base no parecer do jurista Miguel Reale Jr., os golpistas aceleraram  a sua movimentação, preparando uma ação penal para que Dilma seja afastada do governo para responder a um inquérito, um espécie de golpe oculto ou branco.

Assim nesta conjuntura, o Partido dos Trabalhadores precisa romper com sua política de conciliação, de expectativa, de ficar esperando para ver o que vai acontecer, ou seja, precisa tomar um novo rumo,  passar à iniciativa, buscando uma política de independência de classe, de ruptura com todos os setores da burguesia nacional, com todos os partidos burgueses, costurando uma frente única com o PCdoB, PSOL,  PCB,  e PCO  demais partidos de esquerda, a CUT, a CTB,  e demais centrais e os movimentos populares, como MST e MTST para enfrentar a direita, o golpismo, o fascismo, o macartismo, para que possamos lutar por um verdadeiro governo operário e dos trabalhadores, realizando as tarefas democráticas de independência nacional, expulsão do imperialismo, e reforma e revolução agrária, com a expropriação dos meios de produção, fábricas, bancos, terras, adoção do monopólio do comércio exterior, visando a instauração de uma economia planificada, uma economia socialista.

Para tanto, há necessidade do conjunto dos companheiros do PT fazermos uma autocrítica:

“A autocrítica não é e nem pode ser uma reação mecânica, ainda que se converta num costume, tampouco se lhe deve identificar como o chicote utilizado pela direção; é o resultado de uma elevadíssima politização, de uma clara  compreensão teórica. Ao buscar a raiz dos erros cometidos mergulha-se até chegar nas motivações de classe, até às próprias leis do processo histórico, o que só pode realizar-se de maneira satisfatória manejando bem o marxismo.  Ao submeter a autocrítica as conclusões políticas há que referi-las ao programa e às classes sociais em luta, unicamente neste plano pode aquela ajudar-nos a lograr a elevação política e teórica dos quadros. Se só fosse o chicote usado pela direção para castigar os opositores se tornaria algo destrutivo. A crítica mais severa é realizada no marco das discussões coletivas, o que tem que procurar-se é que os militantes orientem seu pensamento a colocar de forma clara suas próprias ideias e sua conduta, ao demais de suas inevitáveis emergências.” (Guillermo Lora, “El Partido y su Organizacion”, Ediciones Masas, 1983, tradução livre de Erwin Wolf).

Na atualidade, ganham relevo as palavras de ordem: 
- contra a terceirização e demais ataques aos direitos dos trabalhadores;
- por estabilidade no emprego;
- escala móvel de salários, ou seja, reajuste salarial de acordo com  inflação;
- redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; 
- organizar comissão de fábrica;  comandos de greve; e deflagrar  greve com ocupação, nas empresas que demitirem.

Essas bandeiras devem ser combinadas com:
- não ao golpismo;
- não ao fascismo;
- e não ao macartimo.

Assim, a conjuntura atual se mostra gravíssima, sendo que notamos no conjunto da militância petista uma desorientação e perplexidade, que precisa ser superada com o retorno do partido às origens, como tem sido colocado por diversos militantes e companheiros, sendo necessária a formação de uma tendência socialista operária revolucionária, para dar expressão organizativa a essa legítima posição política no interior de nosso partido.

O partido precisa voltar a ter vida interna, sendo importantíssimo retomar a política de reconstrução e construção de novos núcleos partidários, para oxigenar a vida interna do PT. Devem ser reconstruídos os núcleos nos bairros, nos locais de trabalho e estudo (empresas, fábricas, bancos, escolas, universidades, etc.). 

O PT precisa revisar a sua política de alianças.  As alianças devem ser feitas apenas com os partidos operários e de esquerda. Há necessidade da ruptura com os partidos burgueses.

No plano internacional, o PT precisa lutar pela retirada das tropas brasileiras do Haiti.
- retorno do partido às origens;
- reconstrução e construção de novos núcleos partidários;
- revisar a política de alianças; alianças com partidos operários e de esquerda; ruptura com os partidos burgueses;
- retirada das tropas brasileiras do Haiti.

O presente manifesto não é um documento acabado, estando aberto aos companheiros do PT para discussão e contribuição.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A Nova Guerra Fria está pegando fogo

Ontem dia, 27, na Suíça, ocorreram as prisões midiáticas (para o delírio da imprensa venal, da pequena-burguesia e da classe média brasileira) de dirigentes do futebol mundial, vinculados à FIFA, acusados de corrupção, prisões essas ordenadas pelos Estados Unidos, que sobre o pretexto de uma investigação, em razão dos interesses americanos (essas apurações haviam sido submetidas à apreciação de juiz alemão que não deu a mínima para as mesmas, com certeza por ter entendido que se tratava de querela entre usurários e bandidos).

Os EUA continuam se arvorando a polícia do planeta. É a “pax americana”, a exemplo da “pax romana”.  Como Lênin ensinou, a época dos monopólios, do capital financeiro (industrial + bancário), é a época imperialista, da reação em toda linha, de guerra e revoluções.

Há pouco dias os Estados Unidos violaram o território Sírio e assassinaram um líder do Estado Islâmico, sua cria, como o Bin Laden. Sempre a mesma história: os EUA armam, usam e depois descartam seus mercenários.

Perseguem Edward Snowdem, ex-agente de uma empresa ligada à CIA, que revelou as arbitrariedades e os crimes os de espionagem do Império e Julian Assange, do WikiLeaks, que também fez revelações sobre a podridão yankee.

Com relação à Federação Internacional de Futebol, a Fifa, com certeza os Estados Unidos moveram-se por causa de seus interesses financeiros contrariados, ou seja, em virtude de empresas como Nike, Red Bull, Coca-cola etc., pois perderam a disputa pelas sedes de 2018 para a Rússia e 2022 para o Catar. Agora o que o EUA estão fazendo é correr atrás do prejuízo de suas empresas, querem recuperar o dinheiro que perderam ou deixaram de ganhar, com os expedientes de extorsão, como a conhecida nazi-fascista delação premiada (lembram-se na Alemanha nazista os filhos eram incentivados a delatarem os pais), processo esse que já se iniciou com a transação do brasileiro J. Hawilla, da Traffic, empresa de marketing esportivo, que “concordou” em devolver U$ 158 milhões dólares, mais ou menos 473 milhões de reais. É ainda prejudicar ou inviabilizar a Copa da Rússia.
Se fosse por problema de corrupção mesmo, deveriam antes ter apurado a compra das sedes das olimpíadas de Atlanta em 1996  e de Salt Lake City em  2002. Pura hipocrisia!

