sábado, 28 de novembro de 2015

Ato público dia 30/11: Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino

No próximo dia 30 de novembro, segunda-feira, haverá um Ato Público em homenagem ao Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, às 19 horas, no Auditório Paulo Kobayaschi, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na Avenida Pedro Álvarez Cabral, 201, Ibirapuera, São Paulo – Capital.

A iniciativa é do Deputado Estadual do Partido dos Trabalhadores, Luiz Turco, com o apoio da Liderança do PT.

A Tendência Marxista-Leninista defende a causa de emancipação palestina, pela destruição do enclave sionista e terrorista de Israel, pela formação de um único Estado, o Estado palestino socialista, para o povo árabe, judeu e cristão.

Erwin   Wolf

Santo André: a luta metalúrgica continua firme e forte

A luta dos metalúrgicos de Santo André, apesar de sua diretoria pelega, ligada à central Força Sindical, continua a todo vapor.

Os empregados das empresas Paranapanema, Novelis e Alcoa decretaram estado de greve ao longo desta semana, em razão de não terem recebido propostas que consideravam satisfatórias, o obrigou as empresas a melhorar pouca coisa as propostas, para que a pelegada do Sindicato do Metalúrgicos de Santo André pudesse manobrar nas assembleias, nas portas de fábricas.

Segundo o Diário do Grande ABC de hoje, 28/11:

“A Paranapanema havia oferecido pagar 8,5% agora e mais 1,5% em julho e, ontem, melhorou sua oferta: propôs os mesmos índices, mas o último com aplicação em março, o que foi aceito pelos cerca de 1.000 empregados em votação na porta da fábrica. A Alcoa, por sua vez, também teve aceitação para sua proposta, de pagar a seus 350 funcionários no município 7% em janeiro, 3% em maio e mais abono de 30% do salário, que virá em quatro parcelas (10% em dezembro, e 5% por mês, em janeiro, fevereiro e março). Já a Novelis, que conta com quadro de cerca de 100 empregados na cidade, pagará 10% de uma vez agora. Os reajustes ficam próximos da reposição da inflação, pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que foi de 10,33% em 12 meses até setembro.”

A pelegada e a patronal estão espertas porque sabem da disposição de luta dos trabalhadores de Santo André. Inclusive, já marcaram uma reunião com mais uma empresa, a Prysmian, para segunda-feira dia 30, porque os metalúrgicos dessa empresa estão ameaçando entrar em greve. Até agora a pelegada está conseguindo manobrar e conter o movimento operário metalúrgico andreense, todavia os trabalhadores na luta estão elevando o nível de conscientização, o que propiciará, no futuro em breve, a formação de uma tendência metalúrgica independente que rompa com a colaboração de classes e retome o Sindicato para os trabalhadores, nas próximas eleições sindicais.

- Pela formação e organização da Oposição Metalúrgica de Santo André!

Anita Garibaldi

Ignácio Reis

40 anos sem Vladimir Herzog

Há quarenta anos Vladimir Herzog era assassinado em 25 de outubro de 1975, no Doi- Codi, em São Paulo.

Vlado, como era carinhosamente chamado pelos amigos, colegas e camaradas, nasceu  em 27 de junho de 1937, Osijek, Croácia, no Reino da Yugoslávia, sendo de família judaica, sendo que ainda pequeno foi para a Itália, tendo de aprender rapidamente o italiano, pois seu pai era obrigado a se fingir de mudo, para não ser perseguido pelo regime fascista de Mussolini.

Vlado foi assassinado por perseguição direta do facínora ex-governador do Estado de São Paulo, José Maria Marin, hoje preso nos Estados Unidos.

Vlado ficou conhecido como jornalista, quando foi assassinado era responsável pelo Jornal da TV Cultura, em São Paulo, mas ele tinha outra paixão: o cinema. Vlado sempre quis ser cineasta. O filme Doramundo, do cineasta João Batista de Andrade, teve o roteiro original de Vladimir Herzog.

No dia  de novembro, o Sindicato dos Jornalista do Estado de São Paulo  (SJSP), em parceria com o Sindicato dos Arquitetos, prestaram uma homenagem ao jornalista e cineasta, exibindo o filme “30 Vlado, 30 anos depois”, do cineasta João Batista de Andrade, que esteve presente e fez um palestra sobre o seu documentário. Foi a retomada do Cineclube dos Sindicatos que possuem vários cineastas como associados.

O documentário exibiu os depoimentos de vítimas da repressão como Rodolfo Konder, Paulo Markum e sua esposa Dilea Frate, Rodolfo Konder, Pola Galé, Sérgio Gomes e Duque Estrada  e outros.

Na época, os agentes da repressão diziam: “O pessoal do hotel da rua Tutóia está esperando a turma da TV Viet Cultura.” O Doi-Codi ficava na rua Tutóia.”, conforme artigo da jornaista, Rose Nogueira, também vítima da repressão, no Jornal “Unidade”, de outubro/novembro de 2015, Órgão Oficial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais. no Estado de São Paulo.

Leandro Konder, em seu depoimento, mencionou que embora o Partido Comunista tivesse uma política reformista, não tendo participado da luta armada, sofreu feroz repressão. 

Realmente, o PC teve 12 dos 13 membros do seu Comitê Central assassinados.

Um dos diretores do Sindicato dos Arquitetos presente, falou que seu pai havia sido membro do PC, bem como lembrou que o velório de Carlos Marighella foi feito na sede do Sindicato, desafiando a repressão da época. Inclusive, a próxima atividade do Cineclube do Sindicato dos Arquitetos com o Sindicato dos Jornalistas será a exibição de um documentário exatamente sobre Carlos Marighella, no próximo dia dia 8 de dezembro.

Por falar e homenagear o grande baiano, Carlos Mariguella, aproveitamos a oportunidade para homenagear também ao Colégio Central da Bahia, em Salvador. Embora meu pai não tenha sido militante, ele foi simpatizante do PC da Bahia, liderado por Carlos Garcia. Estudou como Marighella no Colégio da Bahia, hoje Colégio Central da Bahia, não tendo sido contemporâneo do mesmo, mas de Jacob Gorender. O Colégio da Bahia formou vários quadros do PC. Além disso, artistas e cientistas como o cineasta Glauber Rocha, o pintor Calasans Neto  e o cientista e médico ginecologista Elsimar Coutinho. O Colégio da Bahia era tão bom, que, na prática, formava seus alunos em filosofia, história e sociologia. Ensino público, gratuito, laico e de qualidade.
João Neto

Senador Requião, autor da lei do direito de resposta, participa de evento no SJSP

Encerrando o segundo dia de atividades, seminário sobre mídia democrática contou com a presença do senador Roberto Requião, que apresentou o projeto de lei do direito de resposta sancionado pela presidente Dilma Rousseff

O segundo dia de atividades no seminário ‘A construção de uma mídia democrática para o Brasil’, que aconteceu na noite desta quinta-feira (26), contou com a presença do jurista e professor aposentado da Universidade de São Paulo, Fábio Konder Comparato; do coordenador do Laboratório de Estudos da Mídia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres; e do senador e autor da lei do direito de resposta, Roberto Requião (PMDB/PR). 

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Paulo Zocchi, intermediou a mesa neste último dia do evento, que foi organizado pelo SJSP, em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas.

Fábio Konder Comparato, falou sobre a lei do direito de resposta, de autoria do senador Roberto Requião sancionada pela presidente Dilma Rousseff. Para ele, “não é possível entender o sentido do direito de resposta sem uma compreensão do universo político”.

“Toda sociedade política é fundada em dois fatores estruturantes: o poder e consentimento. Que é a expressão da mentalidade coletiva. É o consentimento que dá legitimidade ao poder”, analisou.

Comparato então fez uma análise sobre a democracia na história da sociedade. Abordou pontos da construção social na Grécia Antiga e de outros momentos na Idade Moderna. Tudo isso para fazer uma contextualização da nossa civilização nos dias de hoje e afirmou que a “soberania popular é meramente simbólica”. Essa soberania efetiva, de acordo com a tradição capitalista, é oculta e dissimulada”, falou.

Em seguida, com base nesta análise, o jurista opinou sobre a lei do direito de resposta. “O direito de resposta é mera concessão dos dominadores dos meios de comunicação de massa. E uma concessão arrancada à foice pelo senador Roberto Requião. Ou seja, quando se admite o direito de resposta, como vemos agora, é uma simples concessão de âmbito individual. A pessoa física ou jurídica”, declarou.

Comparato concluiu dizendo que “é necessário ‘desoligarquizar’ o controle dos meios de comunicação”. “Os meios de comunicação devem ser um ambiente popular, comunitário. Com todos os vícios, defeitos e qualidades do povo. Não pode ser propriedades apenas de alguns”, disse.

Roberto Requião foi o segundo palestrante da noite. O senador comentou o que o levou a redigir o projeto inicial da lei do direito de resposta. “Eu assumi o governo do Estado do Paraná. Com uma política ousada e afirmativa, praticamente sem recursos econômicos, mas substituindo clientelismo político por atitude”, comentou.

Requião declarou que tirou as despesas com comunicação no Paraná para investir em Educação e que logo foi procurado por empresários do setor de comunicação para que cumprisse os compromissos iguais a de seu antecessor, que garantia fartas verbas para anúncio.

O senador afirmou que, para compensar a falta de investimento em anúncios na mídia particular, investiu na TV Educativa. “Era uma televisão do Estado que passou a funcionar como o órgão de comunicação do Estado, abrindo um espaço enorme para os movimentos social, sindical e popular”, falou.

Requião ainda citou o caso da Escola Base para comentar a importância da lei do direito de resposta e afirmou que o direito ao contraditório deve ser assegurado para que não ocorra novos casos parecidos.

“Mas como a empresa vai se defender da autorização do direito de resposta? Não tem defesa! Não estamos julgando. Nós estamos dando à pessoa ofendida o direito de fazer o contraditório”, explicou.

Em sua conclusão, o senador disse que “a lei do direito de resposta esta tentando reabrir o diálogo no Brasil, possibilitando a discussão”.

João Feres participou do evento apresentando seu trabalho acadêmico à frente Laboratório de Estudos da Mídia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o ‘Manchetômetro’, desde 2012.

