quinta-feira, 31 de março de 2016

Professor norte-americano vê risco de golpe no Brasil

A Tendência Marxista-Leninista publica abaixo a entrevista do Professor norte-americano James N. Green a João Fellet, da BBC Brasil.

Green obteve o título de doutor em história latino-americana na UCLA, em 1996, sendo que atualmente preside o New England Council on Latin American Studies (NECLAS).Trabalha como professor de história e estudos brasileiros na Brown University. O pesquisador morou por oito anos no Brasil, tendo sido um dos fundadores da primeira organização de defesa dos direitos dos homossexuais do país. 

Sempre com a preocupação de elevar o nível de conscientização da vanguarda operária e revolucionária brasileira, nesta oportunidade, a TML publica essa interessante entrevista, onde uma pessoa isenta, um pesquisador norte-americano, ligado à academia dos Estados Unidos se pronuncia de forma equilibrada e bastante esclarecedora sobre a situação política brasileira. 


"Americano vê risco de 'golpe' contra o sistema eleitoral para pôr PMDB e PSDB no poder
João Fellet - @joaofelletDa BBC Brasil em Washington
23 março 2016
“Ao derrubar o presidente João Goulart e assumir o poder em 1964, os militares diziam agir para livrar o Brasil do comunismo e da corrupção.
Para o americano James N. Green, que pesquisa a história brasileira há mais de 30 anos, os mesmos argumentos têm sido evocados por muitos dos que agora defendem o impeachment de Dilma Rousseff.
Professor de história moderna da América Latina e Diretor da Iniciativa Brasil da Brown University, em Rhode Island (EUA), Green afirma que desta vez o movimento não busca levar os militares ao poder, mas entregá-lo ao PMDB e PSDB.
"Para mim é um atentado contra a democracia e os princípios democráticos", afirma. 
Confira a entrevista com Green, parte de uma série de reportagens em que a BBC Brasil convida os principais observadores estrangeiros a analisar este momento crítico da história brasileira: que oposição usa hoje é a mesma que usou em 1964: a da corrupção
BBC Brasil - A crise atual é comparável a algum outro momento que o Brasil já viveu?
James N. Green - Evidentemente a 1964. Não que os militares estejam à beira de tomar o poder neste momento, mas a linguagem da oposição ao governo Dilma é uma linguagem sobre corrupção que foi usada justamente em 1964 contra o governo do João Goulart e uma das várias justificativas para o golpe.
Depois, houve várias CPIs e nada foi descoberto de corrupção no governo João Goulart. Ou seja, era uma oposição contra as medidas políticas do João Goulart, as reformas de base, às quais setores dos militares e políticos eram contra.
BBC Brasil - Pode explicar melhor?
Green - A Dilma é uma presidente fraca, com uma política econômica problemática, e há um descontentamento amplo da sociedade. Mas, em vez de esperar por novas eleições em 2018, a oposição está fazendo justamente o que o Partido Republicano fez quando Barack Obama foi eleito. Eles (no EUA) tiveram uma reunião no dia da posse dele e combinaram que não iriam aprovar nada no governo, fazer de tudo para que governo não funcionasse e fosse derrubado.
Eles fizeram isso durante quatro anos, mas Obama conseguiu uma mobilização popular, foi reeleito e melhorou a economia. A mesma coisa estão fazendo os que eram contra a eleição de Dilma. Perderam por quatro pontos e estão furiosos com essa situação, então estão fazendo campanha constante contra o governo dela, dizendo que ela tem de ser derrubada. Isso é uma narrativa.
Na época de Goulart, também se dizia que o governo era comunista – tudo para justificar o golpe e envolver a Casa Branca, que, na época, estava obcecada pela questão comunista. 
BBC Brasil - Mas desta vez as descobertas da Operação Lava Jato não são um elemento real por trás do discurso contra a corrupção?
Green - Não estou negando que haja corrupção dentro e fora do governo atual. Isso não tem nenhuma dúvida. Só que a corrupção no Brasil não tem seis anos, tem 500 anos, desde a chegada dos portugueses. É uma corrupção de todos os partidos políticos.
Aliás, se a oposição ganha e derruba o governo, o PT e a esquerda que ficar na oposição vão fazer a mesma campanha contra os atuais políticos da oposição que, sabemos muito bem, estão envolvidos com corrupção também.
Acho muito bom que a corrupção esteja sendo investigada no Brasil. O que acho muito perigoso, uma grande ameaça à democracia no Brasil, são as medidas ilegais implementadas para fazer essas investigações. Isso é uma grande ameaça à democracia no Brasil.
BBC Brasil - O senhor se refere às ações do juiz Sérgio Moro?
Green - A Folha de S.Paulo comentou num editorial que ele se excedeu, foi além. Pelo que leio, há violações, arbitrariedades, pressões para que as pessoas revelem informações. Esses caras que estão sendo presos e nunca imaginavam que seriam presos estão assustadíssimos com a possibilidade de ficar anos na prisão e dizendo qualquer coisa. E as pessoas acusadas, me parece, não estão tendo acesso ao direito de defesa. Há uma arbitrariedade muito perigosa. 
BBC Brasil - Muitas pessoas contrárias ao impeachment dizem que está se articulando um golpe no Brasil. A afirmação é exagerada?
Green - Acho que há uma tentativa sim de derrubar um governo democraticamente eleito, mas não para pôr os militares no poder, e sim para pôr o PMDB e o PSDB. É uma maneira de derrubar o sistema eleitoral legítimo, as eleições legítimas, com uma medida que vai violar os princípios básicos da democracia. Você pode chamar de golpe, mas fica confuso porque não é um golpe militar. Para mim é um atentado contra a democracia e os princípios democráticos.
Como Eduardo Cunha, acusado de roubar milhões de dólares, pode estar dirigindo o processo do impeachment? É um absurdo. Teria que haver um movimento enorme contra Cunha, Maluf, pessoas que estão na comissão do impeachment e estão envolvidas nas acusações. Que moral elas têm? no país
BBC Brasil - A história brasileira é cheia de episódios violentos, como as revoltas do século 19, e ao mesmo tempo momentos de conciliação e acomodação de interesses, como na independência e no fim da ditadura. Qual característica vai predominar na crise atual?
Green - A conciliação é entre as altas esferas da política e está ocorrendo agora entre PMDB e PSDB. Outra questão é a reação popular. Acho que no Brasil a grande mídia está provocando um sentimento agressivo contra qualquer pessoa que ande com o roupa vermelha ou defenda o governo. É unilateral.
Pode haver violência dos dois lados no futuro e pode ser muito sério e triste, mas neste momento sinto que essa agressão é contra as pessoas que estão defendendo o governo.
Não é uma briga como a de 1935, entre os partidos Comunista e Integralista, onde os dois iam para cima, matando um ao outro. 
BBC Brasil - Ativistas favoráveis ao impeachment têm circulado uma lista de pessoas a serem boicotadas ou hostilizadas por supostamente apoiarem ou terem apoiado o governo. Alguns compararam a prática ao Macartismo (movimento dos anos 1950 encabeçado pelo senador Joseph McCarthy que buscava punir e isolar pessoas consideradas comunistas). Faz sentido?
Green - O Macartismo funcionava porque tinha o poder de criar situação em que as pessoas não conseguiam emprego. O Partido Comunista e as pessoas acusadas de pertencer ao partido estavam totalmente na defensiva, ameaçadas. No caso dos atores de Hollywood, os estúdios podiam decidir quem podia trabalhar ou não.
No Brasil, acho que as pessoas não levaram a lista muito a sério. Não sei se os artistas estão revoltados com isso ou achando meio ridículo.
BBC Brasil - Após um longo domínio, partidos de esquerda vêm perdendo força não só no Brasil, mas em vários países da região. Estamos assistindo ao início de um ciclo da direita na região?
Green - Pode ser. O problema é: a outra alternativa econômico-social vai resolver os problemas que existem na América Latina? Vai resolver a questão da desigualdade social ainda gritante? Se não, a esquerda vai voltar ao poder para tentar de novo, espero que desta vez com mais clareza sobre os processos democráticos. 
BBC Brasil - Há alguma relação entre o declínio da esquerda nos vários países da região?
Green - Acho que tem muito a ver com crise econômica mundial, que afetou América Latina tardiamente. A China entrou em crise, e isso causou problemas para a economia brasileira. Se a economia brasileira tivesse tido uma expansão contínua no governo, essas crises não teriam tanta força.
Se o modelo econômico da América Latina, que dura 500 anos e envolve exportar só matérias-primas para conseguir importações de produtos manufaturados, se esse modelo segue, ele está muito vulnerável a altos e baixos do mercado.
Mas acho que a questão nacional afeta muito mais e que se um governo como o de Lula não consegue também criar um procedimento interno com mobilização de forças, de participação democrática, ele se desgasta.”"

terça-feira, 29 de março de 2016

Operários bolivianos contra o golpe no Brasil

A Tendência Marxista-Leninista publica abaixo o interessante artigo do dia 25/3, do Jornal Massas n. 2439, do Partido Obrero Revolucionario, da Bolívia, no qual os camaradas colocam-se contra o golpe no Brasil. A TML luta pela elevação do nível de conscientização da vanguarda operária e revolucionária brasileira, motivo pelo qual submete ao conhecimento, estudo e crítica dos companheiros e nossos leitores o artigo em questão.A tradução é da TML, sendo certo que em razão de nossa insuficiência linguística, sugerimos, por segurança, que seja conferido o texto em castelhano, no Sítio do POR.

Abaixo o golpe contra Dilma!