As investidas americanas se dão por "bem" (diplomaticamente) e por mal (militarmente). Anteriormente, empreenderam uma aproximação com Cuba, preocupados com a construção pelo Brasil do porto na Ilha, que poderá impulsionar o comércio da Refinaria brasileira de Pasadena.
Antes, ainda, os EUA apoiaram golpes em Honduras, Paraguai; derrubaram Kadafi, na Líbia; apoiaram um golpe nazi-fascista na Ucrânia; atacam as Repúblicas de Donbass e Donest; apoiaram golpe militar para derrubar governo eleito democraticamente no Egito; armaram e usaram o Estado Islâmico contra o Iraque e a Síria, desestabilizando a região (só não o conseguindo totalmente devido à atuação ainda que acanhada da Rússia); tudo isso como forma de apoiar o Estado sionista e terrorista de Israel contra o povo palestino.

Recentemente, atacaram a Rússia, com “sanções”, tentando derrubar o rublo, que chegou a cair de um dia para o outro 20%.

Os EUA tem dado origem, também recentemente, a uma série de escaramuças com a China em razão do mar do Sul da China.

A Nova Guerra Fria está esquentando,ou seja, começa a pegar fogo a luta entre o imperialismo dos EUA e da União Europeia e o Bloco Eurásico, Rússia e China, formado por ex-estados operários, que ainda não são país imperialistas, por não terem como atividade preponderante a exportação de capitais.

“A China passará a concentrar sua presença militar além de suas fronteira marítimas, alcançando águas internacionais, indica um documento do Conselho de Estado.

O texto de Pequim, que destaca quatro áreas estratégicas às quais será dedicada mais atenção – oceano, espaço, força nuclear e espaço cibernético – afirma ainda que Pequim acelerará o desenvolvimento de forças para combater  “ameaças graves” à sua infraestrutura cibernética.

(...)
O relatório reforça uma estratégia de fortalecimento da Marinha já em prática nos últimos anos. Recentemente, o país lançou um porta-aviões e investiu submarinos e em outros navios de guerra.
(...)

Autoridades americanas afirmam que , na região das ilhas Spratly, a China criou  aterros de cerca de 800 hectares (o equivalente a mais de 800 campos de futebol) desde 2014. Segundo Pequim, a área poderia ter fins militares, como pistas de pouso.

O documento do Conselho de Estado, porém, diz que a China “não atacará a menos que seja atacada” e alerta para “ações provocativas de certos vizinhos” e “partes externas envolvidas em questões do mar do Sul da China”.” (Folha de S. Paulo, 27/5).

O capitalismo vive uma crise, que ameaça até deflagração da III Guerra Mundial, com o choque entre o imperialismo do EUA e da União Europeia contra o Bloco eurásico, Rússia e China. É uma Nova Guerra Fria.

Neste momento o Bloco Eurásico joga um papel progressivo, devendo ser apoiado pelos marxistas revolucionários quando entrarem em conflito com os imperialismos americanos e europeus. Esta colocada mais do que nunca a questão do socialismo ou barbárie.

IGNÁCIO REIS

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os haitianos, o Brasil e a xenofobia

Nosso país sempre recebeu seus imigrantes. Muitos de nós somos descendentes daqueles que “vieram pro Brasil atrás de oportunidades” no início do século passado. Eram espanhóis, italianos, japoneses, portugueses, poloneses, russos, entre outros, que tiveram aqui uma nova oportunidade para recomeçar a vida.

Agora eu me pergunto... Por que este ódio com migrantes vindo do Haiti? Não precisa ser muito inteligente para saber que depois do terremoto de 2010, que devastou tudo por lá, aquele país - que já era pobre - ficou em uma situação ainda pior. E é totalmente compreensível que eles tentem uma nova chance em um novo lugar.

É preciso ter cuidado com este discurso de ódio e eu vou explicar o porquê. O nazismo perseguiu e matou milhões de judeus durante a segunda Grande Guerra e um dos argumentos que eles usavam era o de que os judeus “iriam roubar os empregos dos alemães”. 

Outra coisa, essa intolerância contra grupos que representam uma minoria é uma característica do fascismo. E quem conhece um pouco da História sabe o que o nazismo e o fascismo foram capazes de fazer.

Pra terminar, é bom que fique claro que o preconceito com uma pessoa estrangeira – seja ela de outra cidade, estado ou país – tem nome... É xenofobia. E aqui no Brasil a xenofobia é crime!

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9459.htm

17ª sessão é marcada por manifestação de funcionários públicos

Nesta quarta-feira (27), a 17ª sessão ordinária da Câmara de São Bernardo do Campo foi marcada pela grande presença de manifestantes grevistas – funcionários públicos, que estão em greve há 15 dias sem expectativa de acordo com a Administração do prefeito Luiz Marinho.

O prefeito apresenta proposta de reajuste da inflação anual medida pelo INPC, de 7,68%, sendo 2,5% retroativos a março (data-base da negociação salarial 2015) e o restante apenas em dezembro. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de São Bernardo do Campo (SindServ SBC) reivindica 8,05% de reposição da inflação, medida pelo DIEESE, mais 4,5% de aumento real - baseado no crescimento econômico da cidade.

No início da sessão, Cecília Gutierrez fez uso da tribuna para tratar das reivindicações da categoria e pedir apoio dos vereadores para que ajudem na intermediação com a Prefeitura. De acordo com a funcionária da Educação, “o que o funcionalismo esta reivindicando é apenas uma remuneração justa, com correção das perdas salariais”, mas, segundo ela, há “uma grande falta de vontade por parte da Administração em negociar com o SindServ”.

Giovani Chagas, presidente do Sindicato, fez uma breve análise dos 15 dias de mobilização e afirmou que os funcionários públicos de São Bernardo estão demonstrando que são uma categoria de luta movidos por uma justa reivindicação. “Nós sabemos que o orçamento da cidade comporta todas nossas reivindicações. Portanto, não podemos aceitar a proposta atual que nos foi apresentada”, disse o presidente da categoria.

