quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Senado completa o golpe para Temer fazer a guerra civil contra o povo

O Senado Federal aprovou o “impeachment”/golpe contra presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT), por 61 votos a 20.

Além disso, num conchavo vergonhoso com os golpistas, foram garantidos os “direitos políticos” da presidenta Dilma Rousseff por 42  a 36.

Tal fato demonstra que o Partido dos Trabalhadores (PT) , o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), etc., já chegaram a um “Acordão” com os golpistas, o que terá consequências ainda mais danosas aos trabalhadores e às condições de vida da população. 

A ditadura Temer alienou a Soberania Nacional

A ditadura Temer alienou a Soberania Nacional, por meio de seu ministro usurpador José Serra, sendo que Michel Temer assume mais como um governador do 51º Estado dos Estados Unidos, do que como presidente do Brasil.

O Plano “Uma ponte para o futuro” do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB – que vem desde a ditadura militar de 1964) significa um ataque sem precedentes às condições de vida dos trabalhadores e da população, que nem os militares de 1964 a 1985 ousaram aplicar no País. 

A aplicação desse plano significará a escravização e recolonização do Brasil. 

Os militares de 1964 atacaram a Consolidação da Leis do Trabalho (CLT) retirando a estabilidade decenal (originalmente o trabalhador que completasse 10 anos na empresa adquiria estabilidade), mas em compensação estabeleceram o regime do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). Agora os golpistas de 2016 querem acabar com a CLT. 

É uma ameaça de rebaixar o Brasil de semicolônia para uma colônia norte-americana, uma espécie de Porto Rico, ou até mesmo pior.

Ditadura Temer significará uma guerra civil contra as condições de vida do povo

A Tendência Marxista-Leninista entende que o golpe inicia sua fase ditatorial, em razão da necessidade da burguesia e do imperialismo norte-americano, tentar salvar o capitalismo brasileiro, buscando a aplicação do “Plano uma ponte para o futuro”, apresentado pelo PMDB,  do golpista Michel Temer.

Esse Plano do imperialismo norte-americano visa acabar com toda a legislação trabalhista, com a Consolidação da Leis Trabalhista (CLT), aumento da jornada de trabalho par 80 horas semanais, aposentadoria aos 70 anos, terceirização/precarização e volta do trabalho escravo, assalto aos recursos bilionários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Previdência Social, entrega do Pré-sal causando um prejuízo de trilhões de reais, ou seja, do petróleo brasileiro para a Chevron e a Shell, congelamento dos recursos para a Saúde, Educação e Saneamento básico por 20 anos, fim dos programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Pró-une, Fies, Ciência sem fronteira, Mais médicos, desindustrialização, desemprego, fome, miséria, violência urbana, etc.

Tal Plano é inspirado nas teorias da Escola de Chicago, de Milton Friedman, que inspirou o golpe de estado, a ditadura de Pinochet no Chile. 

Os defensores da Escola de Chicago chegaram a dizer que a experiência chilena foi prejudicada pela ditadura de Pinochet. Porém, na verdade, a aplicação das teorias de Milton Friedman no Chile, somente foi possível por causa do Pinochetazzo que torturou e matou milhares de pessoas.

Então, a burguesia e o imperialismo norte-americano sabem que para a aplicação de seu Plano precisam se apoiar numa enorme e brutal repressão.

Além disso, os golpistas sabem que nenhum aparato repressivo, por mais forte que seja, resiste à ação direta das massas. A história já demonstrou isso com as revoluções.

O Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir.  

Assim, neste momento, com o golpe “parlamentar” transformando-se em um governo ditatorial, iniciando uma verdadeira guerra civil contra o povo, como revelam os acontecimentos ontem de São Paulo, antes mesmo do governo golpista assumir definitivamente, cumpre aos marxistas revolucionários seguir impulsionando a resistência ao golpe.

A ditadura Temer coloca em risco a unidade nacional

A ditadura Temer impulsionará forças centrífugas dentro do País, colocando em risco a unidade nacional, como aconteceu com nossos vizinhos de colonização espanhola na América Latina e a exemplo do que está ocorrendo na Europa com a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, com o “Brexit”.

As burguesias reacionárias e ultraconservadoras de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais, juntamente com as burguesias de Mato Grosso (comandada por um paranaense) e de Goiás, colocam em risco a unidade nacional, por suas atuações em detrimento dos Estados do norte e do nordeste. 

Assim, a chance do Brasil se dividir, em ao menos dois, é muito grande a partir de agora, com a política a ser implementada pelos golpistas, que acirrará as contradições regionais. 

A crise mundial do capitalismo

A crise mundial de 2008, causada pela “bolha imobiliária” dos Estados Unidos, quando a classe média americana endividada não conseguiu mais efetuar os pagamentos da casa própria, levando à falência de bancos, como o Lehman Brothers, chegou de forma retardatária ao Brasil em 2013.

O governo frente populista de Dilma havia tomado algumas medidas visando evitar a chegada da crise, com a isenção de impostos, como o IPI, para as montadoras, vinculadas diretamente ao imperialismo norte-americano e europeu, bem como para a burguesia paulista, da linha branca (geladeira, fogão, máquina de levar, etc.), o que logicamente fracassou, porque não há como reformar o capitalismo moribundo. 

Essa política paliativa de isenções fiscais do PT apenas retardou as consequências da crise, mas não a impediu.  

O reflexo disso no Brasil, foram as chamadas Jornadas de Julho de 2013, quando trabalhadores da classe média, vinculadas ao setor de serviços (comércio, bancos, financeiras, etc),  sobretudo a paulistana demonstraram profundo descontentamento com manifestações gigantescas contra os governos federal de Dilma Rousseff, do PT, como também o governo do Estado de São Paulo, de Geraldo Alckmin.

Rapidamente a extrema-direita, por meio de provocadores, conseguiu cooptar o movimento, impedindo violentamente bandeiras vermelhas, inclusive espancando os militantes de esquerda, sendo que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), não teve coragem de reagir, enrolando suas bandeiras e fugindo do confronto com os fascistas, com a extrema-direita.

Essa ação da extrema-direita permitiu que a burguesia opositora, vinculada ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), passasse a aproveitar o descontentamento de setores da classe média, principalmente nas grandes capitais e grandes cidades, canalizando no sentido de impulsionar o golpe contra o governo Dilma do PT.

O objetivo do golpe é reverter a queda da taxa de lucros da burguesia e do imperialismo norte-americano, em razão de que a crise do capitalismo mundial de 2008, que chegou de forma retardatária no Brasil em 2013, agravada pela queda dos preços das “commodities”, dos produtos primários brasileiros de exportação, como o petróleo, o minério de ferro, a carne, a soja, etc., agravada, ainda, em razão da concorrência dos imperialismos chinês e russo, que ganharam espaço na América Latina e no Brasil, com a crise norte-americana e em detrimento dos Estados Unidos.

Embora a vanguarda operária revolucionária tenha desde essa época advertido para o perigo de golpe da burguesia opositora, a direção do PT, a CNB (Construindo um Novo Brasil), ignorou as advertências e continuou agindo como nada estivesse acontecendo, o que desarmou a luta contra o golpe.

A burguesia opositora passou a financiar o golpe, por meio de milionários recursos, bem como utilizando-se do monopólio da mídia 24 horas a favor do golpe, para promover enormes manifestações aos domingos, até com passagem grátis de metrô, com liberação das catracas, pelo governo golpista tucano do PSDB de São Paulo.

O movimento operário e popular, em razão de suas direções burocráticas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), vinculadas ao PT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), vinculada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) teve muita dificuldade inicialmente para se contrapor às manifestações da burguesia opositora. 

Apenas mais no final do ano passado foi que a essas direções conseguiram mobilizar os setores mais organizados, os quais fizeram gigantescas manifestações pelo país afora, mas com um eixo de luta rebaixado, ou seja, apenas de luta pela manutenção da democracia burguesa (que não passa da ditadura do capital), sem uma perspectiva revolucionária de colocar as reivindicações transitórias da classe operária, subordinando a ação direta à luta parlamentar no Congresso Nacional, isto é, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

As instituições burguesas antidemocráticas e golpistas

Ocorre que o Congresso Nacional é formado com base em eleições profundamente antidemocráticas, com base no financiamento privado de campanhas com dinheiro dos bancos, das grandes empreiteiras e das grandes empresas, com o tempo de propaganda no rádio e na televisão apenas para os grandes partidos da burguesia, com os partidos operários e populares dispondo apenas de alguns segundos!

Além disso, a democracia burguesa (na verdade a ditadura do capital) no Brasil, era extremamente limitada, sendo que o aparato repressivo havia sido mantido intacto, com a Constituição de 1988, que sequer o PT a assinou, por causa de suas extremas limitações, coisa que pouca gente se lembra hoje. Infelizmente, essas “instituições”  repressoras foram aumentadas pelo próprio PT que criou a “Força Nacional de Segurança”. Sem falar que o aparato repressivo privado da burguesia aumentou sobremaneira com a proliferação de “empresas de segurança”, organizadas por policiais e militares, para trabalharem nas “horas vagas”, fazendo “bicos”, constituindo-se em verdadeiras organizações paramilitares.  

Essa Constituição permite, ainda, que no Poder Judiciário, os magistrados não sejam eleitos, não se submetam ao sufrágio universal, ao voto, ou seja, ao controle do povo, assim como outras “instituições permanentes”, como o Ministério Público, a Polícia Federal, entes públicos que acabam sendo ocupados por usurpadores que impulsionaram o golpe.

Essas “instituições permanentes” foram fundamentais para o processo golpista, sendo que, na preparação do golpe, o Supremo Tribunal Federal se deu ao luxo, ao requinte, de “afastar” o principal líder do golpe, o capitão do golpe, acusado de possuir 9 contas em bancos suíços, com 8,6 milhões de dólares, depois dele ter feito todo o trabalho sujo. Mas tal “afastamento” foi apenas formal, um espécie de licença, isto é, ficou dispensado de comparecer às dependências da Câmara dos Deputados, todavia Cunha continua recebendo vencimentos, salários, e todas as vantagens do cargo, inclusive a manutenção de assessores e funcionários e mansão para morar, ou seja, foram mantidas as mordomias.

O Supremo Tribunal Federal tem uma longa lista de trabalhos prestados à burguesia e ao imperialismo norte-americano e, inclusive à Alemanha nazista, historicamente, como a entrega a Hitler da militante comunista Olga Benário Prestes, assim como da condenação sem provas dos militantes do PT, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato”, e a supressão do princípio democrático da presunção de inocência. 