A manifestão do PT, convocada pela CUT, MST, MTST, CTB e UNE, aglutinados em torno da Frente Popular de Defesa de Dilma, esteve a altura de contrapor-se às manifestações organizadas pelo movimento de pró-destituição da Presidente Dilma (impeachment N.R.).

O fato é que o PT e suas organizações sindicais e populares demonstraram capacidade de mobilização.  Evidentemente, uma capacidade muito por baixo da exigência da crise política.

Só um gigantesco movimento de massas, que tenha por base a classe operária, poderá quebrar a espinha dorsal do “impeachment”. O que exige das organizações operárias, camponesas e populares mobilizarem-se pelas reais necessidades dos explorados: os desempregados, o desemprego crescente, as reduções salariais, a alta do custo de vida e o aumento da pobreza e a miséria.

A imensa maioria oprimida continua a margem das disputas interburguesas entre governistas e opositores. Essa imensa maioria é quem suporta a decomposição econômica do capitalismo e o avanço a passos largos da barbárie social. Se o governo Dilma permanece ou cai, não alterará a condição geral de brutal exploração, miséria, indigência, pobreza e sofrimento coletivo.

Para os explorados só tem sentido combater o PSDB e sua laia golpista se com isto for possível dar um passo adiante na organização independente e em sua capacidade de defender-se com seus métodos próprios de luta contra os ataques da burguesia e seu governo (incluído o do PT que desenvolve uma política burguesa antipopular e antioperária. N.R.). Qualquer que seja o motivo que mantenha à classe operária e os demais oprimidos subordinados à política burguesa deve ser rechaçado, porque não serve à luta pela libertação dos explorados do domínio capitalista.

A grande manifestação em São Paulo, que contou com a participação de Lula, evidenciou a política petista de subordinar aos explorados à disputa interburguesa.

Tudo se concentrou na defesa de um governo burguês moribundo. A consigna de “não vai ter golpe” já não corresponde aos fatos, o golpe já está em marcha. Há uma conflagração das instituições do Estado, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público e a Polícia Federal caminham na mesma direção: criminalizar o PT e liquidar ao governo Dilma.

Está em pleno vigor um movimento que combina os poderes do Estado com os poderes civis da burguesia para derrubar o governo.

Para quebrar a espinha dorsal do golpe, é necessário que se organizem as massas contra as próprias instituições burguesas.

Levantemos as reivindicações da classe operária, dos camponeses, dos sem teto e da classe média arruinada! Organizemos um movimento nacional para por nas ruas as necessidades da maioria oprimida! Respondamos à corrupção da burguesia e de seus partidos assinalando que somente as massas mobilizadas com seus Tribunais Populares serão capazes de julgá-los e castigá-los! Enfrentemos as ações golpistas com a mobilização geral e unitária dos explorados por suas reivindicações e com a luta de classes!

Levantemos a bandeira: somente um governo operário-camponês, nascido das lutas e assentado na organização independente dos explorados poderá resolver a crise política que é uma crise do poder burguês.

                                               Resumido do pronunciamento do POR-Brasil”




segunda-feira, 28 de março de 2016

Todos à Praça da Sé, quinta-feira (31), às 16h, contra o golpe

Mobilização permanente e ação direta das massas

- Que o PT rompa com a política de colaboração de classes, frente populista!
- Que o PT rompa com os partidos burgueses, como o PMDB, PRT, PSD, etc. e destitua os ministros burgueses!
- Que o PT, Lula e Dilma coloquem o Governo Federal e todos os governos do PT, como por exemplo, a Prefeitura de São Paulo, contra o golpe!
- Que o PT abandone a política de ajuste fiscal!
- Que o PT revogue todas as medidas contra a Petrobrás e contra o Pré-sal!
- Que as fábricas e os bancos que fizerem lockout sejam ocupados e expropriados!
- Que o governo rompa a concessão de serviço público da Rede Globo, da Rede Bandeirantes, Rádio Globo, CBN, e demais emissoras golpistas!
- Que o MST ocupe imediatamente os latifúndios!
- Que sejam marcadas manifestações contra os golpistas estrangeiros, nos consulados e embaixadas dos principais países imperialistas, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha e Japão!
- Prisão imediata de todos os golpistas da Imprensa, da FIESP, da FIRJAN, do Judiciário,  do Ministério Público e Polícia Federal!
- Prisão dos comerciantes que remarcarem preços!
- Estender os Comitês de autodefesa contra o golpe por todo o Brasil, nas fábricas, nos bancos, nos campos, nas escolas, nas universidades, nas centrais sindicais, nos sindicatos, nos movimentos populares e sociais, nas cidades, nos bairros e nos quarteirões!

Tendência Marxista-Leninista

domingo, 27 de março de 2016

Estudos em homenagem ao Centenário da Revolução Russa (1917-2017) (II): Milícia popular

A Tendência Marxista-Leninista prossegue à Comemoração do Centenário da Revolução Russa que acontecerá no ano de 2017. 

Mesmo no calor do enfrentamento com a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano golpistas, na conjuntura brasileira atual, não podemos descuidar do estudo e da preparação teórica.

Assim, dando prosseguimento aos Estudos em homenagem ao Centenário da Revolução Russa (1917-2017), publicando mais abaixo o trecho do texto “AS TAREFAS DO PROLETARIADO NA PRESENTE REVOLUÇÃO (PROJETO DE PLATAFORMA PARA O PARTIDO DO PROLETARIADO) sobre a Milícia popular de Vladimir Lênin (anteriormente sobre o tema havíamos republicado, no dia 12, no nosso Blog “Sobre as milícias dos trabalhadores”, parte do artigo “Aonde vai a França?”, de Leon Trotsky, da década de 30 do Século passado, publicado, no dia 9, originalmente pelo nosso coirmão, Espaço Marxista). 

“12. A substituição da polícia por uma milícia popular é uma transformação que deriva de todo o curso da revolução e eu atualmente está em vias de realizar-se na vida da maioria das regiões da Rússia. Devemos explicar às massas que, na maioria das regiões das revoluções burguesas de tipo comum, tal transformação foi muito efêmera e que a burguesia, mesmo a mais democrática e republicana, restabeleceu a velha polícia, de tipo csarista, separada do povo, colocada sob o comando de burgueses e capaz de oprimir o povo por todos os meios

Só há um meio de impedir a restauração da polícia: criar uma milícia de todo o povo, fundi-la com o exército (substituir o exército permanente pelo armamento gerla do povo). Desta milícia deverão fazer parte todos os cidadãos e cidadãs sem exceção, desde os 15 até os 65 anos, idades que só tomamos a título de exemplo para idicar a participação dos adolescentes e velhos. Os capitalistas deverão pagar aos operários assalariados, criados, etc., os dias dedicados ao serviço social na milícia. Sem chamar a mulher à participação independente não só na vida política em geral como também ao serviço social em geral, permanente, nem sequer se pode falar não só de socialismo, mas mesmo de uma democracia duradoura e completa. E funções de “polícia” tais como o cuidado dos doentes e das crianças abandonadas, a inspeção da alimentação, etc., não podem absolutamente ser satisfatoriamente realizadas sem a igualdade de direitos da mulher, de fato e não apenas no papel.

Impedir o restabelecimento da polícia, chamar as forças organizadoras de todo o povo à construção de uma milícia geral – tais são as tarefas que o proletariado tem de levar às massas no interesse da segurança, consolidação e desenvolvimento da revolução.”

(...).

[Petrogrado, 10 de Abril de 1917.]

Os operários da Ford e da Volks deliberam a luta contra o golpe

Os metalúrgicos da Ford e da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, deliberaram a luta contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

A Assembleia da Ford contou com mais de 4.000 trabalhadores e foi realizada no último dia 22, enquanto a Assembleia da Volks foi no dia 23. Esta empresa conta com aproximadamente 10.000 metalúrgicos.

Cumpre, ainda, fazermos uma observação, em uma dessas fábricas, mensalistas (funcionários de escritórios e administrativos), a quase totalidade de puxa-sacos e fura-greves, que nunca comparecem às Assembleias, de forma provocativa, tentaram vaiar a diretoria do Sindicato, tendo sido repelidos pela maioria esmagadora de operários horistas. É importante denunciar também que o PSTU e seus satélites, que apoiam o golpe, estão fazendo aliados a esses puxa-sacos, fura-greves e golpistas.

O exemplo de luta dos metalúrgicos do ABC deve ser seguido: em todos os lugares de trabalho, nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nos campos, nas empresas agrícolas e rurais, em todas as universidades, escolas, devem ser realizadas Assembleias para lutar contra o golpe, formando-se Comitês de autodefesa e de luta contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

Anita Garibaldi

Aparecida Garibaldi

Ignácio Reis

sábado, 26 de março de 2016

As massas esmagaram o golpe contra Getúlio em 1954

A Tendência Marxista-Leninista apresenta nesta oportunidade um estudo inicial sobre o golpe contra  o presidente Getúlio Vargas, 1954, em que as massas esmagaram aos golpistas.

O Estudo foi baseado na obra “História Sincera da República, de 1930 a 1960” (esta obra foi escrita em 4 volumes),  da Editora Alfa-Omega, 4ª  Edição, São Paulo,  1976, de Leôncio Basbaum, médico e dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nascido em Recife a 6 de novembro de 1907 e falecido em São Paulo, em 1969, “logo após terminar a redação do seu livro de memórias.”  