Chagas também citou o nome dos vereadores que assinaram moção de apoio à greve. Em sua opinião, “apesar de ter um caráter simbólico, a moção de apoio demonstra coerência por parte dos vereadores, independente de serem de oposição ou situação”.

Encontro com Marinho
No início da tarde, o presidente da Câmara de São Bernardo do Campo, José Luís Ferrarezi, o presidente do SindServ SBC, Giovani Chagas, e vereadores da mesa diretora, subiram ao 18º andar da Prefeitura para conversar diretamente com o prefeito. Porém, durante o encontro, ambos os lados não aceitaram fechar acordo e a greve continua até amanhã, quando deverá acontecer outra reunião com o Executivo.

domingo, 24 de maio de 2015

Notas

Presidente deposto do Egito é condenado à morte

O ex-presidente do Egito, Mohammed Morsi, foi condenado à morte. Mohammed Morsi foi o primeiro presidente eleito em votações livres.  Foi deposto em julho de 2013 por militares golpistas. Agora foi condenado sob a acusação de participação em um caso de fuga em massa na prisão, ocorrida em 2011.  Anteriormente, o ex-presidente havia sido acusado de ter repassado segredos de estado a grupos estrangeiros,  ao Hamas, mas conseguiu evitar a sentença de morte.
A classe trabalhadora, independentemente das diferenças que tem com relação à posição política de Morsi, coloca-se contra a pena de morte a um ex-presidente eleito democraticamente, em votações livres, vítima de golpismo militar. Os marxistas defendemos a libertação imediata de Morsi e o restabelecimento das liberdades democráticas, com a convocação de uma Assembleia Constituinte Livre, Democrática e Soberana.


O Império ataca | EUA assassina líder do Estado Islâmico

Violando o território Sírio, os EUA assassinaram o líder do Estado Islâmico, Abu Sayyaf, que coordenava a gestão financeira do grupo, e ainda capturou sua mulher. O Estado Islâmico foi armado e usado pelo imperialismo americano contra a Síria e região do Oriente Médio, provocando a barbárie, como no caso de Bin Laden no ataque Afeganistão, sendo que, a partir do momento que não interessa mais, passando a entrar em conflito com os interesses do Império, é descartado, como aconteceu agora com o líder do EI. Como nos ensinou Lenin, o imperialismo, época dos monopólios e do capital financeiro (capital bancário + capital industrial). É a época da reação em toda linha, de guerras e revoluções.

CUT e senadores do PT assinam Manifesto contra política de “ajuste econômico” do ministro Levy

A CUT, senadores do PT, intelectuais acadêmicos e movimentos populares, no dia 20/5, em razão das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665 (seguro-desemprego, abono, pensões, etc.), aprovadas na Câmara dos Deputados, estão agora no Senado para votação, assinaram um Manifesto contra a política de “ajuste econômico” pró-imperialista do ministro Levy (exigência direta do imperialismo americano), política essa defendida por Aécio e Fernando Henrique Cardoso do PSDB.

“O quadro de desequilíbrio fiscal das contas do governo não é responsabilidade dos mais pobres, trabalhadores, aposentados e pensionistas. As causa desse desequilíbrio foram a desoneração fiscal de mais de 100 bilhões concedida pelo governo às grandes empresas, as elevadas taxas de juros Selic, que transferem recursos para o sistema financeiro, e a queda da arrecadação devido ao baixo crescimento no ano passado.

Não é justo, agora, colocar essa conta para ser paga pelos mais pobres que precisam de políticas públicas, trabalhadores, aposentados e pensionistas.”

A votação mostrou o descontentamento na bancada do PT e do PCdoB.

Essa política de “ajuste econômico” é a política de austeridade do imperialismo dos Estados Unidos e União Europeia (Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda), para atendimento e socorro do capital financeiro em bancarrota, implicando no corte de direitos trabalhistas e previdenciários (aposentadorias e pensões) dos trabalhadores.

Essa política é implementada pelo PSDB nos Estado  Paraná e São Paulo, militarmente. Privatização da Sabesp, crise hídrica, aumento da tarifa da água, sucateamento do metrô e trens.  Os professores de São Paulo estão há 70 dias em greve, e os trabalhadores da Saúde marcaram greve para os dias 26 e 27 de maio, sem que o governo abra negociações.

 Não esquecer que além das MPs há o Projeto de Lei 4330 da terceirização, que poderá significar, em caso de sua aprovação, uma precarização enorme dos trabalhadores, uma verdadeira escravização.

O manifesto em questão revela que a política de “ajuste econômico” não é a política do Partido dos Trabalhadores, refletindo o descontentamento de suas bases.

Além disso, a CUT colocou-se frontalmente contra as MPs de Levy, por serem contrárias aos interesses dos trabalhadores. A CUT chama à paralisação do dia 29/5 rumo à greve geral contra a terceirização e as MPs.

Hoje, ganham relevo as palavras-de-ordem:

- contra a terceirização e às MPs 664 e 665 demais ataques aos direitos dos trabalhadores;
- por estabilidade no emprego;
- escala móvel de salários, ou seja, reajuste salarial de acordo com  inflação;
-  redução da jornada de trabalho, sem redução de salário;
- organizar comissão de fábrica e deflagrar  greve com ocupação, nas empresas que demitirem.

Essas bandeiras devem ser combinadas com

- não golpismo;
- não ao fascismo;
- e não ao macartimo.

Erwin Wolf

sexta-feira, 15 de maio de 2015

No dia em que o leão se levantar

O livro de André Martinez “NO DIA EM QUE O LEÃO SE LEVANTAR”,  com o subtítulo “O retrato da hanseníase no Brasil na época dos confinamentos” , de 160 páginas, editado pelo próprio autor, é uma bela e humana obra de ficção.

Como o próprio subtítulo diz, é um retrato da hanseníase no Brasil na época dos confinamentos. André justifica o por que fez um livro de ficção: “Simplesmente por um único motivo: entre as conversas que tive, percebi que ali dentro todos tinham uma identidade e um sonho, que acabaram se perdendo pelo meio do caminho devido à doença. Portanto, na ficção, poderia eu realizar muitos destes sonhos em personagens que mesmo fictícios, foram inspirados em pessoas e fatos reais, que sofreram de forma verdadeira a dor da hanseníase.”