Num espetáculo circense, demonstrando o total despreparo da quase totalidade dos deputados federais, a Câmara dos Deputados votou por 367 a 137, o encaminhamento do golpe (pedido de “impeachment”) para o Senado Federal. 

Em seguida, na madrugada do dia 12 de maio passado, o Senado Federal aprovou por 55 a 22 (com 2 ausências) o afastamento da presidenta Dilma Rousseff do PT, por meio de golpe “parlamentar”, eufemisticamente chamado de “empeachment”.

O golpe foi dado a pretexto de “pedaladas fiscais” (uma espécie de empréstimo do governo junto aos bancos públicos para pagar as contas referentes aos programas sociais da população mais pobre, como Bolsa Família, por exemplo), uma prática comum de todos os governos, inclusive o governo burguês neo-liberal de Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), assim como dos governadores e prefeitos. Como se diz no Brasil: uma desculpa esfarrapada.

O Partido dos Trabalhadores (PT) não votou a Constituição Federal de 1988, como já dissemos, porque entendia que o aparato repressivo da ditadura militar havia sido mantido intacto. Infelizmente, o PT foi se aburguesando e criou essa força de repressão, que juntamente com a proliferação das “empresas de segurança” e das “guardas civis” aumentaram ainda mais o aparato repressivo contra os trabalhadores e o movimento popular, principalmente o povo jovem, pobre e negro das periferias das cidades.

Como nos ensinou o falecido médico, historiador e dirigente do Partido Comunista Brasileiro, Leôncio Basbaum, em sua obra “História Sincera da República, de 1961 a 1967”, pág. 121, Editora Alfa-Omega, 1977:

“Até há poucos anos, a segurança nacional era antes de tudo a segurança da pátria contra um possível inimigo externo. As manobras militares imaginam um inimigo vindo do exterior, por mar ou por terra e toda a estratégia de defesa era então revista, pelo menos teoricamente. Era uma estratégia defensiva. Mas nestes últimos anos, sobretudo depois que as personalidades civis e militares norte-americanas começaram a fazer conferência na ESG (Escola Superior de Guerra – Nota de Ignácio Reis), o conceito de “segurança nacional” se refere sobretudo a um inimigo interno”.

Essa é a doutrina da “Segurança Nacional”, elaborada pelo General Golbery do Couto e Silva, do “Grupo da Sorbonne” a dita “inteligentsia” do Exército, teoria essa baseada no nazista Hermann Goering, que trata o povo brasileiro como inimigo interno.

Assim, as chamadas “forças de segurança”, ao invés de se colocarem para a defesa da pátria, são aliadas de nossos inimigos externos, os imperialismos norte-americanos, europeus e asiáticos e da burguesia nacional, estando voltadas com o povo brasileiro, o inimigo interno.

As Olimpíadas permitiram o avanço da especulação imobiliária, pois o setor patrocina a repressão à população pobre na ânsia para conseguir retomar os espaços ocupados pelos pobres, motivo pelo qual é criado esse estado de terror na cidade, inclusive com a atuação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que não têm nada de pacificadoras, mas sim de aterrorizadoras. 

Acrescente-se que, às vésperas do golpe, Dilma Roussef e o ministro da Defesa da época, Aldo Rebelo, do PCdoB, conseguiram  transferir para exercer cargo burocrático o general Antônio Hamilton Mourão, do Comando Militar Sul, um dos postos de comando do Exército mais importante, o que fez “declarações dadas a oficiais da reserva na qual fez duras críticas à classe política, ao governo e convocou os presentes para “o despertar de uma luta patriótica.” e ainda “fez uma homenagem póstuma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto no dia 15 deste mês, acusado de torturar presos durante o regime militar”, o torturador da presidenta Dilma Rousseff, conforme notícia veiculada na mídia golpista na época.

Mas insistimos, o Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir. Nenhum aparato repressivo tem condições de conter a ação direta das massas, como comprovaram as revoluções.  

Assim, com a participação desses “instituições” permanentes, consumou-se o golpe de estado da burguesia e do imperialismo norte-americano.

Ofensiva imperialista dos Estados Unidos e da OTAN na Ameríca Latina e no Mundo

A crise do capitalismo é terminal. Nem a Inglaterra e a França conseguem manter uma fachada de democracia burguesa (que como insistimos, não passa da ditadura do capital), pois, na última, François Hollande, presidente, e Manuel Valls, primeiro-ministro, governam com base no estado de emergência (espécie de estado de sítio, decerto modo um eufemismo jurídico).   

O imperialismo norte-americano, para superar a sua crise, além de oprimir ainda mais o seu povo, como os negros nas cidades americanas (por exemplo, os assassinatos de negros pela polícia em Baltimore, Ferguson e outras) partiu para uma política de recolonização dos povos, e busca colocar no poder governos títeres, como a ditadura de Michel Temer.

Para tanto, a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano chegaram a um consenso em torno do vice-presidente Michel Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) para substituir  Dilma Rousseff no poder. 

O PMDB foi um partido criado na ditadura militar (1964/1985) que deu sustentação ao ao bipartidarismo dos governo dos militares juntamente com a Aliança para Renovação Nacional (ARENA), o partido dos militares.

Temer elaborou um programa econômico, denominado “Uma ponte para o futuro”, uma verdadeira aberração neo-liberal, um verdadeira guerra civil contra os trabalhadores e a maioria oprimida nacional, que pretende suprimir os direitos dos trabalhadores, constante da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma conquista dos trabalhadores há mais de 70 anos, promovendo a terceirização (precarização/escravidão), reduzir ou acabar com a previdência social, com as aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, assim como os programas sociais do PT, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pró-uni, Pronatec, etc

Assim, é mais um golpe patrocinado pelo imperialismo norte-americano na América Latina, como o ocorrido anteriormente em Honduras, no Paraguai, na Venezuela (derrotado posteriormente com a volta do presidente Hugo Chavez) e Argentina, sem falar dos demais pelo mundo, como na Líbia, Síria, Tailândia, Egito, Ucrânia, etc.

O golpe na Argentina merece uma observação especial, pois embora a burguesia pró-imperialista tenha tomado o governo pelo voto, governa por decreto, prende as lideranças dos movimentos populares e sociais, como a líder indígena Milagro Sala, e persegue a líder das Mães da Praça de Maio, Dona Hebe de Bonafini, coloca como chanceler, como ministra de relações exteriores, a agente da CIA, Susana Malcorra, vincula-se ao Estado sionista e terrorista de Israel. Isso ocorreu também na Alemanha, onde a ascensão de Hitler foi de forma democrática, pois ele foi designado primeiro-ministro pelo presidente Paul von Hindenburg, mas logo, numa provocação, incendiou o Raichstag, o parlamento alemão, depois deu iniciou à II Guerra Mundial.

A liderança do golpe coube à embaixadora norte-americana Liliane Ayalde, golpista profissional, que havia organizado o golpe no Paraguai, a qual foi expulsa da Venezuela pelo presidente Maduro, mas que infeliz e desgraçadamente veio para o Brasil.

O golpe contou, ainda, com total colaboração das “instituições” burguesas permanentes, como o Poder Judiciário, Ministério Público Federal, Polícia Federal (a polícia política do golpe), porque tais “instituições” são controladas de forma permanente pela burguesia, por meio de usurpadores que não são eleitos, não são submetidos ao sufrágio universal, ao voto, isto é, não são controlados pelo povo.

A burguesia e o imperialismo utilizaram as “instituições”, como o Supremo Tribunal Federal, que rasgou a Constituição Federal, condenando os companheiros do PT sem provas, com base na nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato”, acabou com o devido processo legal e o direito do contraditório e da ampla defesa, instituindo em Curitiba, capital do Estado do Paraná, uma Nova Guantánamo, com as pessoas sendo presas sem culpa formada, as chamadas “prisões cautelares” (“prisões temporárias” e “ prisões preventivas”) para se obter  “confissões” e “delações premiadas”, prisões essas que são verdadeira torturas, em total violação aos direitos humanos, logo em seguida acabando com o princípio da presunção de inocência e agora culminando com a cobertura dada ao “impeachment”/golpe.

O golpe para a implantação da ditadura Michel Temer conta com a supressão da liberdades democráticas e dos direitos civis da população, com assassinatos de líderes populares e sociais, como os irmãos Jesser Batista Cordeiro, 29, e seu irmão, Nivaldo Batista Cordeiro, 32 anos, foram assassinados, em Buritis, Rondônia, que pertenciam à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), e estavam desaparecidos desde o dia 24 de abril, sendo que seus corpos foram encontrados boiando próximo a linha C-50, Km 25, Porte Rio Formoso. Eles eram do Acampamento 10/5.

Também recentemente, a militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Edilma Aparecida Vieira dos Santos, de 36 anos, foi baleada numa passeata, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.


Além disso, a líder indígena Kaiowá, Marinalva Manuel, de 27 anos de idade, que participou de um protesto no Supremo Tribunal Federal, reivindicando 1.500 hectares de terra para sua comunidade de 28 famílias, foi assassinada a golpes de faca, sendo que seu corpo foi encontrado no dia 1º de maio, em Dourados, Mato Grosso do Sul.


Ainda recentemente, a Polícia Militar do Paraná fez uma emboscada e massacrou mais de 20 sem-terras, militantes do MST, matando 2 e ferindo os demais, massacre promovido a mando da empresa Araupel, de reflorestamento e beneficiamento de madeira, que fica no sudoeste do Paraná, no município de Quedas do Iguaçu, o mesmo estado  que o ano passado massacrou professores, deixando muitos feridos, agora massacram os sem-terras.

Acrescente-se, que o presidente do PT da cidade de Mogeiro, na Paraíba, Ivanildo Francisco da Silva foi assassinado neste ano.

Demais disso, recentemente, militantes do PT foram presos em Belo Horizonte e em Governador Valadares.

Ontem, dia 30/8, houve uma brutal repressão de uma manifestação pelo “Fora Temer” na Avenida Paulista, pela Polícia Militar (treinada e armada até os dentes pelo Estado terrorista e sionista de Israel) do Estado de São Paulo, governada pelo tucano do PSDB, Geraldo Alckmin.