Leôncio militou por 40 anos, tendo escrito várias obras, dentre elas, A Caminho da Revolução, (Pseudônimo: Augusto Machado), 1934, Editora Calvino, RJ; Caminhos Brasileiros para o Desenvolvimento, 1960, Editora Fulgor, SP;  e a autobiográfica Uma Vida em Seis Tempos  (memórias), 1ª Edição, 1976,  Editora Alfa-Omega, SP.

Este Estudo também é uma homenagem a Leôncio, que morreu em março de 1969, há 47 anos, cujas obras foram muito apreciadas pela juventude, sobretudo estudantes  que saíram às ruas, em  1977, contra a ditadura militar.

A experiência de golpe no Brasil é rica. Em 1954, deu errado com Getúlio Vargas. Mas os golpistas não desistiram, forçaram a renúncia de Jânio em 1961. Depois, para que João Goulart não assumisse, inventaram a Emenda parlamentarista (a ideia é retirar o poder do presidente da República), com Tancredo Neves como primeiro ministro (olha o vovô aí!). De golpe essa família entende! 

Depois, em 1964, houve o golpe militar, seguido do AI-5, em 1968, considerado o golpe dentro do golpe. É mole ou quer mais!

Rui Costa Pimenta, dirigente do Partido da Causa Operária (PCO), nas Plenárias semanais, onde analisa a conjuntura política, sempre menciona que parece que abrem um armário e saem os mesmos personagens e atores de sempre da vida política nacional, como se fosse um filme de terror.

O camarada Rui tem razão. O filme é velho. 

Os personagens somente mudam de nome. Por exemplo, União Democrática Nacional (UDN) para Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Já os temas são os mesmos: corrupção, privatização da Petrobrás, bancos, ingerência norte-americana, renúncia, ataque aos direitos trabalhistas, etc.

O golpe de 1954 contra Getúlio

Getúlio Vargas volta ao poder em 1951.

“Os três anos e meio que Getúlio conseguiu governar foram os mais agitados da vida constitucional do país. O ex-ditador, de volta ao poder, decidira reiniciar sua política de “aproximação com as massas”, interrompida em 1945.(...).” (pág. 203).

Para executar essa política resolvera entregar o Ministério do Trabalho a um novo personagem, o jovem João Goulart, cuja atividade iria chamar sobre si a atenção dos grupos mais reacionários do país. João Goulart – popularmente conhecido como Jango  - iniciou suas atividades, ligando-se aos líderes sindicais e aos chamados “meios trabalhsitas”, aos quais começou a atrair para o seu Partido em apoio à política de Getúlio.(...).

Uma de sua primeiras medidas foi a fixação do salário mínimo. (...)” (pág. 203).

Pouco depois, resistindo a todas as pressões e ameaças do embaixador americano e seu governo, mas obedecendo ao que chegou a ser pelo vigor da campanha, um clamor popular, aprovava o Congresso a Lei n. 2004 que criou a Petrobrás. Se o salário mínimo era um golpe contra a UDN, a Petrobrás fora um golpe muito maior, contra os Estados Unidos. E ambos mais uma vez se uniram, para mais uma vez derrubar Getúlio. (...) (pág. 204).

Contribuíram ainda para aumentar a onda da reação e dos grupos imperialistas contra o governo de Vargas as relações amistosas que vinha mantendo com Peron, o Presidente argentino, então em luta contra o governo americano. Finalmente, pouco depois de sua posse, fizera uma grave denúncia à nação acusando o governo anterior de haver facilitado a remessa de lucros das empresas americanas, para além do limite de 8% fixado em lei, com grandes prejuízos para o país.

Todos esses fatos que, isoladamente, teriam significação menor, reunidos, passaram a configurar a posição do governo como uma oposição clara e ostensiva contra “os nossos tradicionais amigos norte-americanos”. (...) (pág. 204).

“A UDN contava com os mesmos grupos econômicos ligados à grande burguesia industrial e ao capital financeiro, cada vez mais forte pela concentração dos bancos (1), associados aos “trusts” americanos que desde 1951 e sobretudo a partir de 1954, em virtude da famosa instrução 113, começavam a ingressar no país, agressivamente. (...).” (pág 214).
A UDN contava ainda com parte das classes médias urbanas descontentes, empobrecidas, eternamente sacrificadas, os anti-getulistas, os oposicionistas, os eternos herdeiros dos “ideais de 30”, jamais definidos e por isso mesmo jamais realizados, e grande parte dos intelectuais. Prometia, como essência do seu programa, a luta contra a corrupção, e, obviamente, a entrega do petróleo ao capital privado, ou seja, aos americanos. Exigiam a não-ingerência do Estado nas empresas e nos negócios em geral, defendiam a iniciativa privada e a “amizade eterna com os Estados Unidos”, em cuja órbita, segundo o expoente máximo do udenismo, Raul Fernandes, “devemos gravitar”. (pág. 214).

É sempre bom lembrar, no que tange à corrupção, que ela é inerente ao regime capitalista, onde vigora a Lei de Gerson (jogador de futebol da Seleção brasileira, que fazia a propaganda de cigarros, com o bordão de que “gosto de levar vantagem em tudo”), o chamado lucro, a lei do valor, a extração da mais-valia, da exploração do homem pelo homem. O regime capitalista, com a fusão do capital bancário com o industrial, formando o capital financeiro,  entrou em sua fase de decadência imperialista, com os monopólios e o acirramento das disputas interimperialistas por mercados, época de reação em toda linha, guerras e revoluções. As crises do capitalismo atualmente são cada vez mais profundas, são crises de superprodução, porque hoje há produtos suficientes para satisfazer as necessidades de toda a humanidade. Não se justifica que os meios de produção continuem propriedade de apenas 1% da humanidade e que haja tanta concentração de riqueza.

As massas se lançaram à rua dispostas a lavar sangue com sangue

“(...) Pela madrugada do dia seguinte, 24 de agosto, decide aceitar a fórmula do “licenciamento”. Retira-se para os seus aposentos particulares e, poucas horas depois, às 8 manhã, suicida-se com um tiro no peito.
O suicídio, mais do que a renúncia, abalou a nação, pelo seu dramatismo. E o que parecia ter sido simples golpe branco, que pouco impressionaria o povo, que já esperava a renúncia e se conformava com ela, transformou-se num crime cometido contra a nação e contra o povo. Este, revoltado, e já agora tomado de uma decisão, chegou a ameaçar de depredação o edifício do Ministério da Aeronáutica. Houve mesmo ataque a tropas. No Rio (era a capital federal na época – Nota de IR), comércio e fábricas fecharam as portas, jornais anti-getulistas foram depredados. As massas se lançaram à rua, desesperadas e indignadas, dispostas a lavar sangue com sangue. Alguns  dos principais instigadores da renúncia e do suicídio, entre os quais o jornalista Carlos Lacerda, acharam melhor desaparecer algum tempo para fugir à ira popular. O mesmo estava acontecendo em outras cidades, principalmente São Paulo e Porto Alegre.
As agitações mais se aguçavam quando no dia seguinte o povo tomou conhecimento da carta deixada pelo presidente suicida: uma carta impressionante pelas acusações diretas que fazia aos seus inimigos e às “forças ocultas do estrangeiro” que sobre ele não cansavam de pressionar.
E o que parecia ser uma vitória da UDN se transformara em derrota. A UDN subia ao poder, de cabeça baixa, de ombros curvados, ao peso de um cadáver.”  (pág. 209).

A carta-testamento despertara no povo sentimentos nacionalistas e anti-americanos adormecidos pelos problemas imediatos da inflação e do alto custo de vida. Daí por diante o nacionalismo se transforma na bandeira de luta que passa a definir e a dividir os dois grupos em choque: de um lado os nacionalistas, que se opõem ao imperialismo e à entrega do petróleo aos americanos e de outros "entreguistas". E a palavra nacionalismo, para esse grupo, passa a ser subversiva. Os udenistas e golpistas, que haviam participado do complot, já não eram apenas assassinos, mas "entreguistas", vendedores da pátria. (pág. 211).

Para terminar, apenas uma observação quanto aos atores: na época não havia PT, PCO, CUT, CTB, MST, MTST e os diversos movimentos populares e sociais, e mesmo assim o povo se lançou às ruas disposto a lavar sangue com sangue.

Ignácio Reis

1 Ver, de Leoncio Basbaum, Caminhos Brasileiros do Desenvolvimento, Ed. Fulgor, São Paulo, 1960, pág. 83.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Cinismo e hipocrisia de Obama e Macri na Argentina

O presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, esteve ontem na Argentina com o presidente ditador Mauricio Macri, onde de forma hipócrita e cínica os dois presidentes prestaram homenagem às vítimas da ditadura militar argentina, imposta pelos imperialismo yankee nos anos 70 do Século passado.

Obama condenou a política dos Estados Unidos de impor golpes e ditaduras na América Latina e falou ainda que abrirá os arquivos secretos norte-americanos relativos à ditadura argentina.

Como observou o jornalista Ricardo Boechat, da Televisão Bandeirantes, no Jornal da Band, “Obama deveria abrir os arquivos referentes a todos os golpes e ditaduras na América Latina.”

Obama e Macri estavam com a ideia de visitar o a Escola de Mecânica da Armada, na Argentina, famoso centro de tortura e assassinatos, na época da ditadura militar argentina, mas recuaram em razão do clamor mundial. 

Para se ter uma ideia, a Escola de Mecânica da Armada, na Argentina, era pior que o Doi-Codi, na Rua Tutóia, a Operação Bandeirantes da época da ditadura brasileira.