Desde a antiguidade que os doentes de hanseníase eram perseguidos, apedrejados,  chamados cruelmente de leprosos e morféticos. Tinham que viver escondidos e encapuzados, como animais, nas matas.   

Em 1924 iniciou uma pandemia da doença no Brasil, sendo que “O governo está criando a polícia da profilaxia da lepra, que será responsável por captura os doentes. Aqueles que infringirem a lei serão severamente punidos.” Muitas vezes suas casas eram incendiadas. No Brasil, a questão da saúde e a questão social são sempre tratadas como caso de polícia. 

Na cidade de Mogi das Cruzes, cidade de colonização japonesa, voltada à agricultura, “O cinturão verde da Grande São Paulo, foi construído a colônia, com o nome de Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti” (na obra de André, Hospital Colônia Onofre da Costa, em uma grande e bela área. Foram construídos o casarão de bela arquitetura, “carvilles” (habitação coletiva, tipo americana),  cine teatro, campo de futebol, padaria, galpões que abrigavam pequenas fábricas (a colônia fabricava tudo que podia, para ter o mínimo contato com o exterior), cemitério,  e, conforme a ironia de André, “Até mesmo um cassino foi construído para os jogadores, além de uma cadeia para os baderneiros, já que afinal de contas, uma cidade sem cadeia, não é cidade !”  A Santa Casa de Misericórdia ficou de fornecer os médicos e as irmãs carmelitas de cuidar dos doentes. Essa colônia, no entanto, foi cercada como se fosse um campo de concentração, com jagunços armados, prontos para atirar,  caso algum paciente se aventurasse tentar fugir.

Em frente ao casarão, há um leão de concreto, com uma bola de futebol entre as patas dianteiras. Esse leão foi obra de um artista plástico e escultor que foi paciente da colônia. Os pacientes capturados, quando chegavam  à colônia, costumavam indagar quando sairiam dali. A resposta era sempre a mesma, ou seja, a que dá título ao livro. Os paciente não tinham nenhuma alternativa, nenhuma saída. Era uma prisão perpétua.

As pessoas viviam separadas. Não era permitido o namoro. “Demonstrações maiores de afeto em público eram rapidamente repreendidas pelos policiais.” E “Somente as pessoas que já estavam casadas antes de entrarem no hospital, poderiam viver juntas.” As crianças que nasciam era retiradas da mãe e enviadas para orfanatos ou preventórios para doação. Essas crianças eram cruelmente tratadas de “ninhadas de leprosos”. Apenas no início da década de 60 foi permitido o namoro. “Mas de todas as áreas ruins do hospital colônia, nenhuma delas se aproximava ao manicômio, um local onde as condições eram piores que a de animais antes do abate.” E “Os doentes permaneciam por em um verdadeiro depósito humano, estando muitas vezes nus e sujos com suas próprias fezes. O mau cheiro era insuportável. Naquele local, era muito comum aqueles que estavam um pouco menos afetados psicologicamente falando, cometerem o suicídio.”

Os pacientes tinham as correspondências censuradas, ou seja, elas não chegavam aos seus destinatários. Muitos pacientes pensavam que tinham sido abandonadas pelos seus entes queridos e se suicidavam.

A única oportunidade que os doentes tinham de sair da colônia era por ocasião dos campeonatos de futebol. Como com o tempo surgiram mais colônias, nestas eram organizados torneios internos, sendo que a equipe campeã representava a colônia nos campeonatos contra outras colônias. Nessas ocasiões os pacientes viajavam de ônibus, tendo contato com o mundo fora da colônia.

O livro conta também a história de um lenhador que foi líder de sua categoria, tendo organizado greve na fazenda onde trabalhava, trabalhador esse que veio a desenvolver a doença.

O enclausuramento na colônia terminou em 1967. Os americanos descobriram a sulfa para tratamento do hanseníase e pretendiam exportar para o mundo inteiro.  Como o Estado de São Paulo não queria acabar com o enclausuramento,  o que os americanos entendiam como uma propaganda negativa com relação ao remédio que haviam inventado, aí pressionaram o governo brasileiro para acabar com o confinamento. Estavam, ainda, preocupados que a URSS e Cuba inventassem um medicamento ainda melhor.  Esse fato lembra o que aconteceu com o fim do tráfico dos escravos negros no Brasil, quando a Inglaterra, em razão do interesse de seu capitalismo em expansão, visando comercializar seus produtos, impôs o fim do tráfico de seres humanos. O materialismo histórico e a dialética nos ajudam a entender essas contradições, que propiciam o desenvolvimento da humanidade.

Com o fim do confinamento, não terminaram os sofrimentos dos pacientes, pois a doença deixa marcas, atrofia os membros “mãos de garra”, deforma  rosto, a chamada “face leonina”, etc. Muitos pacientes, devido ao preconceito, tinham medo de ser apredrejados, preferiram retornar à colônia, sendo que o governo passou a pagar para eles pensão. “Hoje em dia, o Hospital “Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti” é um dos principais da região nas especialidades de UTI pré-natal e doenças infectocontagiosas.”

Assim, a colônia não deixava de ser um campo de concentração. Ela ficou para trás, mas outros campos de concentração existem no Brasil ainda hoje. Não é uma coisa distante que existiu apenas na época do nazismo de Hitler, na Alemanha, na Áustria ou na Polônia. A questão da saúde e social é tratada como caso de polícia. No Brasil, temos a terceira população carcerária do mundo. O que era a Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo ? O que são os Centros de Detenção Provisória, CDPs  ? O que são os  presídios de segurança máxima ? O que são as prisões pelo País afora ?  Masmorras medievais.

Recomendamos a leitura do livro do André, 36, escritor que possui 14 livros editados, tendo sido vencedor por quatro vezes do prêmio Jovem Brasileiro, nos anos 2009, 2010, 2013 e 2014; apresentador de rádio e TV; colunista de semanal de jornal; e trabalhador telefônico (setor de telecomunicações), sendo que foi graças a essa atividade, ao fazer a manutenção no Hospital “Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti” que teve contato com a história da colônia.