O Manchetômetro produz análises diárias sobre conteúdo de política e economia na grande mídia (Folha de S. Paulo, O Globo e Estado de S. Paulo, e no Jornal Nacional, da TV Globo), sobretudo em período de campanha eleitoral.

Com base nos dados apresentados, conclui-se que a mídia age de modo descarado a favor dos partidos de direita, sobretudo PSDB e seus representantes. Enquanto batem diariamente nos partidos de esquerda, sobretudo no Partido dos Trabalhadores.

Argentina: eleito um governo pró-imperialismo americano

O empresário Mauricio Macri, do partido Mudemos, pró-imperialista, foi eleito com 12.903.301 votos (51,40%),  no dia de 22 de novembro, presidente da Argentina, derrotando Daniel Scioli, da coligação Frente para a Vítória, representante do kirchnerismo do Partido Judicialista (peronista), o qual obteve 12.198.441 de votos (48,60%),  após 12 anos de governo, que se iniciou com Nestor Kirchner, marido da ex-presidenta, Cristina Fernandes de Kirchner. 

Embora tenha dito que  “vamos governar para todos”, na verdade ele vai defender os interesses do imperialismo americano, do setor financeiro internacional. O candidato do kirchnerismo, Daniel Scioli, também tinha um programa de governo bem semelhante ao de Maurício. A Argentina ficou naquela situação: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. A política pró Estados Unidos acirrará a disputa inter-imperialista, pois a política anterior do kirchernerismo foi associada, no comércio exterior, ao imperialismo chinês, que inclusive vendeu duas usinas nucleares à Argentina. Como agente do imperialismo americano já começou as escaramuças contra os governo bolivariano da Venezuela, como noticiou  o Portal da Globo.com  “Ele também confirmou que pedirá na próxima cúpula do Mercosul, em Assunção, em dezembro, que se aplique a Cláusula Democrática do bloco sobre a Venezuela "pela perseguição de opositores"."Vamos fazer como dissemos em campanha Vamos invocar a cláusula democrática contra a Venezuela, que corresponde pelos abusos e a perseguição de opositores", afirmou.”

Além disso, defenderá os interesses do imperialismo americano e do sionismo, ainda de acordo com o Portal da Globo.com:

“Acordo com o Irã

Macri afirmou, em sua primeira entrevista coletiva após a sua eleição, que proporá ao Congresso derrogar o Memorando com o Irã, assinado pela mandatária Cristina Kircher em 2013 para investigar o atentado contra o centro judeu Amia em 1994.

O dirigente pró-mercado considerou que esse acordo, amplamente criticado pela oposição e por Israel,(...)."

A política a ser desenvolvida por Macri é francamente pró-imperialista americana de austeridade, ou seja, vai ser uma guerra contra o povo trabalhador e oprimido argentino, sinalizando com o aumento da repressão contra o povo pobre das periferias, estabelecendo uma verdadeira guerra civil contra o povo argentino:

“Conservador, Macri defende a abertura de investimentos estrangeiros, a diminuição da inflação para um dígito em dois anos e o levantamento dos limites das exportações do setor agropecuário, além da eliminação da banda cambial – ele considera que o preço do dólar deve ser fixado "pelo mercado". Também diz que vai criar uma agência nacional contra o crime organizado e desenvolver um sistema de estatísticas criminais.” (idem).

A vitória de Macri é resultado da política nacionalista burguesa do kirchnerismo, incapaz de levar avante uma luta consequente contra o imperialismo, expropriando verdadeiramente os monopólios imperialistas e realizando a revolução agrária. Outro fator é a política de capitulação dos partidos operários e pequeno-burgueses de esquerda ao  nacionalismo burguês kirchenerista-justicialista (peronista), como PTS e Partido Obrero, sendo que este último tem desenvolvido uma política abertamente eleitoreira e social-democrata,  da política de Frente de Izquierda, divulgada  em seu jornal Prensa Obrera (“Llevemos a la izquierda al Congresso”), ou seja, frente-populista.

Assim, a classe operária argentina deverá travar uma luta terrível contra os ataques anunciados pelo presidente eleito, sendo que, no calor dessa luta, deverá formar um partido operário marxista revolucionário, com seção argentina da Internacional Operária Comunista, no sentido de um governo operário e popular, para a realização das tarefas democráticas, independência nacional, expulsão do imperialismo, revolução agrária, com a expropriação dos meios de produção, fábricas e bancos, terra, latifúndios, empresas agrícolas, estabelecendo o monopólio do comércio exterior e a economia planificada.

Erwin Wolf

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Mídia democrática no Brasil é tema de seminário no SJSP

Sindicato dos Jornalistas de São Paulo sedia evento que debate alternativas para democratizar os meios de comunicação brasileiros

Na noite desta quarta-feira (25), teve início o primeiro dia de atividades do seminário ‘A construção de uma mídia democrática para o Brasil’. Franklin Martins, ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula; o jornalista Paulo Henrique Amorim; e Laurindo Leal Filho,  apresentador da TV Brasil, compuseram a mesa, que foi mediada por José Augusto Camargo, o Guto, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e secretário-geral da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).

Organizado pelo SJSP, em parceria com a FENAJ, o evento tem como objetivo discutir a concentração dos meios de comunicação no Brasil; a suspensão da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão; a ‘Lei Roberto Requião’, que trata do direito de resposta; o papel da mídia para contribuir com uma sociedade mais justa e igualitária; e a importância do fortalecimento da mídia alternativa.

Franklin Martins, abordou, durante sua fala, a importância da lei do direito de resposta, sancionada recentemente pela presidente Dilma Rousseff, que ele julgou ter havido “avanços relevantes”.

“O primeiro deles é que ela dá prazo à Justiça para responder a demanda. Então, você agir com rapidez e a Justiça ser obrigada a se pronunciar com rapidez é algo importante. Segundo, ela faz uma inovação. Antes, a Vara da Justiça que julgava a ação era a Vara do domicílio da empresa jornalística. Agora, a lei estabelece que a Vara que irá julgar o assunto é a Vara do domicílio do ofendido ou do estado em que o ofendido julgar que teve mais impacto a calúnia e difamação”, explicou.

Franklin afirma que já existe “uma tensão maior do assunto” nos grandes veículos de comunicação. “Longe de configurar censura, isso auxilia o bom Jornalismo e auxilias os jornalistas a entenderem que nós temos que ter mecanismos de controle”, disse.

Sobre a regulação dos meios de comunicação, declarou que “é contra a regulação da mídia”, mas que é “a favor da regulação dos meios eletrônicos de radiodifusão”.

“O que é preciso regulação é a radiodifusão. Porque a radiodifusão é uma concessão pública. A radiodifusão é o único setor no Brasil, onde há concessão pública e que não há regulação”, falou o ex-ministro.

No final de sua intervenção, Franklin falou sobre a mídia alternativa. Em sua opinião, ele afirma que existe muita opinião. E que, apesar delas serem importantes, “é necessário também que se faça reportagens”. “Cobrir o cotidiano como os jornais fazem porque eles ajudam a formar ou deformar a opinião das pessoas”, concluiu.

Laurindo Leal Filho, o Lalo, iniciou sua participação comentando a notícia de que o Ministério Público Federal entrou com uma ação na Justiça para cassação das concessões que tenham ligações com parlamentares.

“Talvez esta seja uma das maiores aberrações que existam na democracia brasileira, um grupo de pessoas terem o privilégio de participar de um jogo político controlando meios de comunicação”, analisou.

Lalo seguiu abordando a mídia brasileira e fez um diagnóstico da necessidade da democratização. “Apesar da queda nos números de leitores, não é verdade que as notícias dos grandes veículos de comunicação não repercutem. Eles continuam construindo o simbolismo político existente na sociedade. Criando e cultivando mentalidade e ideias”, disse.

O ex-diretor do SJSP concluiu sua fala abordando a universalização da comunicação pública no Brasil. “Se é difícil o caminho da legislação pelas condições políticas que temos hoje no Brasil, não seria tão difícil, com vontade política, a ação administrativa que permitisse a universalização da comunicação pública através da abertura de espaços públicos de rádio e televisão para que todos os cidadãos tenham acesso. E isso não depende do Congresso nem de articulação política”, explicou.

Paulo Henrique Amorim também abordou a lei do direito de resposta. Ele comentou sobre a reação contrária dos grandes veículos, que classificou como “um grande avanço”. Em seguida, fez uma breve análise da atual conjuntura política, falou sobre os recentes escândalos envolvendo a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), e falou da relação da mídia na cobertura da investigação Lava-Jato e do vazamento seletivo de informações.

No segundo dia de atividade, dia 26, às 18h30, estarão presentes no seminário João Feres, Fábio Comparato, e o senador Roberto Requião. O evento acontece na sede do SJSP. Endereço: Rua Rego Freitas, nº 530 - sobreloja - vila Buarque - SP.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Estourou a III Guerra Mundial?

A derrubada, dia 31 de outubro, do avião russo da companhia Metrojet, na Península do Sinai, no Egito, matando 217 passageiros, na sua maioria da cidade russa de São Petersburgo, provavelmente pelos Estados Unidos e Israel, e a derrubada, ontem dia, 24 de novembro, do caça russo, não serão escaramuças que anunciam a deflagração da III Guerra Mundial?

Esses acontecimentos lembram os assassinatos do Arquiduque Francisco Ferdinando e de sua esposa, em 28 de junho de 1914, na I Guerra Mundial, bem como a invasão da Polônia por Hitler, desencadeando uma série de atentados pela França e Grâ-Bretanha na II Guerra Mundial.

A Força Aérea Turca abateu ontem um caça Sukhoi russo na fronteira do país com a Síria, o que deteriorou as relações de Moscou com Ancara.” Estadão on line, 25//11. “A OTAN convocou uma reunião de emergência.”(idem)

Além disso, conforme o Estadão, “Segundo militares turcos, o caça russo ignorou diversos avisos de alerta após entrar no espaço aéreo do país. A incursão durou 17 segundos. Já os russos garantem que o Sukhoi Su. 24M não saiu da Síria.” (idem).