A juventude brasileira teve uma ideia recentemente com a Nova Operação Bandeirantes, como a denominou o jornalista Jânio de Freitas da Folha de S. Paulo, com o sequestro de Lula pela midiática Polícia Federal, a nova polícia política do País, que quer mandar até no Ministro da Justiça, e pelo juiz do PSDB tucano, diretor do presídio da Nova Guantánamo, em Curitiba, juntamente com o Supremo Tribunal Federal (o mesmo que historicamente entregou Olga Benário aos nazistas, condenaram os nossos companheiros do PT sem provas, com base na nazi-fascista "Teoria do Domínio do Fato" e agora acabaram com a presunção de inocência) e uma minoria do poder judiciário e do o ministério público, que tentam implementar um Estado Policial nazi-fascista, com as “prisões cautelares” (“prisões temporárias” e “preventivas”), para tortura, com o objetivo de conseguirem “confissões” e “delações premiadas”, como na Santa Inquisição e nas piores ditaduras, como da Alemanha Nazista de Adolf Hitler, onde até os filhos eram forçados a "entregar" os pais.

Essas instituições golpistas buscam consumar o golpe, eufemisticamente denominado de “empeachment”, apoiado pelos Estados Unidos, para instaurar um Estado Policial no Brasil, pior do que o imaginado por George Orwell, em seu livro 1984, sem as mínimas liberdades civis e democráticas, sendo que até a presidenta República segue sendo espionada pela CIA e a Polícia Federal, sem nenhum controle republicano e popular, pois esses órgãos são ocupados por usurpadores, que não se submeteram ao sufrágio universal, ou seja, ao voto, em total desrespeito à Constituição Federal rasgada, que consagra que o poder emana do povo.

O objetivo do golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano é restabelecer a taxa de lucros dos monopólios, das empresas, dos bancos, dos latifundiários, sobretudo os estrangeiros, acabar com a Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, reduzir as pensões e as aposentadorias, acabar com o seguro-desemprego, terminar com os  programas sociais, como, por exemplo, “Bolsa Família”, “Minha Casa Minha Vida”, “FIES”, “PRONATEC”, “PRÓ-UNI”, etc., e se apoderar da Petrobrás e do Pré-Sal, como o imperialismo norte-americano fez na Iraque e na Líbia, apenas para exemplificar.  

O imperialismo norte-americano pretende, ainda, com a sua rapina, tirar o atraso, porque, no último período, perdeu espaço na América Latina, em razão de sua crise e decadência, para os imperialismos chinês e russo.

Obama não cumpriu até agora a sua promessa de campanha de fechar a prisão Guantánamo, onde os presos sem culpa formal, sem nenhuma acusação, são torturados diariamente. Pelo contrário, apoia a Nova Guantánamo, em Curitiba.

Além disso, Obama nada fez com relação aos assassinatos de Freddie Gray e  Michael  Brown, em Baltimore e Ferguson, respectivamente, quando o povo negro norte-americano se rebelou contra o seu governo, no mínimo conivente.

Historicamente, o falcão negro, Obama, será conhecido como traidor de seu povo.

Por outro lado, Macri mantém presa a líder indígena Milagro Sala e tem reprimido os movimentos populares e sociais na Argentina.

A “Administração Obama” (desde 2009/2016), em seus dois mandatos, patrocinou dezenas de golpes, só para exemplificar e resumir: Equador, 2010; Paraguai e Mali, 2012; Egito e Líbia, 2013; Tailândia, 2014 e Ucrânia, 2014, e Argentina, 2015, etc.; em andamento: Brasil, Chile, Irã, Venezuela, etc.  A média de golpes é superior a 1 por ano, na “Administração Obama”. Sem falar no apoio ao genocídio, cometido por Israel, contra o povo árabe/palestino, em mais uma traição de Barack Hussein Obama II. 

A Argentina, embora o governo Mauricio Macri tenha sido eleito, não deixa de ser um golpe também, porque este governa por decreto, indica para o ministério da relações exteriores, para chanceler, uma agente da CIA, como denunciou o presidente Maduro da Venezuela, ataca os movimentos populares e sociais, com prisões como a da líder indígena, Milagro Sala e volta-se para o Estado sionista e terrorista de Israel, cujo serviço secreto, o Mossad, vem exterminando os cientista iranianos. Inclusive, há uma polêmica, no seio do movimento operário e revolucionário, se houve ou não golpe na Argentina. 

Alejandro Acosta, entende que a eleição de Macri não foi golpe, porque ele até chegou a cooptar um setor do movimento sindical peronista, enquanto Rui Costa Pimenta do Partido da Causa Operária (PCO) diz que na Argentina houve golpe e exemplifica que Hitler assumiu o poder na Alemanha de forma democrática, tendo sido indicado chancelar, primeiro-ministro, pelo presidente Paul von Hindenburg. Depois, que ele assumiu o poder democraticamente, Hitler deu o golpe nazista, fazendo a provocação, com o incêndio no prédio (no Reichstag) do Parlamento Federal alemão, o  Bundestag . 

A TML entende que a razão nessa polêmica está com Rui Costa Pimenta, uma vez que o companheiro faz uma análise concreta da situação concreta, o que de fato aconteceu, sendo que o erro de Alejandro é que faz uma análise jurídica, formal, da ascensão de Macri.

Assim sendo, tendo em vista todo esse histórico, não há como não reputar de cínica e hipócrita a homenagem de Obama e Macri às vítimas da ditadura argentina. 

É o mesmo que os carrascos prestarem homenagem às sua vítimas.

Erwin Wolf

quinta-feira, 24 de março de 2016

Esquerda pequeno-burguesa realiza Ato pela democracia

A esquerda pequeno-burguesa realiza Ato pela democracia burguesa, sem coragem de combater de fato o golpe.

O Ato aconteceu no bairro de Pinheiros, na capital paulista, sendo que, de acordo com os organizadores, compareceram aproximadamente trinta mil pessoas, o que demonstra a vontade das massas de lutar contra o golpe em andamento.

Dentre os organizadores estiveram o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), liderado por Guilherme Boulos, a Esquerda Marxista (ex-PT, agora PSOL), e a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI).

Essas forças pequeno-burguesas, como não poderia deixar de ser, fizeram um Ato pela democracia burguesa, sem coragem de lutar concretamente contra o golpe em marcha no País.

Guilherme Boulos, líder do MTST, um dos agrupamentos mais importante, é o retrato da pequena-burguesia, oscilando ora em boicotar o movimento anti-golpista, ora, sob pressão das massas, flertar com o mesmo (ou seja, ora boicota, ora participa da luta contra o golpe), parece um barco à vela, segue de acordo com o vento.

Outro agrupamento importante é o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), que abriga diversos grupelhos. 

Uma parte desse setor já passou de malas e bagagem para o movimento golpista, como Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT/LER-QI), que já está participando em Atos dos coxinhas com camisas roxas e cartazes amarelos (nada de vermelho – o que demonstra que não são loucos e nem bobos, são sem-vergonha mesmo). E como o Movimento Negação da Negação (MNN), que defende a derrubada de Dilma e a prisão de Lula.

A Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) está evoluindo para a luta contra o golpe, tanto que participou da manifestação do dia 18/3, mas parece que tem um “tabu”, ou seja, não pode admitir o golpe contra Dilma e o PT, que até Luiz Almagro, o Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), tipo de organismo que é correia de transmissão dos interesses do imperialismo, que sendo verdadeiro covil de bandidos, como Lênin disse da Sociedade das Nações, a antecessora da Organização das Nações Unidas (ONU). Talvez a razão seja a política de seguidismo ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU).

Não temos notícia da participação do PSTU, mas este recentemente fez passeata em São José dos Campos, defendendo o “Fora Todos”, quer dizer “Fora Dilma”, o que não surpreende, porque dirige o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos  Campos, onde faz os conhecidos acordos traidores com a General Motors (GM) e na Embraer, sem falar que, sendo a diretoria do Sindicato dos Metroviários de São Paulo,  permitiu que o governo do Estado de São Paulo obrigasse os metroviários a fazer horas extras no domingo, dia 13/3, por ocasião da manifestação da direita coxinha.

Apesar da boa participação no Ato, conforme a avaliação dos organizadores, trata-se de uma liderança sem perspectiva, que tende ao isolamento, em razão do aumento da polarização e do enfrentamento, em breve, do movimento antigolpista e anti-imperialista, que vem mobilizando cada vez mais operários, trabalhadores, camponeses, jovens, estudantes, movimentos populares e sociais, que demonstra enorme disposição de lutar contra a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano. 

Erwin Wolf

Estudos em homenagem ao Centenário da Revolução Russa (1917-2017) (I): Teses de abril

A Tendência Marxista-Leninista dá início à Comemoração do Centenário da Revolução Russa que acontecerá no ano de 2017. 

Mesmo no calor do enfrentamento com a burguesia e o imperialismo norte-americano golpistas, na conjuntura brasileira atual, não podemos descuidar do estudo e da preparação teórica.

Assim, iniciaremos nossos Estudos em homenagem ao Centenário da Revolução Russa (1917-2017), publicando mais abaixo as famosas Teses de Abril, que completarão no mês que vem 99 anos. 

Em 9 de abril de 1917, Lênin, a esposa e outros camaradas viajaram de trem, retornando à Rússia, viagem essa facilitada pelo governo alemão que tinha interesse que a Rússia se retirasse da guerra, conforme a posição dos bolcheviques.

Foi nessa ocasião em que ele apresentou as famosas “Teses de abril”, elaboradas durante a viagem de volta.