Todo esse retrato demonstra que não há saída nos marcos do capitalismo para essa barbárie. Somente 
a luta pelo governo operário e dos trabalhadores, colocará na ordem-do-dia o socialismo para superar o modo de produção capitalista,  por meio de uma economia planificada, com a expropriação dos meios de produção (fábricas, latifúndio, etc), expropriação dos bancos, monopólio do comércio exterior.

Erwin Wolf

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O capital deve pagar pela crise econômica

*Texto encaminhado pelo companheiro PAUL BALARD DA SILVA da tendência quarta – internacionalista, SOCIALISMO REVOLUCIONÁRIO, que rompeu com  a Liga Comunista. Esta tendência defende a Teoria da Revolução Permanente de Leon Trotski; defende a frente única anti-imperialista- FUA (Teses do Oriente do IV Congresso da III Internacional) nos estados atrasados,  nas colônias e semi-colônias; coloca-se pela defesa dos Estados Operários ainda existentes, Cuba e Coréia do Norte (contra o Shachtmanismo, “nem imperialismo, nem Estados operários”); defendemos que os ex-estados operários, Rússia e China, forma o Bloco capitalista eurásico, mas ainda não são países imperialista, principalmente porque neles não prepondera a exportação de capitais, como nos países imperialistas; coloca-se contra o ataque imperialista à Líbia de Kadafi, a Síria de Assad, e contra ataque  imperialista nazi-fascista na Ucrânia, na República Popular de Donest e Donbass; defende a independência da Criméia, da Catalúnia , da Irlanda da Escócia; defente a frente única operária nos estados avançados, como a Inglaterra, França e Alemanha;  defende a causa de emancipação palestina, pela destruição do Estado sionista terrorista de Israel, pela formação de um único Estado, o Estado palestino socialista, para o povo palestino e judeu; e ainda a reconstrução da Quarta-Internacional.  A ruptura com a LC se deveu à indiferença “à luta que se desenvolve no seio das organizações reformistas como se pudéssemos conquistar as massas sem intervir na sua luta diária!, ou seja, à indiferença com relação ao Partido dos Trabalhadores (PT). Dada a gravidade da situação política nacional e o ritmo acelerado da luta de classe, com a ameaça de golpismo, como numa situação de guerra civil, não havia tempo para levarmos uma luta de tendência na LC, a qual manteve os prejuízos de sua origem, ou seja, a Liga Bolchevique Internacionalista – LBI, isto é, a sua incapacidade de se inserir no seio do movimento operário e popular, por isso julgamos que não havia tempo a perder nesta conjuntura de ameaça de golpismo e de supressão das conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira (se a conjuntura fosse outra, haveria tempo para a discussão), mas neste momento as questões táticas se aproximam das estratégicas, cobram e adquirem relevância estratégica. Quem não procurar o caminho das massas ficará que nem a LBI, em franca extinção.  A ruptura implicou em duas tendências. Uma defendida pelo companheiro Erwin Wolf, por ser militante do PT, prefere desenvolver um trabalho do interior desse partido, e lutar pela formação de uma Tendência Socialista Operária. A outra posição é a defendida por mim, que defendo a frente única com o PT, sem no entanto integrar os seus quadros, e a CUT (nesta Central atuamos normalmente, pela sua vocação de ser uma central única). Independente das diferenças políticas, Socialismo Revolucionário mantém relações fraternais com o companheiro Erwin Wolf e o PT.  O nome de nossa corrente, Socialismo Revolucionário, é uma homenagem ao camarada Nicolás, uruguaio, militante da organização homônima Oriental, que militou conosco na época da ditadura, no PT da Lapa, da Rua Catão, fazendo pafletagem nas fábricas da região. Na época, convivíamos com diversos camaradas estrangeiros, a maioria argentinos, e somente Nicolás insistia, colocando em risco sua própria vida, em fazer panfletagem, pois caso fosse preso, seria deportado imediatamente para o Uruguai e provavelmente seria executado pela ditadura militar uruguaia. Em breve lançaremos nosso Boletim mensal “No caminho das massas”.


O CAPITAL DEVE PAGAR PELA CRISE ECONÔMICA

O capitalismo vive uma crise, que ameaça até deflagração da III Guerra Mundial, com o choque entre o imperialismo do EUA e da União Europeia contra o Bloco eurásico, Rússia e China. Esta colocada mais do que nunca a questão do socialismo ou barbárie.

No Brasil, a burguesia ataca a classe trabalhadora, por meio do pacote do ministro Levy, ou seja, terceirização, redução do seguro-desemprego, redução de pensão, fim do FIES, desindustrialização, etc, visando obter superávit primário para pagamento dos banqueiros internacional, o capital financeiro, em razão da queda da taxa de lucro, pois a crise capitalista é de super-produção, como vemos no ABC, os pátios estão abarrotados de carros, que não são vendidos. Daí o “lay-out”, suspensão do contrato de trabalho com pagamento de parte dos salários com os recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT), PDVs (Programa de Demissão Voluntária) e demissões.

Nesse tipo de conjuntura, o capital financeiro, ao contrário, obtém lucros astronômicos. Na Alemanha, derrotada na I Guerra Mundial, durante a crise do Ruhr, o capitalismo alemão, com a desvalorização do marco, pagava os impostos de guerra para França com marco desvalorizado, enquanto isso aproveitava para obter grandes lucros e comprar cada vez mais empresas, aumentando a concentração de capital, que propiciou a acumulação para o desenvolvimento do retardatário imperialismo germânico, assentando as base para o surgimento do nazismo, que deu origem à II Guerra Mundial.

A mesma coisa esta acontecendo hoje com o Brasil, conforme dados econômicos objtidos na imprensa burguesa:

“Como sempre, a conta é espetada no lombo dos trabalhadores.

Coincidência ou não, na época somos informados dos resultados dos principais bancos do país. O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 5,733 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O ganho é recorde para o período levando em conta o resultado dos bancos brasileiros, segundo a consultoria Economática. Um pouco ante, o Bradesco anunciou ter fechado o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido de R$ 4,244 bilhões, 6,3% acima do resultado do quarto trimestre de 2014 e 23,3% maior que o mesmo período do ano passado.