Ainda, “Outras imagens da agência turca Anatolia mostraram dois pilotos descendo de paraquedas pouco antes de o avião cair. O governo russo confirmou a morte de um dos pilotos. Grupos rebeldes que combatem o regime de Bashar Assad na área disseram que o segundo militar também foi morto em terra, o que os russos ainda não confirmaram.” (idem).

“A tripulação (do Su-24) se ejetou. Segundo dados preliminares, um dos pilotos morreu no ar por disparos efetuados do solo”, informou o general Sergei Rudskom, porta-voz do Estado Maior do Exército russo.” (idem)

“Ainda de acordo com ele, o míssil disparado por um caça turco F-16 atingiu o avião de guerra russo sobre o território da Síria. O local do incidente do encontra-se em território sírio, a 4 quilômetros da fronteira”, disse.” (idem).

“Irritação. Em reunião em Sochi com o rei da Jordânia, Abdullah”, Putin – falando pausadamente, mas claramente irritado – acusou os turcos de traição e de darem guarida a militantes do Estado Islâmico.” Foi uma facada nas costas. Nunca toleraremos crimes como o cometido hoje”, disse Putin. “Foi uma traição de quem é cúmplice do terrorismo. Não posso chamar de outra forma.” (idem).

Por outro lado, “Em reunião na Casa Branca com o presidente francês, François Hollande, o presidente americano, Barack Obama, defendeu a decisão turca de abater o caça.” (idem).

“O presidente russo Vladimir Putin afirmou que a derrubada do avião russo pelas forças de segurança turcas terá graves consequências nas relações entre os dois países.” (Portal G1, 25/11)

Acreditamos que o mundo estava vivendo uma Nova Guerra Fria entre o imperialismo ocidental e o imperialismo sino-russo.

Agora essas escaramuças prenunciam a deflagração da III Guerra Mundial, uma guerra imperialista, tendo como um dos lados o imperialismo ocidental organizado pela OTAN, liderado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, o de outro o imperialismo russo.

A Tendência Marxista-Leninista está aproximando da posição do Colectivo Revolución Permanente (CoReP) e do Comitê de Ligação dos Comunistas  (LCC) que caracterizam a Rússia e China como países imperialistas.

A LCC conclui que:

“Do nosso ponto de vista, as condições que levaram à emergência da Rússia e da China como novas potências imperialistas nas últimas duas décadas são consistentes com a análise de Lênin sobre o imperialismo, de 100 anos atrás. O método de Lênin era o de O Capital, de Marx, completando os volumes não-terminados, tornados concretos no calor da Primeira Guerra imperialista. Segundo, ela é consistente com o fato de que a revolução russa abriu o século XX revolucionário, repartindo a economia mundial pela abertura da revolução permanente, e criando uma esfera de influência “soviética”.

A “independência econômica” dos Estados Operários que se seguiu durante o século XX permitiu que eles sobrevivessem à derrota contrarrevolucionária da restauração capitalista, de forma que as novas burguesias foram capazes de  formar um bloco contra-hegemônico ao dos EUA. Repetindo, não como bloco de semicolônias ou Estados subimperialistas que sejam uma alternativa progressiva ao imperialismo americano, mas como um bloco imperialista rival desafiando a hegemonia americada no curso das lutas revolucionárias e contrarrevolucionárias de hoje.

A revolução permanente interminada que sucumbiu à contrarrevolução capitalista deve ser reaberta, sobre a base das conquistas históricas que não foram destruídas. Nos Estados operários, as forças produtivas saltaram além das semicolônias capitalistas, antes de serem bloqueadas pela estagnação do planejamento burocrático e da contrarrevolução capitalista. As conquistas das novas força produtivas foram forçadas de volta à antiga casca das relações capitalistas decrépitas, levando a uma contradição explosiva, manifestada hoje no aquecimento da rivalidade mundial entre os dois maiores blocos imperialistas.

A revolução permanente hoje deve ser dirigida pelo proletariado internacional, capaz de dirigir a revolução para esmagar as potências imperialistas e criar os Estados Unidos das Repúblicas Socialistas do Mundo. Neste processo, a nossa tarefa mais importante é a formação de uma nova internacional leninista-trotskista que reviva o método dialético e Cdo nacional-trotskismo, e assim avance para revolução socialista vitoriosa! Retornar à dialética! Romper com o social-imperialismo e o nacional-trotskismo!

Março de 2015-11-25

Comitê de Ligação dos Comunistas

LCC agradece Rodrigo Silva do Ó por seu ato fraterno de traduzir esse artigo.”

No que tange à Rússia, em sua época Lênin a considerava imperialista, com mais razão agora depois de ter realizado a reforma e a revolução agrária, um tarefa democrática importantíssima, assim como devido a liberação das forças produtivas durante o período de existência do Estado operário, durante a existência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), apesar da contradição da existência da lei do valor com a lei da economia planificada, como observou o maior economista soviético Eugênio Preobrajenski, membro da Oposição de Esquerda russa.

Com relação à China esta, só na América do Sul, vendeu duas usinas nucleares para a Argentina e uma para a Venezuela. Sem falar nas suas escaramuças navais com os Estados Unidos no Mar do Sul da China.

Além disso, Rússia e China vêm desenvolvendo uma política externa agressiva, relativamente à exportação de capitais, critério mais importante que Lênin apontou em sua obra o “Imperialismo, fase superior do capitalismo”,  conforme podemos notar a seguir, com dados apresentados em 2008, sendo que hoje, em 2015, os valores devem ser bem superiores:

“PONTES, VOLUME 4 – NUMBER 4

Políticas públicas para a exportação de investimos nos BRICs

29 August 2008

A exportação de capital por países emergentes, como os BRICs, tem aumentado sensivelmente nos últimos anos, o que contraria o histórico do tradicional fluxo de capital no sentido Norte-Sul.(...)

Números não menos impressionantes são demonstrados pelos demais BRICs. A Rússia acumulou em 2005 mais de US$ 120 bilhões de IED (investimentos  diretos estrangeiros – nota EW) no exterior, dos quais mais de US$ 13 bilhões foram efetuados apenas naquele ano – o que a consolidou como maior investidor externo entre os BRICs. A China conta com US$ 46 bilhões, sendo US$ 11 bilhões efetuados em 2005 (...)”

“(20/10/14) A disputa para fornecer os reatores das futuras usinas nucleares brasileiras ganhou mais um concorrente de peso. A China National Nuclear Corporation (CNNC) entrou na briga pelo mercado brasileiro, cobiçado principalmente pelo consórcio franco-japonês Areva/Mitisubishi, a americana Westinghouse e a russa Rosatom, que firmou em julho acordo de cooperação com a construtora Camargo Corrêa, para estudar oportunidades na América Latina.” (ABEN – Associação Brasileira de Energia Nuclear).

Assim, na guerra imperialista que se anuncia, o proletariado mundial não pode tomar partido, votar créditos de guerra, ou optar por pelo mal menor, ou seja, pelo suposto bloco imperialista mais “frágil”, “democrático” e/ou “progressista”  , porque o inimigo está em casa. O proletariado dos países imperialistas deve lutar pela derrota de sua própria burguesia imperialista, utilizando-se da estratégia da revolução permanente. Devemos seguir o exemplo de Karl Liebknecht, deputado do Partido Comunista alemão.

Erwin Wolf

CIA, embaixada americana, PF e STF retomam a escalada golpista

A Polícia Federal prendeu hoje o Senador Delcídio do Amaral do PT do Mato Grosso do Sul, juntamente com o banqueiro André Esteves, do Banco BTG Pactual, padrinho de casamento de Aécio Neves, cumprindo mandado de prisão do Supremo Tribunal Federal.
Juristas independentes manifestaram o entendimento que a decisão do Supremo Tribunal Federal foi arbitrária, porque desrespeitou a Constituição Federal, uma vez que esta exige flagrante delito e crime inafiançável, sendo certo que o Senador não cometeu crime inafiançável. Todavia, o STF que aplica a nazi-fascista "Teoria do Domínio de Fato" está pouco se lixando para a Constituição e as leis. O que interessa é o que aproveita ao golpe.
É mais uma demonstração do engajamento do Poder Judiciário na escalada golpista. Essa ação rápida do STF contrasta com a proteção que dá ao deputado Eduardo Cunha, que apesar de estar mais do que comprovado que ele recebeu mais de 5 milhões de dólares em propina, nada acontece com o mesmo, pelo contrário o facínora continua fazendo o que quer no Congresso Nacional, porque lidera o golpe da burguesia e do imperialismo americano. Portanto, fica claro o fingimento de uma suposta imparcialidade do Supremo Tribunal Federal.
Por outro lado, é importante assinalar que a prisão do Senador Delcídio do Amaral do PT é resultado da política de colaboração de classes da direção majoritária do PT, a antiga Articulação, hoje Construindo um Novo Brasil (CNB) e de alianças e promiscuidade com os partidos burgueses como PMDB, etc. e personalidades como os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor, Romero Jucá e Renan Calheiros. Essa política de adaptação ao circo eleitoral, onde preponderam os interesses dos bancos e das empreiteiras. Essa política levou o PT e o governo Dilma a essa encruzilhada em que o partido e o governo se encontram. Essa política de capitulação pavimenta o terreno para o golpe da burguesia e da CIA e do imperialismo americano. 

Neste momento as “instituições” golpistas, Ministério Público Federal, o Poder Judiciário, por meio do Supremo Tribunal Federal, e a Polícia Federal, que são demais conservadores, reacionários, porque seus membros não são eleitos, não se submetem ao sufrágio universal, isto é, ao voto, não são controlados pelo povo, estando sempre dominados pela burguesia e o imperialismo (CIA, FBI, embaixada, consulados), como “instituições” permanentes, agora estão engajadas e aceleram o processo golpista em marcha contra a presidente Dilma, via “impeachment” ou golpe militar, para atacar os partidos políticos, os sindicatos, as centrais sindicais e os movimentos populares e sociais, com o objetivo de escravizar a população, colocando em prática o ajuste fiscal, com demissões em massa, terceirização, redução do seguro-desemprego, redução das aposentadorias e pensões, acabando com os programas sociais, promovendo até o trabalho escravo, rasgando a CLT e a Constituição da República.