Além disso, as pessoas pensam que o golpe foi um processo apenas “parlamentar”, “institucional”. Mas o golpe é um conjunto de atos de força. Apenas para exemplificar: as “prisões cautelares” (“prisões temporárias” e “prisões preventivas”, em Curitiba), não foram tortura?; o presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, que substituiu o golpista Eduardo Cunha, e havia suspenso o processo de “impeachment”/golpe, por meio de despacho requerendo a devolução dos autos que estavam no Senado, foi ameaçado de cassação e até de prisão, tendo “voltado atrás.”;  as atuações midiáticas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e do Estado de São Paulo; os sequestros de Lula, Zé Dirceu, Guido Mantega. Poderíamos enunciar uma infinidade de exemplos mais.

A inviabilidade da democracia burguesa

O  Brasil é um país atrasado, uma semicolônia, onde o imperialismo oprima a nação e, por seu lado, a burguesia nacional oprime o conjunto da nação, sobretudo o proletariado e os camponeses pobres.

A democracia burguesa, que é a ditadura do capital, com o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano demonstra a inviabilidade da democracia burguesa, de um regime constitucional ou do Estado democrático de direito.

Tanto que a nossa Constituição da República de 1988, a chamada “Constituição Cidadã”, que apesar de manter intacto o aparato repressivo, que inclusive, poucos se recordam, fez com que o PT não a assinasse, vinha sendo desnaturada há muito tempo, tendo hoje 91 Emendas.

Tal Constituição recebeu o golpe fatal com o processo do “impeachment”/golpe, mas antes ela já havia sido golpeada pelo Supremo Tribunal Federal golpista, com a condenação sem provas dos militantes do PT, bem como com a votação do fim do princípio da presunção de inocência.

Antigamente, a democracia formal burguesa era possível nos países capitalistas avançados, todavia agora com a crise terminal do capitalismo, nem países como a França e os próprios Estados Unidos são capazes de mantê-la.

Na França, a exemplo do que está acontecendo no Brasil, os capitalistas atacam os direitos trabalhistas e previdenciários da população, enquanto nos Estados Unidos a polícia, também como no Brasil, promove o genocídio do povo pobre e negro.

A única saída para a humanidade é o socialismo.

O fracasso da política de colaboração de classes do PT

O golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano marca o fracasso da política de colaboração de classes do PT (“frente populista”), isto é, a política de alianças com os partidos burgueses como o próprio PMDB, PP, PSB, PDT, etc., que ao longo dos últimos anos traiu os interesses históricos da classe trabalhadora brasileira.


O PT soma-se ao Partido Comunista Brasileiro como uma experiência frustrada dos trabalhadores brasileiros de construir um partido buscando sua independência de classe.

O desembarque dos partidos burgueses da frente de colaboração de classes impulsionou o golpe, sendo que restou apenas com o PT, no máximo, a sombra da burguesia, como dizia Trotsky.  

Essa política de colaboração de classes tem impedido o aprofundamento e a ampliação da luta contra o golpe, por semear ilusões parlamentares, constitucionais, legalistas, desarmando politicamente a luta contra o golpe, jogando areia nos olhos dos trabalhadores.

O movimento operário e popular contra todas essas arbitrariedades dos golpistas tem promovido mobilizações, mas não conseguiu deter o golpe, em razão da política de colaboração de classes e de capitulação da direção do movimento, que impediu que a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo derrotassem o golpe.

Importante apontar as vacilações do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que impulsiona a Frente Povo Sem Medo, liderada por Guilherme Boulos, os quais tiveram uma atuação centrista inicialmente, ao não se colocar contra o golpe, para fazê-lo apenas no final, ainda sim de forma claudicante.

Por outro lado, a política traidora do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), que defendia o “Fora Todos”, que na verdade era o “Fora Dilma”, e de setores do Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), os quais flertaram com o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) não participou da luta contra o golpe, somando mais essa traição à sua história.

Já a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) enxergou o golpe apenas no último momento, não tendo travado nenhuma luta, pouco se diferenciando da direção do PT, assim como o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores – Liga Estratégica Revolucionária (MRT/LER-QI).

Uma excrescência foi a posição do Movimento Negação pela Negação (MNN) que chegou a participar das manifestações da burguesia entreguista, pedindo até a prisão de Lula. 

Após a votação na Câmara dos Deputados enviando o processo de “impeachment”/golpe ao Senado Federal, que o admitiu também, o PT passou a buscar um acordo com os golpistas, abandonando a ação direta, a luta nas ruas, acreditando que seria possível chegar a um acordo com os golpistas, o que aplainou o terreno para a consumação do golpe.

Assim, o PT, enquanto instrumento de luta dos trabalhadores, fracassou completamente, em razão de sua política de conciliação e colaboração de classes (frente populista).

Reorganizar a vanguarda: construir o partido marxista operário revolucionário e a Internacional operária e revolucionária

Assinale-se que a vanguarda operária revolucionária, os trotskistas da TML, estiveram e estão na linha de frente da luta contra o golpe, assim como o Partido da Causa Operária (PCO), a Coletivo Socialista Livre, o Coletivo Espaço Marxista e a Gazeta Operária. 

Agora com o golpe consumado, com a instauração da ditadura Temer/Cunha, a resistência têm de dar um salto de qualidade, com um trabalho paciente de explicação aos operários, aos trabalhadores, aos camponeses, aos jovens e aos estudantes, preparando-os para a luta pelas liberdades democráticas, como também para enfrentar os ataques que virão do “programa econômico” da ditadura Temer, sempre utilizando os métodos de luta da ação direta das massas, motivo pelo qual o movimento operário e popular deve preparar e organizar, uma greve geral por tempo indeterminado, com a eleição dos comandos de greve, nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, nos campos, nas empresa rurais, nas escolas e nas universidade para derrubar a ditadura Temer/Cunha, para que esta seja um curto episódio histórico no Brasil.

Para tanto, a Tendência Marxista-Leninista entende que a partir de agora, tendo em vista  a desorientação e, consequente capitulação, da direção majoritária do Partido dos Trabalhadores, mais do que nunca é urgente o reagrupamento da vanguarda operária revolucionária, no sentido de sua independência de classe, visando a construção de um partido operário marxista revolucionário, para que este busque liderar a nação oprimida, em aliança com os camponeses pobres e lute por um governo operário e camponês, para a realização das tarefas democráticas como expulsão do imperialismo, reforma agrária e revolução agrária, combinada expropriação das fábricas, empresas, bancos, universidades, escolas, empresas agrícolas, expropriação dos latifúndios e do campo, monopólio do comércio exterior e economia planificada, bem como  por uma Internacional operária e revolucionária, rumo ao socialismo. 

- Não ao golpe!

- Abaixo a ditadura Temer/Cunha!

- O povo na rua derruba a ditadura Temer/Cunha!

- Fascistas não passarão!

- Liberdade de manifestação e expressão!

- Liberdade de organização!

- Não à criminalização dos movimentos sociais e populares!

- Liberdade para os presos políticos! Liberdade para Zé Dirceu e João Vaccari!

- Dissolução da Polícia Federal (a polícia política do golpe) e da Polícia Militar!

- Preparar e organizar a greve geral!

- Organizar as milícias operárias e populares a partir dos sindicatos!

- Por um governo operário e camponês!

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Começa a guerra civil contra o povo no Brasil: brutal repressão em São Paulo

Ontem, dia 29/8, dia em que a presidente Dilma compareceu ao Senado Federal para se defender no processo de “impeachment”/golpe, uma manifestação pelo “Fora Temer” golpista, na Avenida Paulista, foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar do Estado de São Paulo,  treinada e armada até os dentes pelo Estado sionista e terrorista de Israel, e dirigida pelo governador tucano do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin. 

Além dessa manifestação em São Paulo, ocorreram diversas manifestações pelos demais estados da Federação brasileira e no Distrito Federal, Brasília, no dia de ontem.

Já hoje pela manhã, em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou vias e rodovias na cidade de São Paulo, com as Avenidas Nove de Julho, Francisco Morato, Jacu-pêssego, Radial Leste, e rodovias como a Regis Bittencourt, ou seja, a manifestação envolveu toda a Grande São Paulo.

Todavia, a manifestação de ontem na Avenida Paulista se sobressaiu em razão da feroz repressão:

“Enquanto a presidente afastada respondia a perguntas de senadores em Brasília, cerca de 3.000 pessoas, segunda a organização do ato protestavam contra o governo interino de Michel Temer.

Chamado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, compostas por organizações como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e CMP (Central dos Movimentos Populares), o protesto se aproximava do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), apoiadora do processo contra Dilma, quando foi dispersado por bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral lançadas pela tropa de choque da PM.” (Folha de S. Paulo, 30/8).

A manifestação dirigia-se para a frente do prédio da Fiesp, onde fascistas/vagabundos acampam e são sustentados pela Fiesp. Aí a tropa de choque da Polícia Militar atacou aos manifestantes brutalmente com bombas. 

“A ideia inicial era ocupar o prédio, na frente de onde acampam manifestantes pró-impeachment, mas ele foi cercado por grades e policiais.

Após as primeiras bombas, manifestantes passaram a atirar objetos nos policiais. Foram montadas barreiras em diversos pontos da avenida e de ruas próximas, queimando-se lixo, lixeiras e até uma cadeira. Lixeiras de concreto foram arrastadas para a via.

“Um barbárie. O governo Geraldo Alckmin protegendo a Fiesp, e para isso reprime a manifestação pacífica. É melhor decretar que não pode passar manifestação em frente a Fiesp. Governo ilegítimo sempre tem que usar a força para reprimir manifestações”, disse Raimundo Bonfim, coordenador da CMP.”  (Idem).

Aí a manifestação virou uma batalha campal:

“O ato se reagrupou, mas foi repetidamente dispersado por bombas. Parte dos manifestantes correu então para a rua da Consolação, virando lixeira até a altura da praça Roosevelt, no centro. A PM não utilizou balas de borracha.

De acordo com relato ouvido pela Folha, foram lançadas bombas também dentro da estação de metrô Consolação. “Ninguém conseguia respirar nem enxergar”, afirmou uma jovem, que pediu para não ser identificada. Ela disse que voltava do trabalho.”

(...) O estudante Christian Joel, 18, estava com a cabeça sangrando. Ele saía do cursinho quando foi atingido com um cassete.”  (Idem),

Por outro lado, alguns fascistas foram espancados pelos manifestantes:

“Um grupo de manifestantes agrediu um homem que gritava “viva a PM” e tentava desobstruir a via na altura da rua Bela Cintra. Eles o chamaram de fascista...” (Idem).