Após a Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia, o Partido Bolchevique viveu uma crise de direção, porque “A marcha real da Revolução de Fevereiro ultrapassou o esquema habitual do bolchevismo.” (Leon Trotsky, “A História da Revolução Russa, 1º  vol. “A Queda do Tzarismo”,  pág. 271, Editora Paz e Terra, 3ª Edição, 1978), referindo-se a fórmula algébrica de Lênin de “ditadura democrática do proletariado e dos camponeses.”  “É verdade que a Revolução tinha sido levada a termo por meio de uma aliança dos operários com os camponeses. O fato de os camponeses agirem principalmente sob a farda dos saldados não alterava, em absoluto, a questão.” (Idem, pág. 271). A fórmula algébrica do Partido Bolchevique não dava resposta para o prosseguimento da política revolucionária. O partido vivia um impasse, uma crise de direção.

Com a chegada de Lênin, no dia 3 de abril de 1917, ele apresentou as suas famosas “Teses de Abril”, as quais faziam uma análise concreta da situação concreta: 

“O Proletariado consciente só pode dar seu consentimento a uma guerra revolucionária, que justifique verdadeiramente o defencismo revolucionário, sob estas condições: a) passagem do poder ao proletariado e dos setores mais pobres do campesinato a ele aliados; b) renúncia de fato, e não só de palavra, a qualquer tipo de anexação; c) ruptura de fato com todos os interesses do capital.”

Com isso foi aperfeiçoada a linha programática do Partido Bolchevique: 

“A luta pelo rearmamento dos quadros bolchevique, iniciada na tarde de 3 de abril, terminou, pràticamente, no fim do mês. A conferência do Partido, realizada em Petrogrado de 24 a 29 de abril, tirava conclusões de março, mês de tergiversações oportunistas, e de abril, mês de crise aguda. O Partido, naquela época, crescera consideràvelmente, tanto em quantidade como em valor político. Os 149 delegados representavam 79 mil membros do Partido, dos quais 15.000 de Petrogrado. Para um partido ainda ontem ilegal e hoje antipatriota, era um número imponente, e Lenine menciona-o repetidamente com satisfação.(...)” (Idem, pág. 280). 

Resolveu-se, assim, o impasse do Partido Bolchevique e a crise de direção revolucionária que ele viveu.

G. Plekânov, ensinou que:  

“A modificação mais ou menos lenta das “condições econômicas” coloca perìodicamente a sociedade ante a inelutabilidade de reformar com maior ou menor rapidez suas instituições. Esta reforma jamais se produz “espontâneamente”.  Ela exige sempre a intervenção dos homens, diante dos quais surgem, assim, grande problemas sociais. E são chamados de grandes homens precisamente aquêles que, mais que ninguém, contribuem para a solução destes problemas.(...).”  (“A Concepção Materialista da História, pág.  111, Editora Paz e Terra, 4ª Edição, 1974). 

Segue a conclusão de Trotsky sobre essa crise de direção revolucionária que viveu, após a Revolução Russa de Fevereiro de 1917, o maior partido operário marxista revolucionário da História, o Partido Bolchevique:

“Da importância excepcional que teve a chegada de Lenine, deduz-se apenas que os líderes não se criam por acaso, que a seleção e a educação deles exigem dezenas de anos, que não se pode suplantá-los arbitràriamente; que, excluindo-os automàticamente da luta, causamos ao Partido uma ferida profunda e que, em certos caos, podemos até paralisá-lo por longo tempo.” (“A História da Revolução Russa, 1º  vol. “A Queda do Tzarismo”, pág. 281,  Editora Paz e Terra, 3ª Edição, 1978).

Os bolcheviques, com a palavra de ordem “Todo poder aos sovietes”, chegaram ao poder, sendo que Lênin liderou o governo soviético, sendo Presidente do Comissariado do Povo.

Seguem abaixo as Teses de Abril:

TESES DE ABRIL [*] 

As Tarefas do Proletariado na Presente Revolução V.I. Lênin 

Tendo chegado a Petrogrado apenas na noite de 3 de abril, é natural que só em meu próprio nome e com reservas devido a minha insuficiente preparação, posso pronunciar na Assembléia do dia 4 de abril, um informe sobre as tarefas do proletariado revolucionário. 

A única coisa que pude fazer para facilitar meu trabalho, e o dos meus contraditores de boa fé, foi preparar teses escritas. Eu as li e entreguei o texto ao camarada Tseretéli. Eu o li muito depressa e por duas vezes: primeiro na reunião dos bolchevique, e depois na dos bolcheviques e mencheviques. 

Publico aqui estas teses que são pessoais, acompanhadas de notas explicativas muito breves; elas foram desenvolvidas com maiores detalhes no meu relatório. 

TESES 

1. Em nossa atitude diante da guerra, que em relação à Rússia continua sendo indiscutivelmente uma guerra imperialista, de rapina, mesmo sob o novo governo de Lvov e Cia., em virtude do caráter capitalista deste governo, é intolerável qualquer concessão ao "defensismo revolucionário". O proletariado consciente só deve dar seu consentimento a uma guerra revolucionária, que justificaria realmente o verdadeiro defensismo revolucionário, sob as seguintes condições: a) passagem do poder às mãos do proletariado e dos setores mais pobres do campesinato, ligados ao proletariado; b) renúncia efetiva, e não verbal, a toda anexação; c) ruptura completa de fato com todos os interesses do Capital. Diante da inegável boa fé de amplas camadas da massa de partidários do defensismo revolucionário que apenas admitem a guerra como uma necessidade e não visando conquista, diante do fato de serem elas enganadas pela burguesia, é necessário esclarecer-lhes seu erro de modo minucioso, perseverante e paciente, explicar-lhes a ligaçã
o indissolúvel do Capital com a guerra imperialista e demonstrar-lhes que sem derrubar o capital é impossível por fim à guerra com uma paz verdadeiramente democrática e não com uma paz imposta pela violência. Organização da propaganda, de forma a mais ampla, em torno desta maneira de ver, no seio do exército combatente. Confraternização na frente.

2. O que há de original na situação atual da Rússia, é a transição da primeira etapa da revolução, que deu o poder à burguesia por causa do grau insuficiente de consciência e organização do proletariado, à sua segunda etapa, que deve dar o poder ao proletariado e às camadas pobres do campesinato. Esta transição é caracterizada, por um lado, por um máximo de possibilidades legais (a Rússia é hoje em dia, de todos os países beligerantes, o mais livre do mundo); por outro, pela ausência de violência contra as massas, e enfim, pela confiança irracional das massas em relação ao governo dos capitalistas, estes piores inimigos da paz e do socialismo. Esta peculiaridade exige que nós saibamos nos adaptar às condições especiais do trabalho do Partido no seio da numerosa massa proletária que começa a despertar para a vida política. 

3. Nenhum apoio ao governo provisório; demonstrar o caráter inteiramente mentiroso de todas suas promessas, notadamente daquelas que se referem à renúncia às anexações. Desmascarar este governo, que é um governo de capitalistas, em vez de defender a inadmissível e ilusória "exigência" de que deixe de ser imperialista. 

4. Reconhecer que nosso partido está em minoria e não constitui no momento senão uma fraca minoria na maior parte dos Sovietes de deputados operários, face ao bloco de todos os elementos oportunistas pequeno-burgueses submetidos à influência da burguesia e que estendem esta influência ao seio do proletariado. Estes elementos vão dos socialistaspopulistas e dos socialistas-revolucionários ao Comitê de Organização (Tchkhéidze, Tseretéli, etc.), a Stéklov, etc., etc. Explicar às massas que os Sovietes de deputados operários são a única forma possível de governo revolucionário e que, conseqüentemente, nossa tarefa, enquanto esse governo se deixa influenciar pela burguesia, só pode ser a de explicar pacientemente, sistematicamente, insistentemente, às massas os erros de sua tática, partindo essencialmente das necessidades práticas das massas. Enquanto estivermos em minoria, nos dedicaremos a criticar e a explicar os erros cometidos, sempre afirmando a necessidade da passagem de todo o poder aos Sovietes de deputados operários, a fim de que as massas se libertem de seus erros pela experiência. 

5. Não uma república parlamentar - voltar a ela após os Sovietes de deputados operários seria um passo atrás - mas uma república de Sovietes de deputados operários, assalariados agrícolas e camponeses no país inteiro, de alto a baixo. Supressão da polícia, do exército e da burocracia. (Nota 1 de Lênin: quer dizer, substituição do exército permanente pelo povo armado) O ordenado dos funcionários, eleitos e revogáveis a qualquer momento, não deve exceder o salário médio de um operário qualificado. 

6. No programa agrário transferir o centro de gravidade para os Sovietes de deputados de assalariados agrícolas. Confisco de todas as terras dos grandes proprietários. Nacionalização de todas as terras no país e sua colocação à disposição dos Sovietes locais de deputados de assalariados agrícolas e camponeses. Formação de Sovietes especiais de deputados camponeses pobres. Transformação de todo grande domínio (de 100 a 300 hectares inclusive, levando em conta as condições locais e outras e de acordo com a decisão dos órgãos locais) em uma fazenda-modelo colocada sob o controle dos deputados de assalariados agrícolas e funcionando por conta da coletividade local. 

7. Fusão imediata de todos os bancos do país em um Banco Nacional único, colocado sob o controle dos Sovietes de deputados operários. 

8. Nossa tarefa imediata não é a "implantação" do socialismo, mas passar unicamente à instauração imediata do controle da produção social e da distribuição dos produtos pelos Sovietes de deputados operários. 