Recentemente nossos companheiros do PT foram condenados sem provas, com base na nazi-fascista “Teoria” do Domínio do Fato. As “instituições” burguesas agem politicamente, utilizando-se de  ações midiáticas, em total desrespeito aos mínimos direitos civis e democráticos, à presunção de inocência, desrespeitando as liberdades democráticas, criminalizando os movimentos sociais, prendendo os lutadores dos movimentos sociais, com a aplicação da Lei de Segurança Nacional da época da ditadura militar, em conluio com governos de traços nazi-fascistas nos estados, agora agravada com a Lei Antiterrorismo para criminalizar os movimentos populares e sociais. O poder judiciário  sempre aplicou e aplica a legislação da ditadura militar, que permanece intacta,  ou seja, sempre foi conivente com a mesma.O Supremo Tribunal Federal é o mesmo que entregou Olga Benário a Hitler.

Com bem observou recentemente um Editorial do Diário Causa Operária on line do PCO (6/11):

“Um dia após o PMDB ter divulgado seu manifesto, intitulado “Uma Ponte para o futuro”, a CUT, em artigo assinado por Vagner Freitas, tratou de atacar os pontos fundamentais do documento pemedebista. O presidente da Central chama o documento de retrocesso e afirma que os trabalhadores devem sair às ruas contra a política direitista proposta pelo PMDB.

Na prática, a reação da CUT é um passo no sentido de uma ruptura, com todas as limitações que se possa apontar, com a política de colaboração de classes do governo do PT. Essa política de conciliação, que é a base do governo do PT, se expressa de maneira mais acabada no terreno político-partidário na aliança com o PMDB.

O aprofundamento da crise no País leva necessariamente a um conflito cada vez maior entre as classes e frações de classes dentro da própria burguesia. O documento do PMDB, levantando um plano político conservador para o governo, inclusive considerando a questão do poder político após um possível golpe, revela que o acordo político dentro da burguesia é cada vez mais difícil.

Ao mesmo tempo em que setores da burguesia começam a se deslocar para uma posição contrária ao governo, setores ligados à classe operária também são obrigados a romperem o acordo que há muito tempo sustentava o regime político.

A reação da CUT contra o documento do PMDB representa essa ruptura – parcial ou não – de uma parte do PT, justamente a mais ligada aos trabalhadores, com essa política de colaboração.

(...)

A partir do momento em que essa relativa estabilidade se rompe, rompe-se inevitavelmente o acordo entre as classes que sustentava o regime.

Em última instância, a crise política está revelando que a política de colaboração não só é instável e passageira, como é impossível e ilusória. Parte do PT, mais especificamente a ala ligada à CUT, está chegando a essa importante conclusão política. É isso o que demonstra a crítica de Vagner Freitas ao manifesto do PMDB.

É mais um importante passo da maior central sindical da América Latina no sentido da luta contra a direita e a burguesia. Esse já não é o primeiro passo, o que significa que a experiência política está empurrando setores importantes para a esquerda. Sabemos que é necessário evoluir ainda mais, romper completamente com a política de capitulação e conciliação e mobilizar os trabalhadores nas fábricas e nas ruas contra o golpe e a direita. Como já dissemos em outras oportunidades, pode ser só mais um passo, mas é um passo de gigante.”

O Brasil é um país com dimensões continentais. A classe trabalhadora brasileira é de 92,5 milhões de pessoas, segundo dados de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A classe operária, neste ano, fez inúmeras greves, como as da Volkswagen, Mercedes-Benz, Ford, General Motors, Scania, no ABC paulista. Nessas greves, conseguiram evitar as dispensas em massa. As organizações operárias, apesar de suas direções burocráticas, pelegas e traidoras permanecem intactas, sendo imprescindível uma atuação revolucionária no seio das mesmas para que rompam com a colaboração de classes, no sentido de uma política de independência de classe.

Além da CUT, os trabalhadores brasileiros têm a CTB, ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), UGT, CGTB e Força Sindical, etc., englobando 5 milhões de trabalhadores, sendo que a CUT representa 40% e a Força Sindical 15% dos sindicalizados.

Assim, a frente antigolpista do PT, PCdoB, PCO, CUT, CTB, UNE, MST, MTST deve levantar mais alto a bandeira de Fora Cunha e abaixo o ajuste fiscal.

Fora Cunha!

Abaixo o ajuste fiscal!

Erwin Wolf

Sindicato dos Jornalistas retoma atividades do Cineclube

SJSP homenageou seu ex-dirigente, Vlado, durante exibição do documentário do premiado cineasta João Batista de Andrade ‘Vlado – 30 anos depois’

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) retomou, nesta terça-feira (24), as atividades do Cineclube Vladimir Herzog. Em uma parceria com o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo, o SJSP organizou a exibição do filme-documentário ‘Vlado, 30 anos depois’, do cineasta João Batista de Andrade, presidente da Fundação Memorial da América Latina, seguida de um debate.

Nas décadas de 1970 e 1980, o cineclube do SJSP teve relevante importância no que diz respeito à resistência ao regime militar (1964-1985) e na luta durante o processo de redemocratização do processo político brasileiro.

Vitor Ribeiro, diretor do departamento jurídico do SJSP, falou da importância do relançamento das atividades do cineclube. Em sua opinião, as exibições de produções jornalísticas no Sindicato em pleno período da ditadura militar representaram “a importância da entidade (SJSP) no combate à repressão e ao sufoco cultural que imperavam naquela época”.

O documentário ‘Vlado, 30 anos depois’ retrata a narrativa do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, diretor do SJSP e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi torturado e morto por agentes do Estado durante a ditadura por sua atuação no departamento de Jornalismo da TV Cultura. 

João Batista de Andrade, que produziu o documentário em homenagem a Vlado – como era chamado carinhosamente por amigos, familiares e colegas – afirmou que a produção do material foi uma espécie de “dívida” que tinha com o amigo e ex-colega de trabalho.

“Passei por um momento de muito sofrimento na minha vida depois da morte do Vlado. Logo em seguida, tentei fazer um filme sobre ele de forma ficcional. Por ser muito próximo à sua família, tive total apoio. Porém, o projeto não avançou”, relatou.

Somente em 2005, trinta anos depois do ocorrido, durante encontro com amigos do Vlado, foi que João Batista de Andrade decidiu fazer um documentário “para contar a versão da história”. “A ideia da narrativa foi toda minha. Durante a produção do documentário, eu tratava todas entrevistas que fazia como uma conversa entre amigos”, afirmou. “Exibir este documentário aqui – no auditório do SJSP – é motivo de bastante emoção”, disse João Batista, durante atividade desta terça-feira.

Após a exibição do documentário, houve um debate entre os presentes. Na oportunidade, João Batista de Andrade respondeu aos questionamentos levantados pelos participantes.

Retomada das atividades
O SJSP pretende realizar na terça-feira, dia 8 de dezembro, o segundo evento do cineclube neste ano, onde será apresentado um documentário sobre Carlos Mariguella, que foi deputado federal pelo PCB e uma das lideranças na resistência ao regime militar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

1º deputado eleito do PT de SBC critica política de alianças

Expedito Soares Batista, primeiro deputado estadual eleito pelo Partido dos Trabalhadores de São Bernardo Campo, em 1982, critica a política de alianças do partido, em entrevista ao Diário do Grande ABC de 22/11.

“Expedito Soares Batista mantém defesa do petismo, mas reconhece que postura adotada pelo amigo e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou o partido dos ideais que levantava no passado. Ele critica principalmente a política de ampla coalizão adotada por Lula quando chegou ao poder em 2002.”, diz o Diário do Grande ABC.

Ainda segundo o jornal, Expedito Soares afirmou que:

“Quando liguei a televisão e vi o Lula ao lado do (Paulo) Maluf (PP, deputado federal) para fortalecer a campanha do (Fernando) Haddad (PT, prefeito de São Paulo), me senti constrangido.  Assim como fiquei muito triste ao ver o Lula ao lado do (José) Sarney (PMDB, ex-senador) e do (Fernando) Collor (PTB, ex-presidente da República e atual senador por Alagoas). É deprimente”, questiona o petista”, segundo o Diário do Grande ABC.

Segundo o jornal, “Mesmo fora da política, Expedito faz análise cética do governo de Dilma Rousseff (PT), dizendo que a coalizão prejudica seu mandato.”

Além disso, Expedito Soares fez uma análise do governo Dilma, da política de “governabilidade”, ou seja, da política de colaboração de classes do PT,  chegando a uma importante conclusão:

“O Lula botou a cara para elegê-la. Para a sociedade, é um governo do PT, mas na prática não. É um governo que vai desde banqueiros até mequetrefes do Congresso Nacional. A Dilma tinha de ter governo mais de centro-esquerda, compor com esse pessoal, sob pena de ter dificuldade de governar e até sofrer impeachment. Às vezes é melhor perder o poder do que governar com bandidos.”

O movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista do PT defende a ruptura com essa política suicida de colaboração de classes do partido, colocada em prática pela tendência majoritária, a antiga Articulação, hoje Construindo um Novo Brasil (CNB), que levou o partido a essa encruzilhada que o Partido dos Trabalhadores e o governo Dilma vivem, com a ameaça do golpe da burguesia e do imperialismo, por meio de impeachment a lá Paraguai (golpe parlamentar), ou mesmo golpe militar.

Assim, nesta conjuntura, entendemos que ganharam relevo as bandeiras de Fora Cunha e contra o ajuste fiscal, para barrar a terceirização e as MPs 664 e 665 (que reduzem pensões, aposentadorias, e o seguro-desemprego, etc.), escala móvel de salários (reajuste automático de salários de acordo com a inflação); redução da jornada de trabalho, sem redução de salários;  fim das demissões, estabilidade no emprego; não aos cortes dos programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PRÓ-UNE, PRONTATEC, FIES, etc., fim do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, defesa da Petrobrás e expropriação da Samarco (Vale + BHP Billiton).

Fora Cunha!

Abaixo o ajuste fiscal!

Erwin Wolf

domingo, 22 de novembro de 2015

Expropriar a Samarco (Vale e BHP Billiton)

A Vale tirou o Rio Doce do nome e do mapa

O rompimento da barrargem da Vale do Rio Doce, destruindo toda a bacia hidrográfica e causando centenas de mortes, em razão da ganância do capitalismo e do descaso das autoridades, municipais, estaduais e federais coloca na ordem do dia a palavra de ordem de expropriação da Samarco (Vale E BHP Billiton).