A Tendência Marxista-Leninista entende que o golpe inicia sua fase ditatorial,  em razão da necessidade da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, para tentar salvar o capitalismo brasileiro, busca a aplicação do “Plano uma ponte para o futuro”, apresentado pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB - partido que vem desde a ditadura militar), do golpista Michel Temer.

Esse Plano do imperialismo norte-americano visa acabar com toda a legislação trabalhista, com a Consolidação da Leis Trabalhista, aumentar a jornada de trabalho para 80 horas semanais, aposentadoria aos 70 anos, assalto aos recursos bilionários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Previdência Social, entrega do Pré-sal causando um prejuízo de trilhões de reais, ou seja, a entrega do petróleo brasileiro para a Chevron e a Shell a preço de banana (como Fernando Henrique Cardos fez com a Companhia Vale do Rio Doce, que acabou com o Rio Doce, prejudicando o Estado de Minas Gerais e Espírito Santo), congelamento dos recursos para a Saúde, Educação e Saneamento básico por 20 anos, fim dos programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Pró-une, Fies, Ciência sem fronteira, Mais médicos, etc.

Tal Plano é inspirado nas teorias da Escola de Chicago, de Milton Friedman, que inspirou o golpe de estado, a ditadura de Pinochet no Chile. 

Os defensores da Escola de Chicago chegaram a dizer que a experiência chilena foi prejudicada pela ditadura de Pinochet. Porém, na verdade, a aplicação das teorias de Milton Friedman, no Chile, somente foi possível por causa do Pinochetazzo que torturou e matou milhares de pessoas.

Então, a burguesia e o imperialismo norte-americano sabem que para a aplicação de seu Plano precisam se apoiar numa enorme repressão brutal.

Os acontecimentos de ontem de São Paulo e de outros lugares apontam que a tendência é ocorrer um enfrentamento do movimento operário e popular que vem demonstrando muita disposição de luta, apenas contido em razão das direções, reformistas, socialdemocratas, stalinistas e burocratas, que desenvolvem uma política de conciliação e colaboração de classes (frente populista), como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), os quais tendem a ser superados por um reagrupamento de uma nova vanguarda operária e revolucionária, com o acirramento da luta de classes.

Além disso, os golpistas sabem que nenhum aparato repressivo, por mais forte que seja, resiste à ação direta das massas, a história já demonstrou isso com as revoluções.

O Exército tem pés de barros, porque o grosso de suas fileiras é formado por filhos de  operários e de camponeses pobres, sendo que num confronto com o povo, ele tende a se dividir.  

Assim, neste momento, com o golpe “parlamentar” transformando-se em um governo ditatorial, iniciando uma verdadeira guerra civil contra o povo, como revelam os acontecimentos ontem de São Paulo, antes mesmo do governo golpista assumir definitivamente, cumpre aos marxistas revolucionários seguir impulsionando a resistência ao golpe.

Essa resistência passa pela defesa da ação direta, buscando a preparação e a organização de uma greve geral, com comandos eleitos nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, no campo, nas empresas agrícolas, nas escolas e universidades.

Além disso, é fundamental que sejam organizados comitês de autodefesa, as milícias operárias e populares a partir dos sindicatos, rumo ao armamento do proletariado e dos camponeses, na perspectiva de instauração de um governo operário e camponês, para cumprir as tarefas democráticas, como expulsão do imperialismo e reforma e revolução agrárias, rumo ao socialismo, com a expropriação dos meios de produção, das  empresas, das fábricas, dos bancos, do campo, dos latifúndios, as empresas agrícolas, edificando uma economia planificada, com o monopólio do comércio exterior.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dilma se defende no Senado e denuncia o golpe

A presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT) compareceu ao Senado Federal para fazer sua defesa no processo de “impeachment”/golpe, patrocinado pela burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano.

Inicialmente, chamou a atenção a abertura profundamente reacionária do presidente do golpista Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovski, que preside as sessões do processo de “impeachment”/golpe no Senado Federal, ameaçando aos presentes com aplicação do reacionário Regimento Interno do Senado caso se manifestassem, o que demonstra o tamanho da farsa ditatorial de todo esse processo!!!

Dilma defendeu-se dizendo que não cometeu crime de responsabilidade, que as pedaladas fiscais, na época, não eram proibidas pelo Tribunal de Contas da União, e que o golpe é uma trama, com ardis, capitaneado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

A presidenta falou do boicote da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ao seu governo, às suas propostas políticas, como também do boicote e sabotagem dos empresários e banqueiros à economia.

Dilma mencionou o seu passado, quando foi torturada e presa durante anos pela ditadura militar de 1964, tendo assistido ao assassinato de companheiros.  

Além disso, referiu-se ao golpe da burguesia entreguista e imperialismo norte-americano contra Getúlio, em 1954, das tentativas de golpe contra a Jucelino Kubitschec, do golpe contra João Goulart, primeiro com a “Emenda do parlamentarismo”, em 1961, que foi um golpe, revertido por Jango, e depois com o golpe militar de 1964 que o derrubou.

A defesa de Dilma mais uma vez demonstra o golpe de estado, apesar da limitação de sua política democratizante, ou seja, apesar de defender o do estado de direito, de defender a democracia, que concretamente é a defesa da democracia burguesa, que é a ditadura do capital.

Por outro lado, é importante frisar que a direção majoritária do PT, por sua política de conciliação e colaboração de classes (frente populista), confusamente, restringiu a luta contra o golpe ao terreno “parlamentar”, à defesa no processo de “impeachment”/golpe, isto é, reduziu a luta contra o golpe apenas à defesa de Dilma no Senado Federal, abandonou a luta contra o golpe nas ruas, abandonou as mobilizações contra o golpe, sem preparar e organizar a greve geral.   

O governo golpista, a partir de agora, deverá tentar aplicar as medidas impopulares do plano “Uma ponte para o futuro” e outras já aprovadas pelo covil de bandidos do Congresso Nacional, como o congelamento das despesas com saúde, educação e saneamento básico por 20 anos, fim da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aposentadoria aos 70 anos, jornada semanal de 80 horas, fim dos programas sociais (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida,  Pró-uni, Pronatec, Ciência sem fronteiras, etc.), além do que já entregaram o Pré-Sal, um prejuízo de trilhões de reais para o Brasil.

O plano dos golpistas, que significará o fim da soberania nacional, a escravização e recolonização do Brasil, não tem condições de ser aplicado pacificamente, o que explica a necessidade do golpe para a burguesia entreguista e imperialismo norte-americano. 

Então, para atacar a população brasileira, principalmente a maioria oprimida nacional, os golpistas estão preparando uma verdadeira guerra civil contra o povo, sendo certo que estão apoiados nas Forças Armadas, na Polícia Militar, na Força Nacional, nas guardas civis e metropolitanas, nas “empresas de segurança”, verdadeiras organizações paramilitares. Ou seja, todo esse aparato repressivo deverá ser jogado contra a população, sobretudo pobre e negra das periferias das cidades, o que poderá aumentar ainda mais o genocídio que assistimos hoje.

Assim, neste momento cumpre superar a política de conciliação e colaboração de classes (frente populista) do PT, e imprimir uma enorme resistência aos golpistas, visando derrotar e esmagar o golpe, a exemplo do que fez o povo turco recentemente, ou seja, baseada na ação direta das massas, indo para as ruas, e preparando uma greve geral, com comandos eleitos, nas fábricas, nas empresas, nos bancos, no campo, nos latifúndios, nas empresas agrícolas, nas escolas e nas universidades, forjando comitês de autodefesa, as milícias operárias e populares, a partir dos sindicatos.

Para tanto, precisamos construir um partido operário marxista e revolucionário, com o objetivo de organizar a classe operária de forma independente, para realizar as tarefas democráticas, expulsar o imperialismo e realizar a reforma e revolução agrária, com a perspectiva de instauração de um governo operário e camponês, rumo ao socialismo.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

domingo, 28 de agosto de 2016

Colômbia: burguesia impõe rendição humilhante às Farc

O governo da Colômbia, do presidente Juan Manuel Santos, e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), representada por Rodrigo Lodoño, o Timoleón Jiménez, celebraram uma “Acordo de Paz”, que concretamente é uma rendição humilhante por parte dos guerrilheiros.

O pretexto do pacto são anunciados como sendo: 

“eliminar os fatores apontados no conflito, criar condições para as Farc deixem de existir como guerrilha e se tornem um movimento político e satisfazer minimamente o direito das vítimas à verdade, à justiça e à reparação.” 

Para o primeiro item, o governo colombiano se comprometeu a realizar uma reforma agrária e a reduzir a pobreza das áreas rurais.

A grande concentração de terras e a desigualdade estão na origem da luta das Farc – inicialmente um movimento camponês de inspiração marxista (...).”

Com relação ao segundo ponto ao segundo ponto, o acordo já aos ex-guerrilheiros a possibilidade de disputar eleições, com uma cota mínima garantida na Câmara e no Senado.

Por fim, as vítimas serão ressarcidas conforme o impacto da violência em sua vidas, e será criada uma comissão para encontrar e identificar mortos e desaparecidos. O texto, ademais, prevê que os guerrilheiros serão julgados por um tribunal especial, que condenará a penas mais brandas aqueles que confessarem crimes, mesmo que violentos,

Em troca, as Farc se comprometem a deixar as armas (...) e pedir perdão pelos delitos praticados.”

Formalmente, esse “Acordo” depende ainda de votação popular, marcada para 2 de outubro.

O “Acordo” foi intermediado pelo arqui-reacionário Vaticano e pelo governo da burocracia cubana, por intermédio de Raul Castro, sendo que uma das principais cláusulas do mesmo é a criação de uma farsa de “tribunal” que julgará a guerrilha, que terá de entregar as armas.  Ou seja, praticamente é a capitulação da guerrilha, porque as condições são draconianas, por exemplo:

“TRIBUNAL ESPECIAL

Serão criados tribunais com juízes colombianos e estrangeiros (nota: com certeza com a participação de norte-americanos - I.R.) para julgar os crimes graves cometidos durante o conflito armado

(...)

DESARME

As Farc deverão deixar as armas em até 60 dias após o acordo final, que deve ser concluído até março, para vigorar o tribunal especial

(...)