Os trabalhadores penam, a indústria resmunga, o comércio reclama. Já o capital financeiro comemora. Será que é tão difícil saber de onde tirar ?  (“Onde mora o perigo”, Ricardo Melo, Folha de S. Paulo (12/5/2015)”

O pacote de maldades do ministro Levy objetiva conseguir 18 bilhões de reais em cima dos trabalhadores e da maioria oprimida nacional. Todavia, o Brasil não tributa dividendos e não tem imposto sobre grandes fortunas (esta na Constituição Federal, mas não foi regulamentado). Nos Estados Unidos, este imposto é de 20% a 40%; na Inglaterra de Margareth Tchatcher era de 38%. O imposto sobre herança no Brasil é de 3%, enquanto no Chile, paraíso neo-liberal, é de 12%. Economistas fazem cálculos de que se o Brasil tivesse imposto sobre grandes fortunas, taxando apenas 5%, conseguiria 90 bilhões de reais, quantia bem superior aos 18 bilhões que Levy quer retirar do sangue e suor dos trabalhadores.

Assim, nesta cojuntura, o PT , a CUT, as demais centrais, o MST, MTST e demais movimentos populares devem lutar contra a terceirização; por estabilidade no emprego; escala móvel de salários, ou seja, reajuste salarial de acordo com  inflação; redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; organizar comissão de fábrica e deflagrar  greve com ocupação, nas empresas que demitirem; tudo isso combinado com a luta contra a direito, o golpismo, o fascismo e o marcatismo.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Seja bem-vindo, companheiro!

O companheiro Paul Balard da Silva, da tendência marxista quarta-internacionalista Socialismo Revolucionário, embora não seja militante do Partido dos Trabalhadores, manifestou interesse em contribuir com o nosso blog. Inclusive, tal companheiro esta lançando uma brochura “Ensaio Histórico do Movimento Operário e Popular - 1977/2014”. Solicitou que publicássemos o ensaio quando estiver pronto, o que faremos.

Todos à rua dia 29 de maio: paralisação nacional da classe trabalhadora

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT) chamam à paralização do dia 29 de maio, contra o projeto de lei que regulariza a terceirização ampla e irrestrita aprovado na Câmara dos Deputados (PL 4330), e as medidas de ataques aos direitos dos trabalhadores do ministro Joaquim Levy e do Congresso Nacional.

É importante a participação de todos e mobilização dos companheiros da CUT e do PT, transformando essa paralisação em uma verdadeira greve geral, não apenas pelas direitos dos trabalhadores, mas também contra a direita, o golpismo, fascismo e macartismo.

Confira a matéria divulgada no último dia 1º no site da entidade:

CUT anuncia dia nacional de paralisação para 29 de maio

Na data, centrais sindicais e movimentos sociais, unidos, vão protestar contra agenda conservadora no Congresso. Será mais uma etapa para a construção de uma greve geral, em data a ser definida

Escrito por: Igor Carvalho

Na manhã desta sexta-feira (1), durante o ato organizado pela CUT em respeito ao Dia do Trabalhador, o presidente da entidade, Vagner Freitas, anunciou um dia nacional de paralisação. Será no dia 29 de maio, data construída em parceria com CTB, Intersindical, MST e MTST.

“Nós temos um calendário de luta para apresentar ao povo brasileiro. Dia 29 de maio nossa mobilização vai preparar o País para uma greve geral. Será uma greve geral contra retirada de direitos e a agenda conservadora. Não é contra ou a favor de governo ou partido político”, disse Vagner, que em seguida explicou que a data para a greve geral ainda será definida, pois depende de o PL 4330 ser aprovado ou não no Senado.

A paralisação, assim como a greve geral, é consenso entre o movimento sindical e sociais presentes no ato. “Nós estamos aqui, acreditando nessa unidade e vamos partir para uma greve geral se o PL 4330 for aprovado no Senado”, afirmou Ricardo Saraiva, da Intersindical.

Adilson Araújo, presidente da CTB, lembrou o apoio de Dilma Rousseff (PT) contra o PL 4330, afirmado em reunião da petista com sindicalistas, na última quinta-feira (30). “A presidenta afirmou categoricamente que é contra o PL 4330 e sinalizou que teremos um 2016 diferente. Nós acreditamos na presidenta, mas acreditamos, também, em mobillização nas ruas, e é lá que vamos fazer esse embate.”

Também alinhado com o movimento de paralisação, estará o MTST. O coordenador nacional do movimento, Guilherme Boulos, afirmou que os “trabalhadores não têm tido motivos para comemorar nada” e lembrou dos ataques sofridos pelos docentes paranaenses, que estão em greve. “Esse 1º de maio é, também, um desagravo à violência sofrida pelos professores no Paraná. O Beto Richa não tem condições de continuar governando o estado do Paraná”, protestou.

Pautas
A agenda de lutas proposta pelo movimento sindical e sociais prevê, além da retirada do PL 4330 de tramitação, a luta contra o ajuste fiscal. “Se quiser fazer ajuste fiscal, que faça nas contas dos burgueses, vá taxar grandes fortunas. O governo precisa acabar com a sonegação, os trabalhadores pagam e os empresários sonegam. Nós defendemos esse governo popular democrático, mas não o ajuste fiscal na conta do trabalhador”, afirmou Vagner, que explicou as demais bandeiras que serão levadas às ruas no dia 29 de maio.

“Nós somos contra as MPs 664 e 665, porque achamos que retira direitos da classe trabalhadora. Estamos nos manifestando pela reforma política, para acabar com o financiamento privado, que faz com que tenhamos mais de 400 deputados que são empresários ou estão sendo mandados por empresários. Nós queremos uma mídia democratizada, onde todos tenham liberdade de expressão”, explicou Vagner.

Por último, o presidente da CUT lembrou da importância de se defender a Petrobrás e a luta contra a corrupção. “É uma importante ferramenta para o desenvolvimento do Brasil. Esse óleo negro pode financiar políticas importantes no País e não pode ser privatizado. A bandeira contra a corrupção é nossa e a defendemos. Se houver algum corrupto na Petrobras, quando comprovado for,  que seja preso. A Petrobras é patrimônio brasileiro", completou.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

TSO tem como objetivo elaborar boletins mensais

Você que acompanha o blog da TSO, fique sabendo que nós iremos divulgar mensalmente um boletim com análises das conjunturas políticas nacional e internacional. Acompanhe nosso trabalho através do blog: tsocialistaoperaria.blogspot.com.br/.