O colunista José Roberto de Toledo, de um dos jornais mais reacionários da imprensa burguesa, senão o mais reacionário, do Estadão, escreveu um artigo entitulado “A morte de um rio”, em 16/11. Embora haja a omissão quanto à responsabilidade da privataria tucana do governo Fernando Henrique Cardoso, que privatiou a Companhia Vale do Rio Doce, o que é interessante em seu artigo não é a solução que ele aponta, pois no final deposita ilusões na justiça burguesa para resolução do mega-crime ambiental, mas os fatos que ele descreve: 

“Há algo errado no mundo quando caçar um animal silvestre pode levar uma pessoa para a cadeia, mas destruir toda uma bacia hidrográfica, provocar a morte de uma dezena de pessoas, assorear rios caudalosos, extinguir espécies inteiras, deixar meio milhão de pessoas sem água potável é punido só com multa. O problema, obviamente, não é o tipo de punição dada ao caçador.

O desastre ambiental provocado pela mineradora Samarco em Mariana, no coração de Minas Gerais, e que esparramou uma onde com toneladas de rejeito de minério, entulho e lama por centenas de quilômetros ribanceira abaixo até chegar ao mar não tem precedente na história do Brasil. Sufocar um rio do tamanho do Doce de uma só vez e em tão curto espaço de tempo era inimaginável. Chamar de acidente ou fatalidade é zombaria. ´Nenhuma barragem se rompe por acaso. Temos de identificar qual foi a causa, se a má operação da empresa ou falha no monitoramento. Não podemos encarar como acidente um fato deste tamanho`. As palavras são do promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, em entrevista ao jornal O Estado de Minas. Não podemos.

Por mais necessária e urgentes que sejam as indenizações financeiras para tentar minorar o drama da populações afetadas, não parece justo que um desastre dessas proporções seja punido exclusivamente com multas. Seria o mesmo que dizer às empresas com capacidade de provocar impacto tão profundo no meio ambiente e na vida das pessoas que tudo bem, acidentes acontecem.”

A causa não foi um terremoto, não foi uma tempestade, nem sequer uma chuva. Na melhor hipótese, foi inépcia. Na pior, descaso.(...).

A contaminação maciça provocada no Golgo do México pelo vazamento ao equivalente a 4,2 milhões de barris de petróleo de uma plataforma da British Petroleum em 2010 terminou com um acordo judicial, 15 anos depois, em que a empresa aceitou pagar US$ 18,7 bilhões ao governo dos EUA. (...)

As primeiras reações dos políticos, de ministros a senadores, não inspiram confiança de que a punição para o desastre acabe em algo além de uma repreensão acompanhada de algum desembolso. Por enquanto fala-se em R$ 250 milhões. É uma ninharia, para financiando campanha de políticos nacionais e locais ao longo de tantas eleições no Brasil. Mas, obviamente, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Espera-se. Tampouco deixa de ser uma mistura de tragédia e ironia que a Vale, após eliminar o Rio Doce do próprio nome, esteja, mesmo que indiretamente, implicada no assoreamento desse mesmo vale.”

Assim sendo, ao contrário da “saída” apenas judicial apontada por José Roberto de Toledo para o enfrentamento desse mega-crime ambiental, a alternativa operária é a inscrita no sempre atual Programa de Transição da IV Internacional, de Leon Trotsky, que é a da expropriação do grupo capitalista da Samarco (Vale e BHP Billiton):

“O programa socialista da expropriação, isto é, da derrubada política da burguesia e da liquidação de seu domínio econômico, não deve de maneira nenhuma, impedir-nos no presente período de transição, de reivindicar, quando se apresente a ocasião, a expropriação de vários ramos chaves da indústria, vitais para existência nacional, ou dos grupos mais parasitários da burguesia.

Assim, às lamentações patéticas dos senhores democratas sobre a ditadura das “60 famílias” nos Estados Unidos, ou das “2000 famílias” na França, contrapomos a reivindicação de expropriação desses 60 ou 200 senhores feudais capitalistas.

Exatamente da mesma forma, reivindicamos a expropriação das companhias monopolistas da indústria de guerra, das estradas de ferro, das mais importantes fontes de matéria-prima etc.

A diferença entre essas reivindicações e a confusa palavra de ordem reformista de “nacionalização”, consiste em que:

1.      rejeitamos a indenização;
2.      prevenimos as massas contra os charlatães da Frente Popular que, propondo a nacionalização em palavras, continuam de fato agentes do capital;
3.      conclamamos as massas a contar apenas com sua própria força revolucionária;
4.      ligamos o problema da expropriação à questão da tomada do poder pelos operários e camponeses.

A necessidade de lançar palavra de ordem de expropriação, na agitação cotidiana, de forma parcial, e não apenas na nossa propaganda em seus aspectos mais abrangentes, decorre do fato de que os diversos ramos da indústria passam por diversos estágios de desenvolvimento, ocupam várias funções na vida da sociedade e passam por diferentes graus da luta de classe. Apenas o Ascenso revolucionário geral do proletariado pode colocar a expropriação completa da burguesia na ordem do dia. O objetivo das reivindicações transitórias é preparar o proletariado para resolver este problema.”

Assim, o Movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista (TML) do PT defende a palavra de ordem de expropriação do grupo econômico da Samarco, Vale e BHP Billiton.

- Expropriação da Samarco, Vale e BHP Billiton;
- Indenização completa dos operários, trabalhadores e camponeses vítimas do mega-crime ambiental;
- Prisão imediata dos dirigentes e prepostos responsáveis pelas empresas e das autoridades municipais, estaduais e federais, em razão da negligência, prevaricação, descaso, sem direito à caução.

Erwin Wolf

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A questão do partido (V): Frente Resistência, FCT/LC e LBI

A Tendência Marxista-Leninista publica abaixo a resposta da Frente Resistência à Liga Bolchevique Internacionalista, aproveitando a oportunidade para tecer as primeiras impressões sobre a experiência que tem vivido na FR.

A Frente Resistência, de certo modo, é o prosseguimento do Comitê Paritário e da Frente Comunista dos Trabalhadores sem a Liga Comunista. Na verdade, em pouco tempo, os progressos da FR são notáveis. Já está bem mais encorpada, desenvolvida. Aqui lembramos do ensinamento de Lênin que dizia que Lassale tinha razão: “O partido fortalece-se depurando-se.”

Acreditamos que o funcionamento da FR está de acordo com a orientação de Lênin no sentido de, antes de ser unir, discutir e aprofundar as divergências.

Tal processo de discussão não é linear, ele é um processo dialético, contraditório. Realmente isso acontece, pois, apenas para exemplificar, a tendência que se coloca abertamente contra o centralismo, é a que tem colocado mais a questão da disciplina, bem como colocado a necessidade de se votar as posições para o encaminhamento das tarefas políticas.

A forma de funcionamento profundamente democrático e respeitoso da Frente Resistência nos dá esperança de que a mesma dê bons frutos, que no futuro transforme-se numa organização marxista-leninista, centralizada e democrática.

Há, ainda, outras questões divergentes, como se a Rússia e China são ou não imperialistas. Mas essas questões não têm prejudicado o funcionamento da FR, guardando-se as devidas proporções, como aconteceu com Lênin e Rosa Luxemburgo que debateram no seio da III Internacional sobre a questão do direito à autodeterminação nacional dos povos, sendo que o revolucionário russo era a favor e a revolucionária polaco-alemã era contra.

Outra constatação importante, o movimento operário brasileiro têm uma tradição stalinista-bucarinista-dimitrovista de defesa de frente popular, sendo que na variante supostamente trotskista sempre prevaleceu a tendência mais próxima do stalinismo, ou seja, o pablismo revisionista (posadismo, morenismo, lorismo, altamirismo, lambertismo e healysmo, etc.). Isso tudo não é fácil de superar de uma hora para outra. No fundo esse é o problema da FCT, pois a tendência que ficou isolada, a LC, desenvolveu ao extremo o seu pablismo, pois é herdeira do healysmo, o qual capitulou ao nacionalismo burguês de Muammar al-Gaddafi, o ditador da Líbia, sendo que hoje a Liga Comunista capitula ao nacionalismo burguês de Bashar al-Assad, na Síria, participando de uma “frente única” estratégica, de longa duração, que no caso é uma frente popular (a LC chega ao ponto de, no artigo “A III Guerra Mundial e as tarefas dos trabalhadores revolucionários”, de 11 de outubro de 2015, ilustrar a matéria com uma foto de pessoas segurando cartazes com foto de Bashar al-Assad), aliás como faz a sua matriz a LBI.  A principal liderança da LC é um aprendiz de feiticeiro da LBI. A LC é filha da LBI. Daí o stalinismo da Liga Comunista e da Liga Bolchevique Internacionalista decorrente do pablismo-healysta.

Remetemos o leitor aos nossos textos Contra as frentes de colaboração de classes, Marxismo contra stalinismo, e “O problema Nacional e as Tarefas do Partido Proletário”, de Leon Trotsky, todos no nosso Blog.     
Agora segue abaixo a prometida Resposta da Frente Resistência à LBI.

sábado, 14 de novembro de 2015 | "Os cães ladram, sinal que caminhamos"

O campo supostamente de esquerda é o habitat natural de um tipo peculiar de grupo: aquilo que consideramos "seitas", pequenos ajuntamentos de uma dezena, quando muito, de "super-revolucionários", "acusando" e bradando contra quem quer que não siga seu "credo"- isto é, os outros 99,9% da militância. Mesmo antes de seu congresso de 06/ 09/ 15, a Frente Comunista dos Trabalhadores (e ainda antes, quando ainda conformava um simples "comitê paritário") já vinha sofrendo ataques de tais seitas. Agora, enquanto nós estamos envidando esforços em torno da Frente Resistência, os ataques por parte de tais seitas continuam. E continuarão sempre, haja vista que, incapazes de se inserir na classe trabalhadora, destilam ódio contra aqueles que se esforçam nesse sentido.