CONFISSÃO

Terá pena reduzida quem reconhecer os crimes, após o processo ser avaliado por promotores, vítimas e juízes.

NÃO ARREPENDIDOS

Quem não se arrepender dos crimes ou confessá-los depois irá a julgamento comum” (Folha de S. Paulo, 25/9/2015).

Anteriormente as Farc celebraram acordos com os governos colombianos, sendo que estes não os cumpriram e aproveitaram para perseguir e matar os guerrilheiros. Um desses “Acordos” foi em 1998, com o presidente Andrés Pastrana, que hoje é contra este novo “Acordo”. Posteriormente, tomou posse o presidente facínora, sanguinário e narco-traficante Álvaro Uribe, que também é contra o “Pacto” atual. Uribe é o mentor do atual presidente Juan Manuel Santos.

O problema das Farc é a sua limitação programática: “As FARC propõe 4 reformas nas negociações de paz das quais: 

"1. criação da assembleia nacional constituinte na Colômbia aprovada por referendo.

2. Reforma fiscal.

3. Reforma Agrária.

4. Desprivatizar instituições públicas que foram concedidas a iniciativa privada.” (Wikipédia).

A Colômbia vive uma guerra civil há 50 anos. As Farc chegaram a  ter aproximadamente 25.000 guerrilheiros e dominar boa parte do território colombiano (hoje os seus efetivos estão estimados entre 8.000/6.000 guerrilheiros), todavia a sua limitação programática salta aos olhos, por defender um programa minimamente democratizante, pequeno-burguês, sem ter uma estratégia marxista-leninista no sentido da defesa de um governo operário e camponês. 

Para tanto é imprescindível o trabalho junto ao proletariado colombiano, junto aos sindicatos e às principais centrais sindicais colombianas,  ou seja, a Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia (CUT) e à Confederação de Trabalhadores da Colômbia (CTC), por que somente a classe operária, apoiada pelos camponeses, por meio do partido operário marxista-revolucionário pode liderar e levar até o final as tarefas democráticas, como expulsão do imperialismo (que detém bases militares na Colômbia, sob pretexto de combate ao narcotráfico) e a reforma e revolução agrária, com a expropriação das empresas agrícolas, das terras, dos latifúndios, rumo à revolução socialista, com a expropriação da burguesia colombiana, expropriando os meios de produção, as fábricas, dos bancos,, adotando a economia planificada, com o monopólio do comércio exterior.

Devemos salientar o papel contrarrevolucionário do arqui-reacionário Vaticano e da burocracia cubana em intermediar esse “processo de paz”. Com certeza a burocracia cubana está se submetendo às pressões da política dos Estados Unidos para restauração do capitalismo na Ilha, sendo que esta, como o “processo de paz” na Colômbia, se inserem no contexto das disputas inter-imperialista dos EUA e União Europeia contra os imperialismos emergentes da Rússia e da China.  

Assim em razão das limitações programáticas das Farc apontadas acima e de sua capitulação, cumpre ao proletariado colombiano construírem um partido operário marxista revolucionário, que seja a seção colombiana de uma nova Internacional Operária Revolucionária.

Ignácio Reis

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Lula é indiciado pela Polícia Federal: golpe entra na fase bonapartista/ditatorial

O ex-presidente Lula do Partido dos Trabalhadores (PT) foi indiciado pela Polícia Federal, a polícia política do golpe, acusado de corrupção, por causa da suposta compra de um apartamento, o que significa que o golpe entra na fase bonapartista/ditadorial, onde serão aplicadas as chamadas medidas impopulares de Temer.

A Polícia Federal, segue agindo sob o comando da CIA, realizando operações nazi-fascistas, invadindo a sede nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, prendendo o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora do PT, Gleisi Hoffman, e mais 4 pessoas, na chamada “Operação Custo Brasil”, numa operação “cinematográfica”, usando até helicóptero, fazendo toda a conhecida encenação midiática.

A Polícia Federal transformou-se na polícia política do golpe, numa versão moderna das SS nazistas da Alemanha de Hitler e da gestapo.

A Polícia Federal implementa a política do juiz federal e suposto agente da CIA e do PSDB, Sérgio Moro, que condenou Zé Dirceu novamente sem provas, agora a 23 anos de prisão, verdadeira prisão perpétua se considerarmos a idade de Dirceu (70 anos), a exemplo do que fizera o Supremo Tribunal Federal, com a nazi-fascista “Teoria do Domínio do Fato”. O STF rasgou a Constituição faz tempo, quando acabou com o princípio da presunção de inocência. Essa Corte tem muita tradição nesse tipo de decisão ditatorial e nazi-fascista, tendo entregue Olga Benário a Hitler.

Como disse o dramaturgo alemão Bertold Brecht, “Infeliz da nação que precisa de heróis.”

À caçada ao PT, seguirá a caçada aos demais partidos operários e de esquerda e aos movimentos populares e sociais, aos sindicatos e às centrais de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, a votação do “impeachment” está sendo comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, a mesma Corte que para maquiar o golpe, fez uma cirurgia plástica afastando apenas formalmente Eduardo Cunha da presidência da Câmara (continua recebendo e atuando para a consolidação do golpe. Apenas não comparece nas dependências da Câmara, o resto ele continua fazendo exatamente igual), apenas depois que ele fez todo o trabalho sujo, pavimentando o terreno para o golpe.

O universo dos golpistas está mais do que claro: a imprensa, o Congresso Fantoche, o Supremo Tribunal Federal e o juiz  Sérgio Moro, suspeito de ser agente da CIA, , o Ministério Público Federal, a Polícia Federal (a polícia política do golpe), e as Forças Armadas. 

A maioria dessas instituições burguesas, são ocupadas por usurpadores que não se submeteram ao sufrágio universal, ao voto,  ou seja ao controle do povo, que permanentemente defendem os interesses da burguesia e do imperialismo norte-americano, agindo sempre politicamente.

A “Operação Lava Jato” e as demais “operações” foram montadas pela CIA e pelo imperialismo norte-americano apenas para perseguir os dirigentes petistas e os empreiteiros e empresários que apoiaram os governos do PT de Lula e Dilma. Tanto isso é verdade, que o capitão do golpe, o deputado Eduardo Cunha, segue firme e forte, nada lhe acontecendo, nem as suas esposa e filha cúmplices. Inclusive, Cunha e a esposa foram fotografados recentemente jantando em restaurante grã-fino, conforme divulgação da imprensa. Esta semana o juiz Sérgio Moro devolveu o passaporte para a mulher de Eduardo Cunha.

A  Polícia Federal tornou-se a polícia política do golpe, adquirindo as características das SS nazistas, a exemplo do que vem fazendo não só em São Paulo como, por exemplo, no Paraná, onde Curitiba tornou-se a Nova Guantánamo, com as pessoas sendo presas sem culpa formada (ou seja, sem acusação), por meio de prisões “preventivas” e “provisórias”, para obtenção de “confissões” e “delações premiadas”, sob clara tortura, a exemplo do que ocorre na prisão norte-americana em Guantánamo e ocorreu na época nazista de Hitler, reproduzindo o DOI-CODI da ditadura de 1964, nesta ditadura de 2016.

Os golpistas, ao mesmo tempo em que estão retirando os direitos trabalhistas (fim da CLT, jornada de 80 horas semanais, etc.), os programas previdenciários dos trabalhadores (aposentadoria ao 75 anos) e sociais (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Pro-uni, Pronatec, Ciência sem fronteiras, etc.) da maioria oprimida nacional, estão caçando o PT, seus dirigentes e sua militância, visando implementar o plano uma “Uma ponte para o futuro”, que é um plano do imperialismo norte-americano para recolonizar e escravizar a população do Brasil.

Agora com o golpe estando prestes a ser consumado, com a instauração da ditadura Temer/Cunha, os golpistas tentarão minar a resistência operária e popular, e para tanto já dirigem seus ataques à principal liderança operária e popular do País, que é Lula. Todavia, o movimento operário e popular tem de resistir. 

A resistência têm de dar um salto de qualidade, com um trabalho paciente de explicação aos operários, aos trabalhadores, aos camponeses, aos jovens e aos estudantes, preparando-os para a luta pelas liberdades democráticas, como também para enfrentar os ataques que virão do “programa econômico” da ditadura Temer.

Os trabalhadores devem sempre utilizar os métodos de luta da ação direta das massas, motivo pelo qual o movimento operário e popular deve preparar e organizar, uma greve geral por tempo indeterminado, com a eleição dos comandos de greve, nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, nos campos, nas empresa rurais, nas escolas e nas universidade, bem como organizar milícias operárias e populares a partir dos sindicatos, para derrubar a ditadura Temer/Cunha, para que esta seja apenas um curto episódio histórico no Brasil.

- Liberdade para os presos políticos!

- Pelas liberdades democráticas!

- Liberdade de manifestação e expressão!

- Liberdade de associação e organização!

- Abaixo a repressão!

- Pela dissolução da polícia militar e da polícia federal (a polícia política do golpe)!

- Eleição dos juízes!

- Abaixo o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano!

- O povo na rua derruba a ditadura!

 - Fora Temer, Fora Cunha!

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A farsa das eleições municipais totalmente antidemocráticas e controladas pela justiça golpista

A Tendência Marxista-Leninista entende que é necessário denunciar a farsa das eleições municipais totalmente controladas pela justiça golpista, por meio da reacionária “Lei da Ficha Limpa”, sob pretexto de combater a corrupção, permite ao Poder Judiciário golpista dizer quem será ou não candidato, estando voltada principalmente contra os partidos operários e populares.

Apesar de totalmente antidemocráticas e controladas pela justiça golpista, os marxistas revolucionários são pela participação nas eleições burguesas, utilizando-a como tribuna para denunciar o Estado burguês e o capitalismo agonizante, subordinada à ação direta das massas, como manifestações, protestos, greves, greve geral e a revolução proletária. Lênin e os bolcheviques participavam, de forma revolucionária, de eleições reacionárias na época do czarismo, assim como utilizavam o mandato na Duma (parlamento) de forma também revolucionária, formando bancadas bolcheviques. Da mesma forma, Karl Liebknecht, na Alemanha.