Contra o sectarismo

Ruptura com a Liga Comunista

*Texto encaminhado pelo companheiro Erwin Wolf

O objetivo do presente é esclarecer os motivos da minha ruptura com a Liga Comunista. Em razão do sectarismo de sua liderança, manifestamos internamente apenas a principal divergência, aquela que foi a gota d´agua, vamos dizer assim, da ruptura, pois tínhamos em mente o ensinamento do Programa de Transição: “Os bolcheviques-leninistas podem, sem perder o seu tempo, abandonar traquilamente estes grupos à própria sorte.” Em seguida, abordarei todas as divergências.

Durante praticamente quase duas décadas fui simpatizante da Liga Bolchevique Internacionalista – LBI, principalmente pela defesa dos Estados Operários ainda existentes, no meu ponte de vista, ou seja, Cuba e Coréia do Norte, porém jamais cheguei a ingressar em tal organização por causa de divergências com relação ao posicionamento da LBI em se colocar contra a palavra-de-ordem de frente única anti-imperialista – FUA, ao dizer que tal bandeira foi elaborada por Bucarin, nas chamadas Teses do Oriente, no IV Congresso da Internacional Comunista. Todavia, durante os quatro primeiros Congressos da Internacional Comunista, ou seja, a III Internacional, sabia que Lenin e Trotsky lideraram todos os trabalhos, os trotskistas são sempre pela FUA, ou seja, sabia que era revisionismo puro do “Mestre da LBI”. Além disso, discordava da política da LBI de seguidismo ao PSTU, em razão da Conlutas em contraposição à CUT, porque a posição trotskista, comunista, é de intervenção em todos os sindicatos e (centrais também) até aqueles com direção fascista. Isso aprendi bem cedo, porque quando era militante da OSI (Organização Socialista Internacionalista) rompi com esta organização porque a seção francesa do CORQUI (Comitê de Reconstrução da Quarta Internacional), ou seja, a OCI (Organização Comunista Internacionalista), dirigida por Pierre Lambert, combatia os companheiros da organização chilena que atuavam no que sobrou dos sindicatos chilenos durante a ditadura de Pinochet. 

Assim, em razão disso tudo nunca ingressei na LBI.

Posteriormente, houve defecções na LBI, que acabaram dando origem à Liga Comunista.  É importante isso. Notem bem: a LC é filha da LBI. 

A LC estabeleceu relações com o Socialist Fight da Inglaterra, que elaborou uma brochura defendendo a Frente Única Anti-imperialista, o que proporcionou uma evolução da LC, uma superação programática em relação à LBI.

A partir daí passei a considerar o meu ingresso na LC, o que acabou acontecendo.

Restou a questão dos sindicatos, que acabei influenciando, ou seja, a necessidade de intervenção nos sindicatos, nas centrais, rompendo com o seguidismo da LBI e LC ao PSTU.
Depois que ingressei na LC, esta, infelizmente, perdeu, por problemas de saúde, um militante muito bom e experiente da categoria dos bancários, que tinha sido militante da Liga Estratégica Revolucionária (LER).  Isso atrapalhou o desenvolvimento da LC. A presença deste militante dava o equilíbrio necessário para a LC continuar evoluindo, mas infelizmente, com a sua saída, começou a desenvolver na principal liderança da organização as tendências sectárias trazidas da origem (LBI), que ficaram adormecidas após a ruptura com o “Mestre”, mas que afloraram com a saída do militante em questão e acabaram agravadas devido ao isolamento da organização.

Para resumir, a partir das eleições os candidatos da LC, que saíram pela legenda do PCO, foram algumas vezes atacados e pressionados pela liderança, porque havia a paranoia absurda de que fossem eleitos e debandassem (obs: não fui candidato).  Realmente um coisa sem noção (adoro os jovens, que criatividade !), quando sabemos que, no circo eleitoral, para eleger um mísero vereador há necessidade de rios de dinheiro, sendo que a LC não tinha um “puto”. No último período isso se agravou, com a referida liderança, aprendiz de feiticeiro formada pela LBI, dileto representante do “Mestre”, passou a fazer cobranças do tipo: e aí, fez a tarefa, tá quebrado ?  A hora que o mestre souber disso, com certeza, vai ficar orgulhoso !  Fui criticado também porque defendi a intervenção no PT de São Bernardo do Campo. Fiz uma defesa apaixonada disso. E não me arrependo. Só esclareço que não sou candidato a nada, sou diabético insulino-dependente, cardíaco e hipertenso, e tenho quase 60 anos, não tenho condições físicas e de saúde para suportar uma maratona de campanha eleitoral. A defesa apaixonada que fiz visava demonstrar a necessidade do militante marxista ser um tribuno popular, um dirigente de massas, como Leon Trotski, Paul Levi, Karl Liebnecht, ou organizador como Leo Jogiches e Sverdlov. Só isso !  

O período pós-eleitoral coincide com a formação do que é hoje a Frente Comunista dos Trabalhadores, com alguns grupos (somente uma observação: aqui está havendo a inversão do método de Lenin em “Que fazer?”, ou seja, ao invés de discutir primeiro para se unir, estão se unindo sem aprofundar as divergências que são muitas, por exemplo, há grupo que considera  Rússia e a China imperialista, outros que não; tem grupo contra o centralismo democrático; grupo que defende trabalho com policiais, apoiando “greve”, motim de policiais, e por aí vai. A tendência disso é implodir de uma ora para outra, ou até mesmo degenerar num federalismo. Vou dizer uma coisa, mas com todo respeito aos militantes da FCT, a composição desta lembra a I Internacional, o que demonstra que a tarefa colocada não é fácil). Mas toda essa discussão confesso que não quis entrar.  Não me sentia mais a vontade, bem como entendia que não tinha sentido trabalho fracional. Seria uma coisa sem noção, como dizem os jovens (eles de novo !).

O sectarismo somente poderá levar ao “existismo” por um certo período ou a falência completa da organização, a sua extinção. E o pior é que poderá arrastar os demais grupos da FCT. 