Nós do blog Espaço Marxista, por termos mais o que fazer, evitamos perder tempo com aqueles que, sem nada construírem, se voltam contra os que constroem, como falamos nos itens 10 e 11 de nossa apresentação (aqui). Contudo, não raro uma resposta é necessária, inclusive para fins didáticos. Desta vez é a LBI -se o camarada leitor jamais ouviu falar da sigla, é perfeitamente compreensível- que profere um cabedal de absurdidades contra nós (link, aqui). Ao chorume, a Frente Resistência responde nos termos abaixo:

A Frente Resistência responde à LBI

A Frente Resistência nasceu com o objetivo de aglutinar forças do campo popular e de esquerda para atuação em três grandes eixos de luta: pela emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, contra o imperialismo e contra o fascismo. Tais tarefas estão na ordem do dia da luta de classes de nossos tempos, principalmente diante da contraofensiva mundial movida pelo campo reacionário desde a queda dos Estados Operários do Leste no início dos anos 90 e agudizada pela crise capitalista de fins dos 00. A Frente Resistência se propõe, portanto, a ser uma frente para a ação, de luta, não podendo desperdiçar suas ainda modestas energias com intrigas, fofocas e “polêmicas” com as minúsculas seitas que infestam, ainda que virtualmente, os ambientes de esquerda.

Uma dessas minúsculas seitas, a LBI- Liga Bolchevique Internacionalista, nome pomposo e megalomaníaco que não corresponde à desprezível relevância da seita, em um de seus blogs apócrifos realizou um ataque à Frente Resistência e à Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT), agrupamento do qual participava grande parte dos integrantes da atual FR. Em seu afã por holofotes, a seita LBI desfere uma série de calúnias e difamações contra os camaradas participantes de tais grupos, não apenas mostrando ignorância quanto à matéria de fato -não tendo participado da construção de tais iniciativas, à seita só cabe especular e divagar- como, também, manipulando, distorcendo e inventando situações falsas. Isso mostra que não basta à seita ser desprezível numericamente; também o é moralmente, mostrando ser aluna aplicada da escola stalinista de falsificação.

Os grupos e militantes que hoje estão na Frente Resistência não aderiram, ou romperam, com a Frente Comunista dos Trabalhadores, pelos mais diversos motivos, todos políticos e, no geral, publicados de forma transparente. Desde quando a FCT ainda constituía um “comitê paritário” sem caráter orgânico, era consignado expressamente que diversas referências e tradições (sempre no campo da esquerda revolucionária, decerto) estavam ali representadas, e que caminhavam para uma maior proximidade organizativa e programática, o que não quer dizer que tal proximidade necessariamente viesse a ocorrer. O ápice de tal movimento foi a realização do 1º Congresso da FCT na cidade de São Paulo, em setembro do presente ano, quando a mesma, pela maioria dos votos dos delegados presentes, se configurou como organização no formato leninista.

À essa organização nem todos aderiram, como o Coletivo Lênin, por entender que o momento pedia ainda o formato frente, outros, se mantiveram como aspirante ao ingresso na organização, como a Tendência Revolucionária do PSOL, ou, ainda, outros como o Espaço Marxista que, apesar de terem sido entusiastas da criação da organização desde o início e votado pela sua construção, romperam com a mesma ao perceber que nasceu burocratizada e aparelhada por um de seus grupos. Houve ainda quem se retirasse muito antes do dito congresso, como o Coletivo Socialistas Livres e o que vem hoje a conformar a Tendência Marxista-Leninista do PT, por diferenças de concepção, teóricas ou de análise de conjuntura.

Como se vê, os motivos de ruptura com a FCT sempre tiveram, ainda que de diferente tipo, caráter político e foram divulgados abertamente e discutidos, mesmo que no âmbito dos próprios grupos. A seita LBI não participou de tais discussões nem teve acesso ao seu teor, e por isso não deveria especular ou conjeturar, e muito menos adulterar e falsificar. São mentirosas as alegações da LBI de “chantagem” (sic), “corrupção material” (sic), como elementos da construção (ou dissolução, pois de tão absurdo o texto é mal escrito e em muitas partes confuso) da FCT. Em verdade, quando a LBI interpreta “pressão extraoficial” como necessariamente sinônimo de “chantagem e corrupção material”, mostra muito de seu próprio caráter e práticas. A seita, aliás, desce tanto a ponto de aludir às relações conjugais de um de nossos camaradas, na melhor tradição stalinista de ataques à vida privada dos militantes.

Os grupos e militantes que compõem a Frente Resistência são conhecidos. Somos todos militantes antigos, com experiência de vida e de militância. Muitos renunciaram voluntariamente a estar em organizações maiores, em prol da fidelidade à própria consciência e às próprias concepções políticas, mesmo que isso significasse o isolamento. A Frente Comunista dos Trabalhadores não prosperou, ao menos não na configuração original, por diversos motivos políticos; mas não por “chantagem e corrupção material”, aliás se fosse o caso isso teria sido amplamente denunciado.

Ao contrário das minúsculas seitas que pululam por aí, com a LBI, nós da Frente Resistência, como então na Frente Comunista dos Trabalhadores, trabalhamos para dar coesão à luta dos trabalhadores que, diante do ascenso contra-revolucionário de hoje, é para resistência (daí o nome que escolhemos). Não consideramos militantes de outras organizações como inimigos ou adversários, e tampouco nos consideramos donos da verdade. As controvérsias que surgem, na construção de tal luta de resistência, são colocadas em termos políticos e leais, e não por meio da calúnia, mentira e difamação. Aliás, deixamos claro que as controvérsias em nosso seio são inevitáveis, haja vista que conformamos uma frente de ação, onde cada grupo e militante mantém seu próprio programa. Uma seita como a LBI, acostumada ao isolamento subterrâneo, jamais pode imaginar o que é militar, na luz do dia, com camaradas de linhas diversas mas confluentes.

Melhor seria que a LBI e outras mini-seitas se preocupassem mais com seu próprio -ainda que improvável- crescimento do que com os rumos da Frente Resistência. Como, para nós, o critério da verdade é a prática, respeitamos quem se encontra conosco nas barricadas, e não difamadores de seitas virtuais.

Viva a Frente Resistência!

Viva a emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos!

Viva a luta anti-imperialista!

Viva a luta anti-fascista!

(*) Frase tradicionalmente atribuída, mas de forma equivocada, ao Quixote de Cervantes. Para imagem do post, escolhemos também um cavaleiro andante, não o da Triste Figura, e sim o próprio Leon Trotsky.


A prioridade é a luta e não o circo eleitoral

Os militantes e simpatizantes da TML têm sido questionados se a tendência lançará candidatos a vereador nas próximas eleições municipais. A TML tem como prioridade a ação direta da classe operária. A prioridade é a luta contra o ajuste fiscal e o golpe da burguesia e do imperialismo. A questão eleitoral para a TML está sempre subordinada à luta para impulsionar a ação direta da classe operária.

Logicamente, a TML, quando chegar o momento eleitoral, participará do processo interno do partido e discutirá a questão da participação e, se houver condições, lançará candidatos, porque tem um vínculo com o movimento sindical e movimentos populares e sociais, tendo como militantes e simpatizantes, dirigentes e ex-dirigentes sindicais, líderes estudantis e da juventude, ou mesmo poderá apoiar candidatos operários e populares de outras correntes internas do PT que defendam a ruptura com a política de colaboração de classes da direção majoritária do PT, utilizem as eleições para denunciar o corrupto, fraudulento e antidemocrático processo eleitoral burguês brasileiro, onde prevalecem o dinheiro dos bancos e das empreiteiras (é necessário um rio de dinheiro para eleger apenas um vereador), as urnas roubotrônicas que não permitem a recontagem dos votos porque não há comprovante do mesmo (comprovante físico, por isso apenas 6 países no mundo adotam as urnas brasileiras!) e, esses candidatos caso eleitos, comprometam-se a utilizar a tribuna do parlamento para denunciar as atrocidades do regime do capitalista, subordinando-a à ação direta da classe operária, a exemplo do grande tribuno da classe operária alemã, Karl Liebknecht, companheiro de Rosa Luxemburgo no Partido Comunista.

Assim, priorizamos a ação direta da classe operária com a palavra de ordem “Fora Cunha” que pegou, sendo certo que a burguesia e o imperialismo ficaram assustados e recuaram neste momento. O PSDB com medo recuou, tenta agora desesperadamente se desvincular de Cunha para não ser liquidado junto. Soou a hora do movimento operário e popular contra-atacar. Como bem observou o PCO, em recente Editoral do Diário Causa Operária on line, “A reação da CUT contra o documento do PMDB representa essa ruptura – parcial ou não – de uma parte do PT, justamente a mais ligada aos trabalhadores, com essa política de colaboração.”  

E essa tendência de ruptura com a política de colaboração de classes da direção majoritária do PT que é prioridade para TML.

Assim, sem perder de vista a perspectiva estratégica da luta por um governo operário e camponês, entendemos que ganhou relevo a palavra de ordem de Fora Cunha e contra o ajuste fiscal, para barrar a terceirização e as MPs 664 e 665 (que reduzem pensões, aposentadorias, e o seguro-desemprego, etc.), escala móvel de salários (reajuste automático de salários de acordo com a inflação); redução da jornada de trabalho, sem redução de salários;  fim das demissões, estabilidade no emprego; não aos cortes dos programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PRÓ-UNE, PRONTATEC, FIES, etc., e fim do congelamento dos vencimentos dos funcionários públicos, e em defesa da Petrobrás.

Fora Cunha!

Abaixo o ajuste fiscal!

Erwin Wolf

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sobre a luta do povo negro na África do Sul

A TML publica abaixo o Texto de Leon Trotsky, “O problema Nacional e as Tarefas do Partido Proletário”, onde é abordada a questão do povo negro, fazemos isso em homenagem ao dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra e também aos nossos militantes e simpatizantes que são afrodescendentes, sempre se lembrando de Malcolm X: “Não existe capitalismo, sem racismo.”

“O Problema Nacional e as Tarefas do Partido Proletário

Leon Trotsky

20 de Abril de 1935

Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive, junho 2005.

HTML de:Fernando A. S. Araújopara o Marxists Internet Archive, junho 2005.

Direitos de Reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

As possessões sul-africanas da Grã-Bretanha apenas constituem um "dominion" do ponto de vista da minoria branca. Do ponto de vista da maioria negra, a África do Sul é uma colônia escrava.