Infelizmente, tendo em vista a dispersão da vanguarda operária revolucionária, por causa do fracasso das duas principais tentativas do proletariado brasileiro de se organizar de forma independente, como classe para si, as frustradas construção do Partido Comunista do Brasil (PCB), a partir de 1922, e do Partido dos Trabalhadores, a partir de 1980, a Tendência Marxista-Leninista deliberou votar nos candidatos do Partido da Causa Operária (PCO), apesar das diferenças que nos separam, em razão de sua luta contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

Entendemos correto o posicionamento do PCO de usar as eleições como tribuna para denunciar e lutar contra o golpe, sem semear ilusões legalistas, constitucionalistas, parlamentaristas ou eleitoreiras, isto é, sem jogar areia nos olhos da classe operária e do conjunto dos trabalhadores, camponeses, estudantes e jovens. 

As eleições municipais que serão realizadas agora no mês de outubro de 2016 serão profundamente antidemocráticas, em razão do golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

Antes, os candidatos dos pequenos partidos, sobretudo os operários, marxistas e revolucionários, no rádio e na televisão, tinham apenas o tempo de pronunciarem os seus nomes, agora, com certeza, não terão tempo nem de abrir a boca.

Além disso, a campanha se limitará a apenas 45 dias, sendo totalmente controlada pelo judiciário golpista.

Fatos como a “eleição” do Senador Aloísio Nunes Ferreira deverão se repetir. Aloísio às vésperas das eleições para o Senado não aparecia com as mínimas possibilidades de ser eleito, sendo que no dia seguinte estava eleito. Um eleição que colocou sob suspeita o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado de São Paulo, controlado pela reacionária burguesia paulista da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e do Partido da Social Democracia Brasileiras (PSDB), o partido pró imperialismo norte-americano. Acrescente-se que as urnas brasileiras são também conhecidas como roubotrônicas, porque não permitem a recontagem por meio do voto físico. Apenas 6 países a adotaram.

Além disso, é preciso ter claro que, caso os golpistas se consolidem no poder, daqui para frente a tendência é a supressão das eleições, a começar a de 2018, logicamente dependendo da reação do movimento operário e popular, da luta de classes, que ainda tem possibilidade de derrotar o golpe. 

A vanguarda operária revolucionária precisa reagrupar-se imediatamente, buscando construir um partido operário marxista revolucionário, para organizar o proletariado brasileiro de forma independente.

Assim, é fundamental que os revolucionários marxistas defendam que a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, que congregam a maioria da organizações operárias e populares, rompam com sua política de colaboração de classes, de tentativa de chegar a um acordo com os golpistas, e mobilizem os operários e o conjunto dos trabalhadores, camponeses, estudantes e jovens para que saiam às ruas, rumo a uma greve geral, com comandos eleitos nas fábricas, nas empresas, nos bancos, nas repartições públicas, no campo, nos latifúndios, nas escolas e universidades, visando a derrubada revolucionária do governo Temer/Cunha, na perspectiva de instauração de um governo operário e camponês, para a realização das tarefas democráticas de expulsão do imperialismo e da reforma e revolução agrária, com a expropriação do meios de produção e da terra, monopólio do comércio exterior, economia planificada, rumo ao socialismo.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista e revolucionário

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

PT, PCdoB, CUT, CTB, MST, MTST e UNE mobilizem as bases rumo à Greve Geral para derrotar o golpe

A Frente Brasil Popular (FBP) e a Frente Povo Sem Medo (FPSM) congregam as principais organizações de massas do Brasil, como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido da Causa Operário (PCO) , a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e demais centrais sindicais e movimentos populares e sociais. 

Todavia, embora tenham realizado inúmeras e gigantescas manifestações contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, não deliberam e nem organizam a greve geral junto às suas bases, necessária neste momento para derrotar o golpe.

Essas frentes têm a obrigação de mobilizar as suas contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, mas não estão fazendo isso como deviam, o que demonstra vacilação, tentativa de acordo ou mesmo capitulação aos golpistas.

Inclusive, a direção da CUT divulgou que marcou a greve geral para 22 de setembro, quando coincidem diversas campanhas salariais do segundo semestre, demonstrando o total descompasso com relação ao ritmo acelerado do golpe.

Na atual etapa da luta, as ilusões legalistas, constitucionalistas, parlamentaristas devem ser abandonadas de vez, porque a votação da admissão do “impeachment”/golpe no Senado Federal deixou claro que não há nenhuma chance para a presidenta Dilma Rousseff, confirmando o que a Tendência Marxista-Leninista dizia que não era verdade que Lula tinha revertido 6 votos de senadores, que tudo não passava de boato, talvez dos próprios golpistas, para desmobilizar a luta contra o golpe.

Não devemos ter ilusões também nas instituições burguesas permanentes, que apoiam o golpe, como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Ministério Público Federal, o Supremo Tribunal Federal, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal, as Forças Armadas, a maioria delas ocupadas por usurpadores sem nenhum controle por parte da população, que não se submeteram ao sufrágio universal, ao voto, isto é, ao poder do povo.

Por outro lado, Cunha segue comandando o golpe com Temer, sendo certo que somente a ação diretas das massas, do movimento operário e popular, colocará as mãos em todos os golpistas, como a população da Turquia fez recentemente para derrotar o golpe patrocinado pelo imperialismo norte-americano. 

Agora chegou a hora da Greve Geral. As pesquisas dos institutos da própria burguesia demonstram que 87% da população quer o “Fora Temer”, está contra o golpe, apesar do barulho da mídia burguesa e da extrema-direita.

Com exceção do PCO que vem defendendo a greve geral, as demais organizações recusam-se a mobilizar suas bases rumo à greve geral.

A direção majoritária do PT e da CUT, o PCdoB e a CTB, buscam até uma aproximação com a Força Sindical, com sua política de conciliação e colaboração de classes (frente populista), e seguem tentando equivocadamente um “Acordão Nacional” com os golpistas, inclusive embarcando na defesa das “eleições gerais”, o que vem aplainando o caminho dos golpistas, legitimando o golpe.

Sequer refletem o que serão as “eleições gerais” controladas pelos golpistas, fazendo uma abstração das consequências da vitória do golpe, como se este não fosse a preponderância de atos de força, com tendências bonapartistas e ditatoriais. 

A FPSM e o MTST, liderados por Guilherme Boulos, segue com sua política pequeno-burguesa centrista, embora tenha deixado de apoiar o golpe, mas recusa-se a mobilizar as suas bases. É a mesma política do Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), que é uma reedição piorada do PT, da Liga Bolchevique Internacionalista (LBI), do Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT/LER-QI).

Por outro lado, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), por apoiar o golpe, rachou no meio, surgindo o Movimento por uma Alternativa Independente Socialista (MAIS), e o Partido Operário Revolucionário (POR), perdeu a sua Regional da Bahia, os quais devem desaparecer com a radicalização da situação política, e a erupção do movimento de massas no próximo período.

Assim sendo, é necessário deliberar, preparar e organizar a Greve Geral, por meio da eleição de comandos de greve nas fábricas, nas empresas, nos bancos, no campo, nos latifúndios, nas empresas agrícolas, nas escolas e universidades, visando a derrubada revolucionária dos golpistas Temer/Cunha.  

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Venezuela: armamento do proletariado e dos camponeses para esmagar o golpe

O presidente Nicolás Maduro, na quinta-feira, dia 18 de agosto, em pronunciamento na televisão disse que enfrentará o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano:

“Vocês viram o que aconteceu na Turquia? Erdogan vai parecer um bebê de colo comparado com o que a Revolução Bolivariana fará caso a direita ultrapasse a linha com um golpe” (Folha de S. Paulo, 20/8).

Ainda segundo a Folha de S.Paulo, Maduro referia-se à tentativa de golpe frustrado na Turquia:

“Após a tentativa de golpe de 15 de julho, o presidente turco ordenou a detenção de mais de 20 mil pessoas, afastou cerca de 80 mil servidores e fechou 131 meios de comunicação. Erdogan ainda ampliou seu controle nas Forças Armadas e no Judiciário.

O principais alvos da ofensiva foram os simpatizantes do movimento Hizmet, ligado ao líder religioso Fetullah Gülen e que é considerado uma organização terrorista pelo governo.

As autoridades ainda pediram aos Estados Unidos a extradição do clérigo, que vive desde 1999 no país. Um dos principais opositores de Erdogan, ele nega envolvimento com o golpe frustrado.”

Inclusive, na Turquia, o governo foi obrigado a anistiar os presos comuns, que cometeram pequenos delitos, para conseguir vagas nas prisões para prender aos golpistas.

Na verdade, como no Brasil, na Venezuela há um golpe em marcha, onde a burguesia entreguista e o imperialismo norte-americano buscam depor o governo bolivariano de Nicolás Maduro, com objetivo semelhante ao do Brasil, porque a Venezuela é rica em petróleo, sendo uma dos principais países exportadores. Ou seja, o imperialismo, através da americana Chevron e da britância Shell, quer se apoderar do petróleo e das riquezas venezuelanas, como fizeram aqui com o Pré-sal e a Petrobrás.

Como noticiado, o golpe em andamento na Venezuela é bem parecido com o do “impeachment”/golpe brasileiro, só que lá se chama “referendo revogatório", isto é, o mesmo modus operandi do Departamento de Estado, da CIA e do FBI:

“Nicolás Maduro é alvo de um pedido de referendo revogatório feito pela coalização opositora, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), para retirá-lo do poder.(...)” (Folha de S. Paulo, 18/8).

Além disso, igual está acontecendo no Brasil, a Venezuela sofre os reflexos da crise capitalista mundial de 2008, que também de forma retardatária chegou aos nossos vizinhos e a toda América do Sul.

Ainda, a Venezuela está sendo atacada no Mercosul pelo governo autoritário pró-imperialista de Mauricio Macri, da Argentina, e pelo governo golpista de Michel Temer, do Brasil, por meio do tucano usurpador  e golpista pró-imperialista José Serra.

A Tendência Marxista-Leninista apoia o pronunciamento de Maduro, fazendo frente única com o governo bolivariano contra os ataques da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, porém adverte que os governos nacionalista burgueses costumam capitular perante o imperialismo, como o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), da Bolívia; o APRA, no Peru; e o peronismo na Argentina.

A própria estratégia de Nicolás Maduro aponta nesse sentido, quando diz buscar “paz, diálogo e prosperidade.”, ou seja, uma política de conciliação.