9. Tarefas do partido: a) convocar sem demora o congresso do partido b) modificar principalmente o programa do partido: c) sobre o imperialismo e a guerra imperialista, d) sobre a atitude em relação ao Estado e nossa reivindicação de um "Estado-Comuna" (quer dizer, um Estado cujo protótipo nos deu a Comuna de Paris) e) emendar o programa mínimo, que envelheceu; f) mudar a denominação do partido (Em lugar de "socialdemocracia", cujos líderes oficiais trairam o socialismo no mundo inteiro, passando-se para o lado da burguesia , devemos denominarmo-nos Partido Comunista). 

10. Renovação da Internacional. 

Tomar a iniciativa da criação de uma Internacional revolucionária, de uma Internacional contra os social-chauvinistas e contra o "centro".
(Nota 4 de Lênin: Na social-democracia internacional se chama "centro" à tendência que vacila entre os chovinistas (ou "defensistas") e os internacionalistas, isto é: Kautsky & Cia. na Alemanha, Longuet & Cia. na França, Chjeídze & Cia na Rússia, Turati & Cia. na Itália, McDonald & Cia. na Inglaterra, etc) 

Para que o leitor compreenda porque tive de encarar especialmente, como absolutamente excepcional o "caso eventual" de contraditores de boa fé, convido-o a comparar estas teses com a seguinte objeção do senhor Goldenberg: Lênin - disse - "plantou o estandarte da guerra civil no seio da democracia revolucionária" (citado no nº 5 do Edinstvo do Sr. Plekhánov). 

Não é uma pérola, na verdade? 

Eu escrevo, eu declaro, eu repito: "Dada a inegável boa vontade de amplas camadas da massa de partidários do defensismo revolucionário. . . e dado que elas são enganadas pela burguesia, é necessário esclarecer-lhes sobre seu erro com uma perseverança, uma paciência e um desvelo todo particulares. . ." 

Ora, eis como estes senhores da burguesia, que se dizem social-democratas, que não fazem parte nem das amplas camadas nem da massa dos defensores, expõem sem escrúpulos minhas opiniões, interpretando-as assim: "plantou (!) o estandarte (!) da guerra civil (sobre a qual não foi dita uma palavra nas teses, sobre a qual não foi dita uma palavra no relatório!) "no seio (!!) da democracia revolucionária. . ." 

O que isto quer dizer? Em que isto difere da propaganda dos ultras? Em que se diferencia da Russkaya Vólia? Eu escrevo, declaro, eu repito: "Os Sovietes de deputados operários são a única forma possível de governo revolucionário e, conseqüentemente, nossa tarefa só pode ser a de explicar pacientemente, sistematicamente, insistentemente, às massas os erros de sua tática, partindo essencialmente de suas necessidades práticas. . ." 

Ora os contraditores de uma certa espécie apresentam minhas idéias como um apelo à "guerra civil no seio da democracia revolucionária" !! 

Eu tenho atacado o Governo Provisório porque ele não fixou nenhum prazo aproximado, sequer um prazo em geral, para a convocação da Assembléia Constituinte, e se limitou a promessas. Eu me dediquei a demonstrar que sem os Sovietes de deputados operários e soldados, a convocação da Assembléia Constituinte não está assegurada e seu sucesso é impossível. 

E me colocam como adversário de uma convocação imediata da Assembléia Constituinte!! 

Eu qualificaria estas expressões de "delirantes" se algumas dezenas de anos de luta política não me tivessem feito aprender a considerar a boa fé dos contraditores como algo absolutamente excepcional. 

O Sr. Plekhánov qualificou, no seu jornal, meu discurso de "delirante". Muito bem, senhor Plekhánov! Mas veja como o senhor é desajeitado, inábil e pouco perspicaz na sua polêmica. Se, durante duas horas, eu pronunciei um discurso delirante, como centenas de ouvintes puderam suportar meu "delírio" ? E depois, por que seu jornal dedica uma coluna para a exposição deste "delírio" ? Isto não tem lógica, sr. Plekhanov, não tem nenhuma lógica. 

É muito mais fácil, naturalmente, exclamar, injuriar em altos brados, que tentar narrar, explicar, relembrar a forma com a qual Marx e Engels analisaram em 1871, 1872, 1875 a experiência da Comuna de Paris e o que eles disseram sobre o tipo de Estado que o proletariado necessita. 

Pelo visto, o Sr. Plekhánov, ex-marxista, não quer se lembrar do marxismo. 

Eu citei as palavras de Rosa Luxemburgo que em 4 de agosto de 1914 qualificou a socialdemocracia alemã de "cadáver putrefato". E os senhores Plekhánovs, Goldenger & Cia se sentem "ofendidos" . . . em nome de quem? Em nome dos chovinistas alemães, qualificados de chauvinistas!

Os pobres social-chouvinistas russos, socialistas de palavras e chouvinistas de fato, embrulharam-se. [*] 

Publicado em 7 de abril de 1917 no " Pravda".”

Atentados na Bélgica: marxistas são contra o terror individual

Os atentados ocorridos na Bélgica, no dia 22/3, cometidos pelos irmãos Khalid e Ibraim el Bakroani, que detonaram explosivos, no Aeroporto Internacional de Zaventem, no nordeste de Bruxelas, e na Estação de Metrô de Maabeek, no Centro da capital Belga, onde morreram aproximadamente 30 pessoas e ficaram feridas mais de 270,  com o Estado Islâmico reivindicando os ataques.

Esses atentados precisam ser analisados politicamente e exigem um posicionamento dos marxistas.

Como ensinou o filósofo holandês, Baruch Spinosa, “Não rir, nem chorar, mas compreender”.

É preciso desde já deixar ressaltado e bem claro que, como marxistas, somos contra o terrorismo individual, como ensinou Leon Trotsky, em seu texto “Por que os marxistas se opõem ao terrorismo individual”, de novembro de 1911:

Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.
(...)
Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.

Colocada essa premissa fundamental, vamos desenvolver nossa análise.

O imperialismo Europeu têm uma atuação histórica de opressão colonial na África e no Oriente Médio. Depois, foi ultrapassado pelo imperialismo norte-americano.

Hoje, juntamente com os Estados Unidos e os países ligados à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a França e a Bélgica armaram inicialmente o Estado Islâmico, que a pretexto de fanatismo religioso desenvolve uma política fascista, levando a barbárie à Síria e ao Iraque.

Porém, ao que tudo indica, os Estados Unidos e os demais países imperialistas ligados à OTAN perderam o controle sobre seus aliados do Estado Islâmico, como aliás já ocorreu historicamente com outros aliados de Washington, da Casa Branca, como Sadan Hussein, do Iraque, na guerra contra o Irã, e de Osama Bin Laden, na guerra contra a URRS (a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), no Afeganistão.

Como marxistas, nos colocamos contra a política fascista do Estado Islâmico e defendemos a formação de um partido operário leninista na Síria e no Iraque para derrotar os fascistas e lutar um governo dos Estados Unidos Socialistas do Oriente Médio.

Prosseguindo, o capitalismo hoje, na sua fase de decadência imperialista, passa por crises sucessivas cada vez maiores e mais profundas, sendo certo que somente a revolução mundial poderá sepultar esse regime de exploração do homem pelo homem.

Kautski imaginou o surgimento de um surper-imperialismo, com a atenuação da luta de classes, com a passagem ao socialismo de forma pacífica.

Todavia,  Lênin é que tinha razão. Para o líder do Partido Bolchevique, a nossa época é imperialista, a época da fusão do capital industrial e bancário, formando o capital financeiro, é a época dos monopólios, de reação em toda linha, de guerras e revoluções. As contradições na fase imperialista, ao invés de se atenuarem, elas se exacerbam, chegam ao paroxismo, com a atuação da ONU, que como disse Lênin de sua antecessora, a Sociedade das Nações, é  um covil de bandidos, e suas forças armadas, a OTAN.

Agora com a ascensão dos imperialismo do Bloco Eurásico, ou seja, da China e da Rússia, países que, por serem ex-estados operários realizaram as chamadas tarefas democráticas, conseguindo expulsar o imperialismo e fazer a reforma e revolução agrária, obtiveram uma verdadeira independência nacional, e com a liberação das forças produtivas, em razão de ter vigorado, nas sociedades de transição ao socialismo que viveram, a lei da economia planificada em contradição com a lei do valor (conforme estudos do revolucionário e economista russo Eugênio  Preobrajenski, em sua obra “A Nova Econômica”), puderam liberar as forças produtivas, o que permitiu desenvolverem-se como países imperialistas, sendo que hoje exportam capitais e disputam mercados com os principais imperialismos tradicionais, isto é, Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha e Japão.

Assim, a disputa imperialista que, aparentemente, havia se “acomodado” com a passagem do Estados Unidos para a liderança dos países imperialistas, superando a Inglaterra (chegou-se a falar na “Pax americana”), agora com a ascensão do Bloco Sino-russo, as contradições imperialistas voltaram a se exacerbar.

O Bloco Eurásico fundou recentemente, em 15 de julho de 2014, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como o Banco do Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), com um aporte inicial de 100 bilhões de dólares, o que coloca em xeque a hegemonia do dólar, estabelecida nos acordos de Bretton Woods, desde 1944.

A China avança na América e os Estados Unidos provocam escaramuças com ela nos Mares do Sul da China.

A Rússia está em conflito com os Estados Unidos na Ucrânia. Recentemente, uma avião comercial russo foi derrubado no Egito, matando centena de pessoas, provavelmente por intervenção do enclave sionista e terrorista de Israel, sustentado pelo imperialismo norte-americano. Além disso, um caça russo foi derrubado pela Turquia, ligada à OTAN, matando um dos pilotos. Sem dúvida, há o acirramento das disputas imperialistas, o que coloca a possibilidade da deflagração da III Guerra Mundial, sendo que, como revolucionários internacionalistas, nos colocamos pela derrota das burguesias nacionais e imperialistas.