Nenhuma revolução social – e em primeiro lugar, nenhuma revolução agrária – é concebível com a manutenção da dominação do imperialismo britânico sobre o domínio sul-africano. A derrubada da dominação britânica na África do Sul é também necessária para o triunfo do socialismo tanto na África do Sul, como na própria Grã-Bretanha.

Se, como se pode supor, a revolução começar primeiro na Grã-Bretanha, a burguesia inglesa será batida tanto mais rapidamente na metrópole quanto menor for o apoio que ela puder encontrar nas suas colônias e domínios, inclusive numa possessão tão importante como a África do Sul. A luta para acabar com o imperialismo britânico, seus instrumentos, seus agentes, se inscreve assim, necessariamente, no programa do partido proletário da África do Sul.

A derrubada da dominação do imperialismo britânico na África do Sul pode ser o resultado da derrota militar da Grã-Bretanha e da desagregação de seu império; neste caso, os Brancos da África do Sul podem ainda manter durante um certo período – sem dúvida, não por muito tempo – sua dominação sobre os Negros. Uma outra variante, que pode estar ligada á primeira, seria a revolução na Grã-Bretanha e nas suas possessões. Três quartos da população da África do Sul – quase 6 milhões sobre 8 – são pessoas de cor. A revolução vitoriosa, inconcebível sem o despertar das massas indígenas, lhes dará, por sua vez, o que tanto lhes falta hoje: a confiança em suas próprias forças, uma consciência maior de sua personalidade, o desenvolvimento de sua cultura. Nestas condições, a República sul-africana se tornará antes de mais nada uma república "negra": isso não exclui, é claro, nem uma completa igualdade de direitos para os Brancos, nem relações fraternais entre as duas raças (o que depende, sobretudo, da conduta dos Brancos). Mas é absolutamente evidente que a maioria esmagadora da população, libertada da dependência servil, marcará o Estado de forma determinante.

Na medida em que a revolução vitoriosa mudará radicalmente as relações, não apenas entre as classes, mas também entre as raças, assegurando aos Negros o lugar no Estado que corresponde ao seu número, a revolução social na África do Sul terá igualmente um caráter nacional. Não temos qualquer razão para fechar os olhos sobre este aspecto da questão, ou minimizar sua importância. Ao contrário, o partido proletário deve, em palavras e atos, aberta e ousadamente, tomar nas suas mãos a resolução do problema nacional (racial).

Mas a resolução desse problema só pode e deve ser realizada pelo partido proletário pelos seus próprios métodos.

O instrumento histórico da emancipação nacional só pode ser a luta de classes.

A Internacional Comunista, desde 1924, transformou o processo de "emancipação nacional" dos povos coloniais numa abstração democrática vazia, elevada acima das relações de classes. Para lutar contra a opressão nacional, as diferentes classes se liberariam – por um tempo – de seus interesses materiais e se tornariam simples forças "anti-imperialistas". Para que essas "forças" imateriais cumprissem de boa vontade a tarefa que lhes dá a Internacional Comunista, se lhes promete em recompensa um Estado "nacional democrático" imaterial (com a inevitável referência à fórmula de Lênin sobre a "ditadura democrática dos operários e camponeses")

As teses indicam que em 1917 Lênin abertamente liquidou, de uma vez por todas, a fórmula de "ditadura democrática dos operários e camponeses", enquanto condição pretensamente necessária para resolver a questão agrária. O que é absolutamente exato. Mas, para evitar mal entendidos, é preciso acrescentar:

a) que Lênin falava sempre de ditadura revolucionária burguesa democrática, e não de um Estado "popular" imaterial;

b) que na luta pela ditadura burguesa-democrática, ele não propunha um bloco de todas as "forças anti-czaristas", mas desenvolvia uma política independente de classe do proletariado. O bloco "anti-czarista" era uma idéia dos socialistas revolucionários russos e dos cadetes de esquerda, isto é, dos partidos da pequena e média burguesia. Contra eles, os bolcheviques sempre levaram uma luta implacável.

Quando as teses dizem que a palavra de ordem de "República Negra" é tão nociva ("equaly harmful") para a causa da revolução quanto a de "a África do Sul para os brancos", não podemos estar de acordo com esta afirmação. Por parte dos Brancos, trata-se da manutenção de uma dominação infame; por parte dos Negros, dos primeiros passos para sua emancipação. É preciso reconhecer absolutamente e sem reservas o direito total e incondicional dos Negros à independência. É apenas sobre a base de uma luta comum contra a dominação dos exploradores brancos que poderá se elevar e se reforçar a solidariedade entre os trabalhadores negros e trabalhadores brancos. É possível que após a vitória, os Negros considerem inútil a criação na África do Sul de um Estado negro particular. Naturalmente, nós não lhes imporemos um separatismo de Estado. Mas que eles o reconheçam livremente, com base na sua própria experiência, não debaixo do chicote dos opressores brancos. Os revolucionários proletários não devem nunca esquecer o direito das nacionalidades oprimidas a dispor de si próprias, inclusive o seu direito à completa separação, e o dever do proletariado da nação que oprime a defender este direito, inclusive, se necessário, com armas na mão!

As teses sublinham, de forma justa, o fato que foi a revolução de Outubro que trouxe a solução para a questão nacional na Rússia. Os movimentos nacionais democráticos foram em si mesmos impotentes para acabar com a opressão nacional do czarismo. Foi apenas graças ao fato que os movimentos das nacionalidades oprimidas, bem como o movimento agrário do campesinato, terem dado ao proletariado a possibilidade de conquistar o poder e estabelecer sua ditadura, que a questão nacional, assim como a questão agrária, encontraram uma solução ousada e radical. Mas a própria combinação dos movimentos nacionais com a luta do proletariado pelo poder só foi possível politicamente porque o Partido Bolchevique, ao longo de sua história, tinha levado uma luta implacável contra os opressores grão-russos, e apoiado sempre e sem reserva, o direito das nações oprimidas à sua independência, até e inclusive a separação com a Rússia.

A política de Lênin diante das nações oprimidas não tinha, portanto, nada de comum com a dos epígonos. O Partido Bolchevique defendia o direito das nações oprimidas a disporem delas próprias, através dos métodos da luta de classe proletária, rejeitando claramente os blocos "anti-imperialistas" charlatanescos com os numerosos partidos "nacionais" pequeno-burgueses da Rússia czarista (o PPS, o partido de Pilsudsky na Polônia, os "dachnaki" na Armênia, os nacionalistas ucranianos, os sionistas junto aos judeus, etc.). O bolchevismo desmascarou sempre impiedosamente nesses partidos, da mesma forma com os "social-revolucionários", sua dupla natureza e aventureirismo, e sobretudo a mentira de sua ideologia pretensamente acima das classes. Ele sequer suspendia sua crítica impiedosa quando as condições obrigavam a passar tal ou qual acordo episódico, estritamente prático, com eles. Não poderia ser questão de uma aliança qualquer permanente com eles, sob a bandeira do "anti-czarismo". Foi apenas graças a uma política de classe implacável, que o bolchevismo conseguiu, nas condições da revolução, descartar os mencheviques, os social-revolucionários, os partidos nacionais pequeno-burgueses, e soldar em torno do proletariado as massas camponesas e as nacionalidades oprimidas.

"Nós não devemos, dizem as teses, fazer concorrência com o Congresso Nacional Africano no domínio das palavras de ordem nacionalistas com o objetivo de conquistar os camponeses indígenas." A idéia, em si própria, é justa, mas exige ser concretizada. Não conhecendo de modo preciso a atividade do CNA, só posso esboçar nossa política a seu respeito por analogia, precisando, por outro lado, que estou pronto a fazer as correções que sejam necessárias às minhas proposições.

1.      Os bolcheviques-leninistas estão pela defesa do Congresso, tal como ele é, em todos os casos em que ele receba golpes dos opressores brancos e de seus agentes nas fileiras das organizações operárias.
2.      Os bolcheviques opõem, no programa do Congresso, as tendências progressistas às tendências reacionárias.
3.      Os bolcheviques desmascaram aos olhos das massas indígenas a incapacidade do Congresso em obter a realização de suas próprias reivindicações, por causa de sua política superficial, conciliadora, e lançam, em oposição ao Congresso, um programa de luta de classe revolucionária.
4.      Se acordos temporários com o Congresso forem impostos pela situação, eles só podem ser admitidos no quadro de tarefas práticas estritamente definidas, mantendo a completa independência de nossa organização e nossa total liberdade de crítica política.

As teses lançam como palavra de ordem política central não o "Estado nacional democrático", mas o "Outubro" sul-africano. Elas mostram – com perfeita evidência:

a) que as questões nacional e agrária na África do Sul coincidem quanto ao conteúdo;

b) que estas duas questões só podem ser resolvidas pela via revolucionária;

c) que a resolução revolucionária dessas tarefas leva à ditadura do proletariado, dirigindo as massas camponesas indígenas;

d) que a ditadura do proletariado abre a era do regime soviético e da edificação socialista. Esta conclusão constitui a pedra angular de todo o edifício do programa. Sobre isso, nossa solidariedade é total.

Mas é necessário conduzir as massas à esta fórmula "estratégica" em geral, através de uma série de palavras de ordem "táticas". Só podemos elaborá-las, em cada etapa, sobre a base de uma análise das condições concretas da vida e da luta do proletariado e dos camponeses, assim como de toda a situação nacional e internacional. Sem entrar neste domínio, quero somente deter-me brevemente sobre a questão da correlação entre as palavras de ordem nacionais e as palavras de ordem agrárias.

As teses sublinham várias vezes que é preciso lançar não reivindicações nacionais, mas sim reivindicações agrárias. É uma questão muito importante, que merece séria atenção. Rejeitar para o último plano as palavras de ordem nacionais, ou atenuá-las para não afastar os chauvinistas brancos do seio da classe operária seria, bem entendido, um oportunismo criminoso, absolutamente estranho aos autores e partidários das teses, como decorre delas próprias, claramente impregnadas que estão de internacionalismo revolucionário. Desses socialistas que lutam pelos privilégios dos Brancos, as teses dizem, com justeza, que: "É preciso ver que esses "socialistas" são os piores inimigos da revolução."