A Tendência Marxista-Lenista entende que o que está colocado na Venezuela é o armamento do proletariado e dos camponeses para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano:

“De acordo com a magnífica expressão do teórico militar Clausewitz, a guerra é a continuação da política por outros meios. Esta definição também se aplica plenamente à guerra civil. A luta física não é senão um dos "outros meios" da luta política. É impossível opor uma à outra, porque é impossível deter arbitrariamente a luta política quando se transforma, pela força de suas necessidades internas, em luta física. O dever de um partido revolucionário é prever a inevitabilidade da transformação da luta política em conflito armado declarado e preparar-se com todas as suas forças para esse momento, como para ele se preparam as classes dominantes.

Os destacamentos da milícia para a defesa contra o fascismo são os primeiros passos no caminho do armamento do proletariado, e não o último. Nossa palavra de ordem é: "Armamento do proletariado e dos camponeses revolucionários". A milícia do povo, no fim das contas, deve abarcar todos os trabalhadores. Não será possível cumprir esse programa completamente, a não ser no Estado operário, para cujas mãos passarão todos os meios de produção e, conseqüentemente, também os meios de destruição, isto é, os armamentos e todas as fábricas que os produzem.

No entanto, é impossível chegar ao Estado operário com as mãos vazias. Somente os políticos inválidos, do tipo de Renaudel, podem falar de uma via pacífica, constitucional, para o socialismo. A via constitucional está cortada por trincheiras ocupadas pelos grupos fascistas. Há muitas dessas trincheiras diante de nós. A burguesia não vacilará em provocar uma dúzia de golpes de Estado para impedir a chegada do proletariado ao poder. Um Estado operário socialista não pode ser criado senão por uma revolução vitoriosa. Toda revolução é preparada pela marcha do desenvolvimento econômico e político, mas é decidida sempre por conflitos armados declarados entre as classes hostis. Uma vitória revolucionária não é possível a não ser graças a uma ampla agitação política, a um amplo trabalho de educação, uma ampla tarefa de organização das massas. Mas o próprio conflito armado também deve ser preparado com muita antecedência. Os operários devem saber que terão de bater-se numa luta de morte. Devem querer armar-se, como garantia de sua liberação. Em uma época tão crítica quanto a atual, o partido da revolução deve pregar aos operários, incansavelmente, a necessidade de armar-se e de fazer tudo o que possam para assegurar, pelo menos, o armamento da vanguarda proletária. Sem isso, a vitória é impossível.” (Leon Trotsky, “Aonde vai a França?).

Inclusive, antes da declaração acima, sobre as filas nas padarias e a suposta falta de trigo, “O superintendente de Defesa dos Direitos Socioeconômicos, Willian Contreras, disse que há matéria-prima suficiente, motivo pelo qual não se justifica a espera.” Maduro havia anunciado multar padarias com fila na porta. Todavia, tal medida é branda e insuficiente. No caso, o que o proletariado deve fazer é expropriar as padarias que estão sabotando a economia e prejudicando a população.

Assim, cumpre aos marxistas revolucionários venezuelanos organizar imediatamente um partido operário, que busque organizar de forma independente e armar o proletariado e os camponeses venezuelanos para esmagar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

Capitulação ao golpe vai desintegrando os partidos socialdemocratas no Brasil

O apoio ou capitulação ao golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano no Brasil vem desintegrando os partidos e organizações socialdemocratas, sendo que agora foi a vez do Partido Operário Revolucionário (POR), do Brasil, lorista, que em razão de capitular ao golpe foi obrigado a expulsar a Regional da Bahia.

A Regional da Bahia do POR divulgou, em 20/8, uma “CARTA ABERTA AOS ATIVISTAS, MILITANTES E ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA”, denunciando: “DIREÇÃO CAUDILHESCA DO PARTIDO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO (POR) EXCLUI OS MILITANTES DA BAHIA DO PARTIDO.” 

Ainda na semana passada, no dia 19/8, houve a reunião nacional, na Sede nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), convocada pelo “Diálogo e Ação Petistas” para o lançamento do “Manifesto pela Reconstrução do PT”, com a participação de diversas correntes internas do PT, como “O Trabalho”, “Novo Rumo”, e independentes.   

Já a primeira vítima foi o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), ligado a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), morenista, que rachou praticamente ao meio, com o surgimento no mês passado, em 23/7, do Movimento por uma Alternativa Socialista Independente (MAIS).

Os militantes da Regional da Bahia do POR deram muita ênfase na questão organizativa, todavia os problemas organizativos são reflexos da política de capitulação ao golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano que depôs o governo do PT. A capitulação do POR ao golpe significou o seu alinhamento à política pró-imperialista dos Estados Unidos, ou seja, socialdemocrata. Essa política, numa organização que se reivindica operária e marxista, só consegue ser imposta de forma autoritária, caudilhesca. Não tem outro jeito. 

Assim, os camaradas da Regional da Bahia que foram excluídos do POR defendem a luta contra o golpe da burguesia e do imperialismo norte-americano, por isso foram expulsos. 

Por outro lado, a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) criticou aos companheiros da Regional da Bahia do POR, pensando que são contra o centralismo-democrático. Nós, da Tendência Marxista-Leninista, entendemos que a questão não é essa. Não é organizativa, mas política pela capitulação ao golpe, como assinalamos acima. A LBI não enxerga assim, porque, como o PSTU, flertou com o golpe desde 2013, recusando-se a participar da frente única operária antigolpista, apenas “reconhecendo-o” às vésperas da deposição do PT.

Assim, a TML coloca-se à disposição dos companheiros da Regional da Bahia do POR para abrir e aprofundar uma discussão fraternal sobre os problemas políticos apontados pela “Carta Aberta”, visando uma intervenção conjunta contra o golpe.

Erwin Wolf

Tendência Marxista Leninista, por um partido operário marxista revolucionário

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Há 76 anos Trotsky era assassinado, mas deixava um legado: o marxismo revolucionário de nosso tempo

Trotsky foi assassinado no dia 20 de agosto de 1940, no exílio no México, na cidade de Coyoacán, em 1940, por Ramon Mercader (espanhol,  que por falar bem o francês, se passava por belga, com o pseudônimo de Jacques Monard) a mando de Josef Stalin, dirigente da burocracia contrarrevolucionária que assumiu o poder na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que levou à restauração capitalista, dando origem à atual Rússia e demais países, como Ucrânia, Letônia, Lituânia, etc.

Lênin e Trotsky, liderando os bolcheviques, o partido comunista russo, inicialmente enfrentaram e venceram o cerco dos 14 exércitos imperialistas contra a URSS, com o Exército Vermelho, criado por Trotsky vencendo a guerra civil em 1921.

Apesar da vitória a Rússia saiu exaurida da guerra civil, sendo que os melhores quadros do Partido Bolchevique e da Revolução morreram na Guerra Civil. A situação econômica se agravou, com muita miséria.

Além disso, para agravar a situação, a revolução na Alemanha, país mais avançado, não ocorreu no período de 1919/1923. Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram assassinados. Os bolcheviques depositavam muita esperança na revolução na Alemanha para impulsionar a Revolução Mundial. Outras derrotas aconteceram no período, como a derrota da República Soviética da Hungria de 1919, de Bela Kun e Georg Lukács.

Assim, os bolcheviques, isolados, foram obrigados a adotar a Nova Política Econômica (NEP), ou seja, embora tenham impulsionado a lei da economia planificada (como nos ensinou o maior economista bolchevique, Eugênio Preobrajenski, em sua obra “A Nova Econômica”), foram forçados a fazerem algumas concessões à lei do valor, a “economia de mercado”, à economia capitalista.

Isso tudo propiciou o aparecimento de uma burocracia na União Soviética, que usurpou o poder do proletariado revolucionário russo, concentrado nos sovietes (conselhos operários, de deputados operários, camponeses e soldados do exército).

Josef Stalin, Georg Zinoviev e Leon Kamenev lideraram essa burocracia. Foi a chamada Troika.

Em razão do surgimento dessa burocracia, surgiu a Declaração dos 46 bolcheviques, organizados em torno de Eugênio Preobrajenski, o maior economista soviético, autor da obra “A Nova Econômica”. Dentre os 46, estavam Ivar Smilga, Ivan Smirnov, Valerian Osinski, Grigori Sokolnikov,  colocando a necessidade de se estabelecer uma política de industrialização para vencer o atraso, porque embora o proletariado tenha tomado o poder com o apoio dos camponeses, o país seguia pouco industrializado. Apontavam para a retomada da política de Lênin, quando este dizia que a URSS devia ser “sovietes mais eletricidade" (industrialização - TML).

Trotsky estava esgotado em razão das divergências na Guerra Civil e com o fato do grupo oposicionista de Stalin no Exército ter conseguido o poder, por meio de Frunze, que aliás morreu logo depois. Na medida em que foi afastado do Exército, passou a se dedicar, estudar e a trabalhar na área econômica do governo soviético, com a questão da indústria. Inclusive, Trotsky concordou com Stalin para que não fosse divulgado o Testamento de Lênin, onde este fazia críticas às principais lideranças bolcheviques, Bucarin, Piatakov, ao próprio Trotsky, e principalmente a Stalin. Assim, Trotsky inicialmente não participou dessa articulação dos 46 liderada por Preobrajenski.

Posteriormente, vendo a situação política do URSS se agravar, Trotsky aderiu aos 46 e passou a organizar a Oposição de Esquerda, juntamente com Eugênio Preobrajenski e outros 45 bolcheviques.  

Em seguida, Kamanev e Zinoviev rompem com Stalin e formam junto com Trotsky a Oposição Unificada. 

O Estado operário soviético passa a ser dirigido por Josef Stalin e Nicolai Bucarin que passam a liderar a burocracia. Bucarin tornou-se líder de uma oposição de direita,  chegando a formular a palavra de ordem “Kulaks enriquecei-vos”.

Trotsky acaba deportado para a Turquia, em Prinkipo, passando a impulsionar a Oposição de Esquerda Internacional, com seu filho Leon Sedov, depois foi para seu exílio definitivo no México.

O isolamento da URSS persistiu, com a burocracia adotando um curso termidoriano (uma comparação de Trotsky ao período contrarrevolucionário da Revolução Francesa), que resultou nos famosos “Processos de Moscou”, de 1934/1939, quando todos os membros da vanguarda bolchevique, que havia dirigido a Revolução Russa, foram assassinados por Stalin.

Era uma conjuntura profundamente contrarrevolucionária, período da ascensão de Hitler  na Alemanha, em 1933, fortalecendo o fascismo de Mussolini na Itália.