A China avançou nos mercados da América Latina, comprando commodities da Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela (carne, minério de ferro, soja, petróleo, etc), enquanto vende usinas nucleares para a Argentina, exporta capitais, etc. Por isso, que os Estados Unidos jogam pesado, com a política golpista, para substituir os governos latino-americanos, visando a “quebra dos contratos”, logicamente com a China e a Rússia, porque os contratos com eles, Estados Unidos, devem ser honrados.

Na Argentina, Macri governa por decreto e impõe uma ditadura. Com certeza, vai tentar romper os contratos com a China e com a Rússia, pois voltou-se para os Estados Unidos, colocando uma espiã da CIA como chanceler, como ministra da relações exteriores, e também para o enclave sionista e terrorista de Israel. Inclusive, já deteve a líder indígena Milagro Sala, que está fazendo greve de fome, correndo risco de morte.

Essa experiência da Argentina precisa ser estudada pelo movimento operário e popular brasileiro e latino-americano, tendo em vista o chamado efeito Orloff, ou seja, a vitória da direita golpista, da burguesia pró-imperialista coloca a criminalização dos movimentos sociais e populares. A Bolívia, o Chile, o Equador, o Uruguai e a Venezuela poderão ser a Argentina amanhã, sendo que, no Brasil, o golpe em marcha está bem avançado, e os golpistas pretendem apear Dilma e o PT do governo no mês que vem, em abril.

Assim, com o acirramento das disputas inter-imperialistas, o que está colocado para o proletariado mundial é construir uma nova Internacional Comunista, Operária e Revolucionária, a partir das seções nacionais nos países imperialistas, como os Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Japão, China e Rússia, nos semi-coloniais, como Argentina, Brasil, México, Índia, África do Sul, e na Palestina ocupada, para a revolução social, e nos Estados operários burocratizados, como Cuba e Coreia do Norte, para a revolução política, com a estratégia da revolução socialista mundial.

Erwin Wolf

quarta-feira, 23 de março de 2016

Até a OEA reconhece o golpe para derrubar Dilma e o PT

Numa democracia, “nenhum juiz está acima da lei”, como até reconhece o Luiz Almagro, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (OEA), órgão que como a Organização das Nações Unidas (ONU), não passam de correia de transmissão da política imperialista de rapina dos Estados Unidos, de reação em toda linha. 

Não há como não lembrar do dramaturgo alemão, Bertold Brecht, "Infeliz a nação que precisa de heróis".

Lênin disse da antecessora da ONU, a Sociedade das Nações, que esta era um covil de bandidos.

Assim, até a OEA reconhece o golpe em andamento contra a presidente Dilma e o PT.

Anita Garibaldi

Deliberar Atos contra o golpe na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos

A CIA, o FBI e os falcões da Casabranca, de Washington, Estados Unidos, estão por trás do golpe em marcha no Brasil, para derrubar a presidente Dilma Rousseff e o PT.

É daí, do imperialismo norte-americano, que vem a força “invisível” do Juiz Moro, defensor da política do PSDB tucano, diretor da Nova Guantánamo de Curitiba, onde as pessoas são torturadas, a pretexto de "prisões cautelares" ("prisões temporárias" e "prisões preventivas"), para que sejam obtidas "confissões" e "delações premiadas", a exemplo do que aconteceu na Alemanha de Hitler, onde os filhos eram forçados a entregarem até os pais, e do que acontece atualmente na prisão norte-americano, em Guatánamo.

Além disso, os golpistas, além de terem aprovado a "Lei Antiterrorismo", para criminalizar os movimentos populares e sociais, pretendem a semana que vem aprovarem mais leis repressivas, derrubando e resgando de vez a Constituição da República, a exemplo do que fez o Supremo com a presunção de inocência.

Os golpistas estão assentando as bases não para um golpe paraguaio, mas um verdadeiro Pinochetazzo no Brasil, com o aumento da legislação repressora, de fazer inveja ao  Ministro Armando Falcão da ditadura militar, ou seja, a legislação repressora dos golpistas é pior do que a Lei de Segurança Nacional dos militares.

Numa democracia, “nenhum juiz está acima da lei”, como até reconhece o Luiz Almagro, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (OEA), órgão que como a Organização das Nações Unidas (ONU), não passam de correia de transmissão da política imperialista dos Estados Unidos.

Lênin disse da antecessora da ONU, a Sociedade das Nações que esta era um covil de bandidos.

O poder judiciário não é um órgão neutro, porque seus membros são conservadores e reacionários, que invariavelmente defende os interesses da burguesia nacional e do imperialismo, sobretudo o norte-americano. É o único poder em que seus membros não são eleitos, não se submetem ao sufrágio universal, não se submetem ao controle do povo, os quais, tendo em vista a filosofia de Rousseau e Montesquieu, devem ser considerados usurpadores. Seus membros encontram-se espalhados pelos estados da federação, muitos notórios neo-nazistas, colocados em evidência pela mídia sensacionalista, antidemocrática e golpista.

O judiciário é o mesmo historicamente que entregou Olga Benário aos nazistas e a Hitler e que recentemente condenou os nossos companheiros do Partido dos Trabalhadores sem provas, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato.”, e que agora rasgou a Constituição da República, acabando com a presunção de inocência.

Como disse Ruy Barbosa, “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.” Por sorte esse ensinamento é apenas parcialmente verdadeiro, pois há sim para quem recorrer: ao povo.

Assim sendo, a TML conclama os companheiros da Frente  Brasil Popular, o PT, o PCdoB, o PCO, a CUT, a CTB, o MTS, MTST, UNE e UBES, para deliberar Atos contra o golpe e anti-imperialista na embaixada e nos consulados dos Estados Unidos.  

- Derrotar o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano!

- Expulsar o imperialismo!

Anita Garibaldi

Golpistas tentam pressionar o Ministro da Justiça

O Superior Tribunal de Justiça intimou o Ministro da Justiça, Eugênio Aragão, a prestar
esclarecimentos sobre a sua entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo, em que disse que combateria vazamentos ilegais nas investigações realizadas pela polícia federal golpista.

A entrevista de Aragão é clara, sendo certo que a atitude do STJ visa apenas intimidar ao governo federal, em mais um ataque golpista.

O poder judiciário não é um órgão neutro, porque seus membros são conservadores e reacionários, que invariavelmente defende os interesses da burguesia nacional e do imperialismo, sobretudo o norte-americano. É o único poder em que seus membros não são eleitos, não se submetem ao sufrágio universal, não se submetem ao controle do povo, os quais, tendo em vista a filosofia de Rousseau e Montesquieu, devem ser considerados usurpadores. Seus membros encontram-se espalhados pelos estados da federação, muitos notórios neo-nazistas, colocados em evidência pela mídia sensacionalista, antidemocrática e golpista.

O judiciário é o mesmo historicamente que entregou Olga Benário aos nazistas e a Hitler e que recentemente condenou os nossos companheiros do Partido dos Trabalhadores sem provas, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato.”, e que agora rasgou a Constituição da República, acabando com a presunção de inocência.

Como disse Ruy Barbosa, “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.” Por sorte esse ensinamento é apenas parcialmente verdadeiro, pois há sim para quem recorrer: ao povo.


Escutaram, golpistas?

Anita Garibaldi

EUA, CIA, Globo e Moro provam do próprio veneno

A Rede Globo em seu Portal queixou-se da “ação midiática”  de Dilma, no Ato no Palácio do Planalto, em que a presidenta denunciou o golpe em marcha para toda a imprensa internacional e para o mundo.

Acostumada a promover ações midiáticas cinematográficas, a la Silvester Rambo Stalone, a Rede Globo não gostou de que o Planalto a imitasse.

A Rede Globo e os golpistas precisam aprender que pau que bate em Chico, bate em Francisco, e que quem com ferro fere, com ferro será ferido!

Aparecida Garibaldi

Golpistas seguem perseguindo a torcida e o Corinthians

O vice-presidente  do Corinthians, André Luiz de Oliveira, o André Negão, em mais uma ação midiática, foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal, em São Paulo.

Esse é mais um ataque dos golpistas à maior torcida do Estado de São Paulo e a segunda maior do País, porque ela colocou-se contra o golpe, como denunciou o representante das Associação Brasileira das Torcidas Organizadas, no Ato realizado, quinta-feria, dia 17/3, na Faculdade de Direito da USP, do Largo São Francisco.  

Os torcedores corinthianos estenderam faixas contra o golpe nas arquibancas da Arena de Itaquera, na quarta-feira, 16, dia do jogo do Corinthians contra o Cerro Portenho pela Copa Libertadores da América, tendo sido duramente reprimidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, que sequer pediu para que eles retirassem as faixas antes.

Além disso, os torcedores do Corinthians vêm denunciando o roubo da merenda escolar no Estado de São Paulo, em que é acusado Fernando Capez do PSDB, presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Ignácio Reis

terça-feira, 22 de março de 2016

Contribuição para uma Plataforma de lutas contra o golpe em marcha

Mobilização permanente e ação direta das massas

Daqui prá frente, com base na rica experiência do proletariado Latino-americano contra os golpes de estado, a Tendência Marxista-Leninista propõe a seguir uma plataforma de lutas para desarmar e esmagar o golpe (“empeachment”):

- Que o PT rompa com a política de colaboração de classes, frente populista!