Resta outra explicação, indicada de passagem no próprio texto: as massas camponesas atrasadas ressentem de modo mais imediato a opressão agrária do que a opressão nacional. É possível: a maioria dos Negros são camponeses, e a maior parte das terras está nas mãos de uma minoria branca. Na sua luta pela terra, os camponeses russos colocaram por muito tempo suas esperanças no czar, e se mantinham cuidadosamente afastados de todas as conclusões políticas. Da palavra de ordem tradicional da intelligentsia revolucionária "Terra e Liberdade!", o mujique por muito tempo só reteve a primeira parte. Foi preciso dezenas de anos de agitação agrária e de influência dos operários das cidades para que o camponês viesse a ligar essas duas palavras de ordem.

O bantú pobre e escravo alimenta esperanças no rei da Inglaterra ou em MacDonald. Mas seu extremo atraso político se expressa também pela sua falta de consciência nacional. E, ao mesmo tempo, ele ressente vivamente a servidão agrária e fiscal. Nessas condições, nossa propaganda deve e pode sobretudo partir das palavras de ordem da revolução agrária, afim de levar, passo a passo, sobre a base de sua experiência da luta, os camponeses às conclusões políticas e nacionais necessárias. Se estas considerações políticas são exatas, não se trata da questão do programa em si, mas a de saber por qual caminho fazer penetrar este programa na consciência das massas indígenas.

Levando em conta a fraqueza numérica das forças revolucionárias e a extrema dispersão dos camponeses, não será possível, pelo menos no próximo período, agir sobre estes últimos de outra forma, a não ser através da vanguarda operária. Por isso é tão importante educar esta última no espírito da clara compreensão da importância da revolução agrária para os destinos da África do Sul.

O proletariado do país compreende os párias negros atrasados e uma casta privilegiada arrogante de Brancos. Aí reside a principal dificuldade em toda esta situação. Os abalos econômicos da época do capitalismo em apodrecimento, como indicam justamente as teses, devem sacudir profundamente as velhas divisões e facilitar o trabalho de agrupamento revolucionário. O pior dos crimes seria, para os revolucionários, fazer a menor das concessões aos privilégios e preconceitos dos Brancos. O que dá o dedo mínimo ao chauvinismo está perdido. A todo operário branco, o partido revolucionário deve colocar a seguinte alternativa: ou bem com o imperialismo britânico e a burguesia branca da África do Sul, ou bem com os operários e camponeses negros contra os feudais e escravistas brancos e seus agentes no seio da própria classe operária.

A derrubada da dominação britânica sobre a população negra da África do Sul não significará, bem entendido, a ruptura econômica e cultural com a antiga metrópole, se esta se libertar dos saqueadores imperialistas que a oprimem. Por intermédio dos Brancos que ligarão nos fatos, numa luta comum, sua sorte à dos escravos coloniais atuais, a Inglaterra soviética poderá exercer sobre a África do Sul uma poderosa influência econômica e cultural, desta vez, não mais sobre a base de uma dominação, mas dos princípios de ajuda mútua proletária.

Mas, a influência que a África do Sul soviética exercerá sobre todo o continente negro será, talvez, ainda mais importante. Ajudar os negros a alcançar a raça branca, afim de elevar-se, de mãos dadas, a novas alturas da cultura, tal será uma das mais nobres e grandiosas tarefas do socialismo.”

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre Paris

O Movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista no PT publica abaixo, para conhecimento, debate e discussão dos militantes do movimento operário e popular brasileiro, inclusive para discussão interna da própria TML, a importante declaração sobre os atentados ocorridos em Paris, do Groupe Marxiste Internationaliste, seção francesa do Coletivo Revolução Permanente, que luta por uma nova Internacional Operária Comunista, juntamente com o Gruppe Klassenkampf, da Aústria, Revolución Permanente, do Peru, e o Movimento ao Socialismo, da Rússia (em processo de integração ao CoReP). Outrossim, ressalvamos que a TML não faz parte do CoReP, é apenas simpatizante do mesmo. A tradução portuguesa é de inteira responsabilidade nossa, ou seja, da TML, sendo que para maior segurança sugerimos a consulta ao original em francês, no Blog do Groupe Marxiste Internacionaliste.

“Abaixo o estado de emergência! Abaixo a unidade nacional!

Na noite de 13 de novembro, um comando islamofascista matou mais de 125 pessoas e feriu mais de 350 outros nas ruas de Paris e Saint-Denis. O islamismo político não é uma crença religiosa é uma corrente política ultra-reacionária, alimentada inicialmente pelo Serviço Secreto dos EUA, Israel, Paquistão, Turquia, Arábia, etc., de acordo com as necessidades do imperialismo e esses poderes regionais que usam esses infratores como homens fanáticos homens de palha para avançar escondido em suas guerras de de rapina. Jihadismo é financiado em todos os lugares por monarquias petrolíferas do Golfo, que é apoiado pela Síria e governo turco reacionário de Erdogan, enquanto reprime curdos, ele reprime a mídia, ele serve como uma base de retaguarda para Daech para todos os seus tráficos de petróleo, armas, objetos de arte, etc.

O islamismo político é uma forma de dominação encontrada pela burguesia iraniana para conter a revolução no Irã 1978/1979, executar, aprisionar e torturar ativistas sindicais, oprimir as mulheres, as minorias, os homossexuais, para liquidar todos liberdades democráticas, com a bênção do imperialismo. Este foi por avião especial fretado pelo governo francês que o muito reacionário Imam Khomeini deixou a sua residência Neauphle-le-Château para participar do Irã, onde a revolução começou, sem os islamitas e organizar os bandos fascistas que tomaram o poder . Wikileaks revelou que os EUA haviam secretamente apoiado jihadistas da Síria contra o regime de Assad por anos. No Iraque e na Síria, o EI-Daech destruiu qualquer democracia, qualquer movimento operário, aterrorizou minorias nacionais e religiosas, assim como seus rivais do exército jihadista de conquista na Síria (al-Sham Ahar, subsidiária Al-Nosra da Al Qaeda).

O islamismo político é, como os partidos fascistas e xenófobas, o produto da decomposição do capitalismo, do imperialismo, de manobras de diferentes imperialismos, ele se estabeleceu onde o imperialismo deixou apenas as ruínas, ele é vil e ele é utilizado.

Ainda assim, ele consegue encontrar um eco nos países dominados, mas também nas minorias árabes e muçulmanos dos países dominantes, tendo a falsa aparência de anti-imperialismo e anti-sionismo. Isso é possível porque as potências imperialistas como a França apoiam o Estado sionista que nasceu da colonização da Palestina, intervêm militarmente para proteger seus interesses na África, no Oriente Médio, apoiando regimes ditatoriais, fazem e desfazem governos de acordo com sua precisa.

Isto é possível porque os países imperialistas segregam dentro deles a discriminação contra as minorias étnicas, negros e latinos na América do Norte, árabes, negros, ciganos, turcos, etc. na Europa. Isso é possível porque o islamismo político goza da cumplicidade ou a complacência daqueles que têm os olhos nas massas que lutam contra ditadores no Irã e na Síria, que têm derrubado como na Tunísia e no Egito. O islamismo político (Irmandade Muçulmana ou AKP, salafistas ou  jihadistas ) como uma alternativa anti-imperialista, no afastamento de um impasse. Isso é possível porque o PS e o PCF defendem o capitalismo francês, o Estado e sua polícia e, portanto, confundem e dividem os trabalhadores em França.


Holland tem proclamado o estado de emergência, usando o artigo 16 da constituição bonapartista da Quinta República, que proíbe qualquer forma, qualquer reunião, dá poderes excessivos à polícia. Ele que vende armas para todo o Golfo das monarquias islâmicas chama à "unidade nacional", com o apoio de Sarkozy, que deu a Líbia os islamitas.

Jihadistas não se preocupam com o estado de emergência. O estado de emergência é dirigido apenas contra as liberdades públicas, contra a classe trabalhadora e da juventude. Ele servirá para reforçar a polícia, exército, serviços secretos que não têm protegido nem os estudantes judeus de Toulouse, nenhum dos cartunistas Charlie Hebdo, nem clientes Hyper-Kosher, nem os espectadores para o Stade de França ou o Bataclan. .

Unidade nacional, seja contra o Kaiser em 1914 ou contra os Islamofascists em 2015, sempre transforma o proletariado e os jovens em crédulos da classe dominante.

Os ataques de 11 de Setembro de 2001, os Estados Unidos tinham permitido a administração Bush para pôr em prática um conjunto de medidas de coacção, o "Patriot Act" contra os trabalhadores e para justificar a sua intervenção no Afeganistão e no Iraque. Aqueles 7 e 9 de janeiro foram usadas para justificar o bombardeio do Iraque e da Síria, as manobras do exército nas cidades, o aumento do orçamento dos serviços secretos e do exército, uma nova lei de espionagem generalizada na população. Aqueles de Novembro de 13 serão utilizados da mesma maneira.

Os trabalhadores e os jovens, independentemente da sua origem étnica, religião ou falta de religião, devem se unir para defender as liberdades democráticas. Eles devem se unir para combater as campanhas xenófobas e de islamofobia grupos fascistas e partidos como o LR ou FN,  que luta contra a caçada aos refugiados, às nacionalidades, organizados pelo governo PS-PRG. As fileiras de divisão dos trabalhadores de acordo com a nacionalidade, religião ou cor da pele sempre serviu a burguesia. Ele também está olhando para o que a causa islâmica-fascista com seus ataques.

Todas as organizações dos partidos da classe trabalhadora e os sindicatos devem romper com a unidade nacional, exigir o levantamento imediato do estado de emergência e acabar com as operações militares do imperialismo francês em África e no Médio Oriente.

Para erradicar Islamofascismo como o fascismo em todas as suas formas, deve ser rejeitado o nacionalismo, se reconectar com o internacionalismo proletário, para terminar com o capitalismo na França e no mundo. Precisamos dos trabalhadores, os trabalhadores, a juventude de todos os países se unam em uma Internacional dos Trabalhadores, que terá como objetivo derrubar a burguesia francesa, as outras burguesias imperialistas (ocidentais e russa) e todas as burguesias do Médio Oriente (islamitas e outras).”