Na época, com a crise na URSS, a burocracia adotou uma política de industrialização e coletivização do campo forçadas, aumentando o descontentamento da população com o governo da burocracia.

Stalin desenvolveu, então, a “Teoria do Socialismo num só país” e a política de “Coexistência Pacífica”, colaboração de classes com o imperialismo.

Isso permitiu que fizesse um acordo com Hitler, o chamado “Acordo Molotov- Ribbentrop”, os nomes, respectivamente, dos ministros das relações exteriores da URSS e da Alemanha.

Stalin acreditava que com esse “Acordo” Hitler não atacaria a Alemanha. Quando o Exército alemão invadiu a URSS, membros da organização de inteligência de soviética, a “Orquestra Vermelha” informaram Stalin imediatamente, mas este não acreditou, conforme relata em seu livro “O Grande Jogo”, de  Leopold Trepper, que depois tornou-se trotskista.

Na época da ascensão de Hitler na Alemanha, a Internacional Comunista vivia a política denominada do “terceiro período”, onde defendia a “teoria do social fascismo”, contra a frente única do Partido Comunista alemão com o Partido Socialista alemão para derrotar o nazismo, dizendo que este era “social-fascista”, o que permitiu a ascensão de Hitler, muito parecida com a política do “Fora Todos” do Partido Socialista dos Trabalhadores (PSTU) no Brasil hoje, sectária por não permitir a unidade na luta contra o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano e o oportunista porque, na prática, é uma aliança com os mesmos.

A partir da ascensão do nazismo na Alemanha, em 1933, Trotsky que impulsionava a Oposição de Esquerda Internacional, no seio dos partidos comunistas, entende que a III Internacional, ou Komintern, como era conhecida, estava morta para a Revolução Mundial, e passa a defender a necessidade construção da IV Internacional.

Em 1938, no em Perigny, no subúrbio de Paris, funda, baseado no Manifesto do Partido Comunista, nos Quatro Primeiros Congresso da Internacional Comista e no Programa de Transição a IV Internacional, que ele considerava o seu maior legado.

Todavia, a IV Internacional não teve vida longa em razão de seus quadros jovens não estarem à altura da tarefa colocada pela luta de classes.

James Patrick Cannon, que havia travado uma luta importante com Trotsky contra a fração antidefensista de Max Shachtman no Socialist Workers Party (SWP) dos Estados Unidos (Scachtman era contra a defesa da URSS, em razão de sua burocracia contrarrevolucionária, enquanto Trotsky e Cannon eram pela defesa incondicional da URSS), erguendo o mais importante partido da  IV Internacional,  não se mostrou a altura para seguir a luta e dirigir a nova Internacional.

A IV Internacional passou a ser dirigida pelo grego Michel Pablo, que realizou uma revisão do Programa de Transição, impressionado com o surgimento dos Estados operários no Leste Europeu, como Alemanha Oriental, Iugoslávia (Sérvia, Croácia, Montenegro, Bósnia, Herzegovina), Polônia, Tchecoslováquia (hoje República Tcheca e Eslováquia), Romênia, Albânia, em razão da desintegração do capitalismo, motivada pela destruição da II Guerra Mundial.

Pablo passou a defender que a hipótese pouco provável, mencionada por Trotsky no Programa de Transição como exceção, de que as direções tradicionais serem obrigadas a tomar o poder, tornara-se a regra.

A hipótese pouco provável para Trotsky, conforme seu prognóstico no Programa de Transição da IV Internacional sobre a instauração de um governo operário e camponês é a seguinte:

É possível a criação de tal governo pelas organizações operárias tradicionais. A experiência anterior nos mostra, como já vimos, que isto é pelo menos pouco provável. Entretanto, é impossível de negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, inclusive os estalinistas, possam ir mais longe do que queiram, no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo  esta variante pouco provável se realizasse um dia, em algum lugar, e um “governo operário e camponês” no sentido acima indicado se estabelecesse de fato, ele representará somente um curto episódio em direção à ditadura do proletariado.

Todavia, esse entendimento era completamente equivocado, pois desconsiderava as revoluções em as direções tradicionais do proletariado não estiveram à altura dos acontecimentos, como as Revoluções na Alemanha (várias no período de 1919/1923), Grécia, Itália, Hungria, China (1927), Bolívia, Ceilão, Peru, França, Tchecoslováquia, Nicarágua, Portugal, Espanha, Irã, Egito, Palestina, etc. A lista é imensa.

Essa conclusão de que direções tradicionais (e ou pequeno-burgueses) estavam liderando revoluções, levou à revisão do Programa de Transição no sentido de emprestar aos partidos comunistas um caráter revolucionário, materializando-se na política do “entrismo sui generis”, quando os militantes da IV Internacional foram orientados a fazerem o entrismo nos partidos comunistas.

Ernest Mandel (E. Germain), belga que havia sido prisioneiro durante a II Guerra Mundial, inicialmente elabora um documento com alinhavando 10 pontos criticando Michel Pablo, mas logo capitula ao mesmo, abandonando suas críticas que foram retomadas e desenvolvida por Marcel Bleibtreu, no artigo “Aonde vai o camarada Pablo?”, que era dirigente da ala majoritária do Partido Comunista Internacionalista (PCI) da França, juntamente com Pierre Lambert. O PCI, francês, foi apoiado pelo SWP, norte-americano, e pela seção britânica, dirigida por Gerry Healy.

Apesar da luta inicial contra o Michel Pablo, tal curso revisionista não foi contido, sendo que a primeira vítima dele foi a Revolução Boliviana, onde o Partido Operário Revolucionário (POR), seção boliviana da IV Internacional, dividido, abandonou as famosas “Teses de Pulacayo”, elaboradas e aprovadas pelos mineiros em 1946, a qual consistia no programa revolucionário,  e acabou apoiando a ala esquerda do Movimento Nacionalista Revolucionário, de Paz Estenssoro, numa política de colaboração de classes, frente populista, no momento que o Estado burguês boliviano havia sido destruído e os mineiros da Bolívia haviam desarmado o exército, numa situação revolucionária de duplo poder, onde a Central Operária Boliviana, tinha característica sovietista (sovietes: conselhos operários).

A IV Internacional foi assim precocemente destruída pelo revisionismo pablista com as principais seções, sucumbindo. O SWP norte-americano, adaptou-se ao castrismo, enquanto o PCI, tornou-se uma agência do imperialismo, adaptando-se à socialdemocracia francesa e europeia. Já Healy estabeleceu uma “Frente Única Anti-imperialista” com Muamar Kadafi, na Líbia, que verdade não era uma frente tática, para ações práticas e concretas, mas estratégica de longa duração, ou seja, estabelecendo uma “Frente Popular”, uma política frente populista, capitulando ao nacionalismo líbio.

Hoje, além do Secretariado Unificado pablista, existem alguns agrupamentos com uma certa expressão, que se reivindicam da IV Internacional, mas que desenvolvem uma política social-democrata, pró-imperialista, como a Corrente Marxista Internacional, de Alan Woods e a corrente lambertista francesa; a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), morenista, que, invariavelmente, se alinha com as posições pró-imperialistas, tendo como principal partido o PSTU brasileiro, que agora praticamente rachou ao meio por apoiar o golpe da burguesia entreguista e do imperialismo norte-americano, com o surgimento do Movimento Alternativo Socialista Independente (MAIS), ainda mais oportunista, os quais tendem a desaparecer com o acirramento da luta de classes no Brasil; a Coordenadoria pela Refundação da Quarta Internacional (CRCI), de Jorge Altamira, do Partido Obrero, da Argentina, que tem uma orientação eleitoreira e social-democrata pró-imperialista, com a política de “Frente de Izquierda”, como divulgada  em seu jornal Prensa Obrera (“Llevemos a la izquierda al Congresso”), nas últimas eleições parlamentares. Agora PO, de forma dissimulada, está apoiando o governo burguês autoritário, pró-imperialista de Mauricio Macri, na perseguição à líder das Mães da Praça de Maio, Dona Hebe de Bonafini. A socialdemocracia, como dizia Lênin, é uma agência do imperialismo.

A questão da “Frente Popular” é bem desenvolvida por Trotsky em sua obra “Stalin, o organizador de derrotas”, com o subtítulo “A Internacional Comunista depois de Lênin”, escrito em 1929, sobre a experiência da Revolução Chinesa, criticando a política de Nicolai Bucarin e George Dimitrov, no Quinto e Sexto Congressos da Internacional Comunista, aplicada pelos comunistas chineses que fizeram uma “Frente Única Anti-imperialista” (essa “Teoria” havia sido elaborada por Bucarin nas Teses do Oriente do Quarto Congresso da Internacional Comunista), na verdade uma “Frente Popular” com o Kuomitang, partido nacionalista chinês, sendo esmagados depois por Chiang Kai-shek. 

A TML entende que na conjuntura atual está colocada a luta por uma nova Internacional comunista, operária e revolucionária, sendo simpatizandte do Coletivo Revolução Permanente (CoReP), formado pelo Groupe Marxiste Internacionaliste, da França (GMI), o Gruppe Klassenkampf (GKK), da Áustria, e o Revolución Permanente, do Peru. Além disso, a TML é simpatizante da Liga Comunista de los Trabajadores, da Argentina,  e do Reagrupamento Revolucionário (RR), do Brasil.

A visão da TML com relação à construção do partido operário marxista revolucionário no Brasil, à construção da nova Internacional operária e revolucionária e à próxima vaga revolucionária é que serão cada vez mais fortes, mais firmes e poderosos:

“A organização do proletariado em classe e, portanto, em partido político, é incessantemente destruída pela concorrência que fazem entre si os próprios operários. Mas renasce sempre e cada vez mais forte, mais firme, mais poderosa (...).” (Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto do Partido Comunista, 1848.)

“[(As Revoluções) encontram-se em constante autocrítica, (...) retornam ao que aparentemente conseguiram realizar, para recomeçar para recomeçar tudo de novo (...), parecem jogar seu adversário por terra somente para que ele sugue dela novas forças e se reerga diante delas em proporções ainda mais gigantescas.” (Karl Marx, O 18 do brumário de Luís Bonaparte).

A TML segue o legado de Trotsky, lutando pela formação do partido operário marxista revolucionário e pela construção da Internacional comunista, operária e revolucionária, entendendo que essa é a melhor forma de homenageá-lo.

Tendência Marxista-Leninista, por um partido operário marxista revolucionário