“Sob a influência da traição das organizações do proletariado, nascem ou se regeneram na periferia da Quarta Internacional, grupos e posições sectárias de diferentes gêneros. (...) Para os sectários, preparar-se para a revolução significa convencerem-se das vantagens do socialismo. Propõem voltar as costas aos “velhos” sindicatos, isto é, dezenas de milhões de operários organizados, como se as massas pudessem viver fora das condições da luta de classes real ! Permanecem indiferentes à luta que se desenvolve no seio das organizações reformistas como se pudéssemos conquistar as massas sem intervir na sua luta diária ! (...).”

“Os sectários são capazes de distinguir somente duas cores: o branco e o preto. Para não se exporem à tentação, simplificam a realidade. Recusam-se a estabelecer uma diferença entre os campos em luta na Espanha pela razão de que os dois campos têm um certo caráter burguês.”

A gota d´água, onde o bicho pegou, foi a liderança da Liga Comunista, com certeza, influenciada por ex-militante do PSTU, como que enxergando, vislumbrando um espécie de “Soviete de Cantão caipira”, desenvolver no último período uma versão requentada, caricata, e bizarra da “Teoria das Novas Vanguardas”.  Quando na Reunião Nacional da FCT foi colocado isso, estava com a cabeça abaixada, e imediatamente a levantei e encarei tal liderança com muita surpresa. Esta foi a única divergência que manifestei para o meu desligamento por ter sido a gota d´agua e entender sem sentido uma luta fracional. Pois bem, incapazes de fazer um trabalho marxista revolucionário sistemático no seio do movimento operário e popular, tendências pequeno-burguesas desenvolveram e desenvolvem “teorias” revisando o marxismo, enxergando “novas vanguardas” em substituição à classe revolucionária, o proletariado. Daí o foquismo, a guerrilha, e outros métodos de luta estranhos ao método de luta do proletariado. Agora, uma versão bizarra da “Teoria das Novas Vanguardas” foi desenvolvida pela LC. Impressionada com o surgimento do jovem e combativo proletariado do interior do Estado de São Paulo, com uma visão bem pequeno-burguesa a LC está dizendo que este jovem proletariado é combativo, o que realmente está certo, porque não conquistou as condições materiais que o proletariado do ABC, sendo este de classe média (operariado classe média, que conceito marxista! Deve ser conceito “marxista” do sociólogo Emile Dirkheim!), porque conquistou boas condições materiais. 

Esta análise de cunho eminentemente morenista é só pode ser fruto de militante egresso dos quadros do PSTU. Daqui uns dias no “Soviete de Cantão Caipira” poderá surgir uma Brigada Simon Bolivar ! Lembram-se ? Ah, não vocês não são dessa época. Isso não tem nada de análise marxista, sendo impressionismo pequeno-burguês, por manifesta e total desconhecimento da classe operária do ABC, porque, com certeza, em algumas cidades do Grande ABC as condições de trabalho e material da classe operária é pior do que as do interior. Por exemplo, as condições de trabalho nas indústrias químicas de Diadema são terríveis. Assim como, nas indústrias de Mauá, polo petroquímico. O problema não é a classe operária do ABC, o problema é a sua direção burocratizada. Se fossemos levar essa “teoria” até às suas últimas consequências, o que o faremos apenas demonstrar o seu absurdo, se se levasse em consideração as  condições materiais dos operários e trabalhadores, nos EUA e na União Europeia, onde existem países avançados, imperialistas, que em determinados momentos têm condições de proporcionar melhores condições de trabalho e materiais ao proletariado, a revolução socialista seria inviável!

“Incapazes de se mostrarem acessíveis às massas, estão sempre dispostos a acusá-las de serem incapazes de se elevarem até às ideias revolucionárias.

(...) “Os acontecimentos políticos são para eles ocasião de fazer comentários, mas não de agir. Como sectários – assim como os confusionistas  e os fazedores de milagres de toda espécie – recebem a cada momento chicotadas da realidade, vivem em estado de continua irritação queixando-se sem cessar do “regime” e dos “métodos” e entregando-se a intrigazinhas. Em seus próprios meios exercem, ordinariamente, um regime de despotismo. A prostração política do sectarismo apenas completa, como sua sombra a prostração do oportunismo, sem abrir perspectivas revolucionárias. Na prática política, os sectários unem-se aos oportunistas,  sobretudo aos centristas, para lutar  a todo instante contra o marxismo.”

Ainda, no que tange ao trabalho no interior, muito importante, detectamos sectarismo na intervenção, porque tal trabalho não se desenvolve como deveria. Há ainda, o chamado “pretigismo operário” que a LC fala com relação ao PSTU. Casa de ferreiro espeto de pau, ou seja, que o PSTU bajula os operários: “operário líder é Deus !”.  A LC faz o mesmo!

Assim, para terminar este documento, concluo com o Programa de Transição:

A maioria dos grupos e grupelhos sectários desse gênero, que se alimentam das migalhas caídas da mesa da Quarta Internacional, levam uma existência organizativa “independente”, com grandes pretensões, mas sem a menor chance de sucesso. Os bolcheviques-leninistas podem, sem perder o seu tempo, abandonar traquilamente estes grupos à própria sorte. Entretanto, as tendências sectárias encontram-se também em nossas própria fileiras e exercem uma funesta influência sobre o trabalho de certas  seções. É impossível continuar contemporizando com eles, seja por um único dia. Uma política justa quanto aos sindicatos é um condição fundamental para se pertencer à Quarta Internacional. Aquele que não procura nem encontra o caminho do movimento de massas não é um combatente, mas um peso morto para o partido. Um programa não é criado para uma redação, uma sala de leitura ou um clube de discussão das direções, mas para a ação revolucionária de milhões de homens. O expurgo do sectarismo e dos sectários incorrigíveis das fileiras da Quarta Internacional é a mais importante condição para o sucesso revolucionário.”

Apesar do sarcasmo e da ironia da polêmica, sei que o companheiro é valoroso. O companheiro pode evoluir muito. Mas por isso mesmo sou obrigado a lhe abrir os olhos. Deve fazer uma autocrítica para o bem da própria LC e da FCT. Quanto a mim, seguirei fazendo intervenção basicamente no PT e na CUT, impulsionando uma Tendência Operária Socialista, para ajudar na luta contra a direita, o golpismo, o fascismo e o marcartismo, defendendo os direitos dos trabalhadores contra terceirização, contra os ataques do “Ajuste econômico” de Levy e o Congresso Nacional. 

Fraternalmente, ERWIN WOLF