- Que o PT rompa com os partidos burgueses, como o PMDB, PRT, PSD, etc. e destitua os ministros burgueses!

- Que o PT, Lula e Dilma coloquem o Governo Federal e todos os governos do PT, como por exemplo, a Prefeitura de São Paulo, contra o golpe!

-  Que o PT abandone a política de ajuste fiscal!

- Que o PT revogue todas as medidas contra a Petrobrás e contra o Pré-sal!

- Que as fábricas e os bancos que fizerem lockout sejam ocupados e expropriados!

- Que o governo rompa a concessão de serviço público da Rede Globo, da Rede Bandeirantes, Rádio Globo, CBN, e demais emissoras golpistas!

- Que o MST ocupe imediatamente os latifúndios!

- Que sejam marcadas manifestações contra os golpistas estrangeiros, nos consulados e embaixadas dos principais países imperialistas, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha e Japão! 

- Prisão imediata de todos os golpistas da Imprensa, da FIESP, da FIRJAN, do Judiciário, do Ministério Público!

-  Prisão dos comerciantes que remarcarem preços!

-  Estender os Comitês de autodefesa contra o golpe por todo o Brasil, nas fábricas, nos bancos, nos campos, nas escolas, nas universidades, nas centrais sindicais, nos sindicatos, nos movimentos populares e sociais, nas cidades, nos bairros e nos quarteirões!

Tendência Marxista-Leninista

domingo, 20 de março de 2016

Não à fortaleza Europa!

O movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista (TML) no PT, reproduz abaixo a Declaração “Não à fortaleza Europa”, elaborada pelo Groupe Marxiste Internationaliste (GMI), da França, o qual integra o Coletivo Revolução Permanente (CoReP), formado pelo Gruppe Klassenkampf, da Aústria, Revolução Permanente, do Peru,  o Movimento ao Socialismo, da Rússia (em processo de integração ao CoReP) e a Tendência Marxista-Leninista, do Brasil (em processo inicial de integração ao CoReP). Tal declaração, embora tenha sido inicialmente elaborada pelo GMI, da França, contou com a adesão das demais seções do CoReP, inclusive a TML, que a assinou. A tradução portuguesa é de nossa responsabilidade exclusiva, ou seja, desta Tendência Marxista-Leninista - TML. Para maior segurança, tendo em vista a nossa insuficiência linguística, sugerimos aos leitores que acessem os blogs do CoReP das seções de língua espanhola e francesa. 

Não à fortaleza Europa!

Abertura das fronteiras aos refugiados, trabalhadores e aos estudantes!

Depois de Janeiro de 2016, 132.000 pessoas entraram na Europa (mais de 100.000 pela Grécia) trinta vezes mais do que no ano anterior, durante o mesmo período. Em seu quase totalidade, eles fogem guerras, a pobreza ou a perseguição das potências imperialistas, especialmente os da União Europeia, são os principais responsáveis. Desde 2015, mais de 1,2 milhões de pedido asilo registados pela União Europeia. Por dois anos, 7000 deles morreram às portas da Europa, incluindo centenas afogado.

Eles e elas são tratados  de  maneira absolutamente desumana, como recentemente a evacuação violenta de parte da "selva" de Calais pelo CRS. Os governos burgueses europeus "democrática" Merkel, Hollande, Cameron, Renzi ...aplicam o programa de Pegida, da FN, do BNP, da UKIP, do FPO, do PS (Verdadeiros Finlandeses), do Jobbik, da I´ XA (Golden Dawn), do PVV, do SD ...:  o assassinato em massa por afogamento árabes, negros, afegãos, para o apartheid para os sobreviventes.

Os governos capitalistas repelem e expulsam os refugiados sírios

Então, na cúpula da UE em 7 de março, a chanceler alemã Angela Merkel apresentou um plano que antimigrantes, onde propõe a deportá-los para a Turquia todos refugiados chegarem "ilegalmente" na Grécia. O plano "germanoturco" foi negociado por Berlim e Ankara e foi aceito pelos 28 governos da União Europeia. Ele planeja voltar para a Turquia todos os sírios chegaram à Grécia pela rede contrabandistas de extorsão para estabelecer mais tarde, um "corredor humanitário" em um "1 síro admitido contra 1 sírio deportado ". Deportados são então encurralados na Turquia, onde mais de 2,7 milhões pessoas que já vivem em acampamentos. Para chegar à cúpula de 7 de Março planeja financiar-se 6 bilhões ao governo islâmico turco e facilitar a obtenção de vistos para a sua jurisdição.

Esse plano bárbaro de deportação e regresso dos refugiados segue as várias medidas nacionalistas que cada burguesia Europeia implementou, em violação das regras da UE (Acordo de Schengen) contra os trabalhadores da Ásia e da África. Incapazes de acomodar 2 a 3 milhões de pessoas (por uma população europeia de 500 milhões de dólares) a maioria dos estados burgueses europeus restauraram os controles de fronteira, que imitam o governo Orbán da Hungria, que havia inaugurado em 2015. Para atingir o mesmo que se gabava de ter derrubado o arame farpado erguido Muro de Berlim, levantam o arame farpado, com  os covarrdes cães policiais, no espaço Schengen e suas fronteiras, e prendem os imigrantes.

Os acordos de Schengen explodiram. Sete países nesta área já restabeleceram os controles nas fronteiras (França, Alemanha, Bélgica, Áustria, Dinamarca, Noruega, Suécia). O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk claramente advertiu aos refugiados que eles não são bem-vindas, gritando "não venham à Europa! "(Le Monde, 03 de março de 2016). À medida que os países dos Balcãs seguem a decisão da Áustria de fechar suas fronteiras, os chefes de Estado confirmaram o bloqueio dos refugiados em solo grego "fluxos migrantes irregulares ao longo da rota dos Balcãs Ocidentais já terminou "(Declaração dos Chefes de Estado da União Europeia, 07 de março de 2016). Para classificar e deportar esses trabalhadores, governo grego abriu centros de triagem, a UE financiar até 300 milhões de euros em uma "ajuda humanitária". Em 2016, a UE também reforçou sua política no Mediterrâneo (Frontex) e atendeu a demanda de Merkel, da OTAN com os marines ingleses, para que a patrulha francesa, desde fevereiro no Egeu, "salvasse" barcos de imigrantes e "levasse para a Turquia”.

As medidas xenófobas ameaçam se espalhar para os cidadãos da UE. Assim, o governo Cameron requer para manter a Grã-Bretanha na UE do que os trabalhadores de outros países membros tem o direito de ser explorada, mas nenhum benefício da proteção social antes dos 7 anos de presença em território britânico.

A classe operária deve unir-se para forçar a abertura das fronteiras e parar o bombardeio imperialista!

O sistema imperialista mundial, ou seja, grupos capitalistas globais e governos que servem os interesses dos capitalistas de seu país (EUA, China, Alemanha, Japão, França, Grã-Bretanha, Rússia ...), detém a maioria do mundo na miséria. Os estados imperialistas envolvidos militarmente nos países dominados (Iraque, Líbia, Síria, Ucrânia, Mali ...). poderes regionais (Arábia Saudita, Irã, Israel ...) que estão relacionados com alguns deles tomar parte em guerras outros países (Síria, Iraque, Iêmen ...) ou colonizar (Palestina).

O imperialismo é a principal causa de milhões de trabalhadores migrantes, trabalhadores e jovens para a Europa (ou América do Norte). O capitalismo em decomposição carrega muito fascismo. Por um lado, partidos xenófobos e fascistas possuem um pedaço da lógica racista dos partidos burgueses "Democrática", reforçando-os nas eleições. Os bandos nazistas atacaram imigrantes na Grécia Alemanha, Suécia ... No Oriente Próximo, as bandos islamo-fascistas promovida ontem (EIDaech) ou hoje (Al-Nosra) pelos  EUA, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Israel, Turquia e as monarquias do Golfo estão atacando o movimento dos trabalhadores, das mulheres, das minorias religiosas e nacional ...

Apenas a classe trabalhadora hoje é progressiva. Só ele pode romper com o capitalismo em declínio, para o qual existem muitas pessoas em termos de potencial de lucro, só ela pode garantir desenvolvimento dos países dominados, satisfazendo todas as necessidades básicas por meio de coletivização produção e planejamento por parte dos agricultores, proteger o meio ambiente da espécie humana. Os trabalhadores migrantes são parte da classe trabalhadora, bem como a sua componente nacional origem, sua luta é a mesma.

Nós devemos se reconectar com o internacionalismo proletário, construir uma Internacional dos Trabalhadores revolucionárias ".

Em toda a Europa, todos os sindicatos, todos os partidos operários devem exigir:

Abaixo o plano da UE de expulsão dos refugiados sírios! Fechamento dos campos de detenção! Liberdade tráfego, instalação e emprego para todos os trabalhadores migrantes e suas famílias! Liberdade de circulação e de residência para os estudantes que desejam visitar a Europa ou formar-se!

Mesmos direitos, incluindo política, para todos os trabalhadores!

Parar o bombardeio e ação na Síria e Iraque das forças especiais e Armada americana, russa, belga, britânica, dinamarquêsa, francesa, holandesa! Fechamento de todas as bases militares dos EUA, russos, franceses e britânicos na região!

Fim da perseguição policial aos refugiados e de Roms! Abolição das leis xenófobas! Dissolução da Frontex! Organização de defesa conjunta entre trabalhadores nacionais e os migrantes contra a repressão policial e ataques fascistas e racistas!

Pelos Estados Unidos socialistas da Europa , a Federação socialista do Mediterrâneo!”